Falta um mês para a chegada a Portugal de ‘A Senhora do Destino’. Um elenco de luxo, encabeçado por Suzana Vieira, dá corpo a uma história de amor, com várias paixões proibidas. Uma novela urbana em que a SIC aposta para manter a liderança do horário nobre…
O que têm em comum actores como Suzana Vieira, José Mayer, José Wilker, Carolina Dieckmann, Marcello Antony, Yoná Magalhães, Glória Menezes, Raul Cortez, Renata Sorrah, Tonia Carrero e Letícia Spiller? Em primeiro lugar, são todos grandes actores, do melhor que há na ficção brasileira. Em segundo lugar, estão todos juntos na próxima novela de horário nobre da SIC, que deverá arrancar em meados de Setembro, no lugar de ‘Chocolate com Pimenta’.
Com duas hipóteses em cima da mesa, ‘Cabocla’ e ‘A Senhora do Destino’, dois produtos da Globo já em exibição (e com sucesso) no Brasil, o director de programas da SIC, Manuel Fonseca, decidiu-se pela segunda, segundo apurou a Correio TV. De cariz urbano e com um leque ao nível de ‘Mulheres Apaixonadas’, a novela de Aguinaldo Silva foi a escolhida e, pelo que nos foi dado ver no Rio de Janeiro, tem tudo para resultar por cá.
A história centra-se em Maria do Carmo, uma nordestina mãe de cinco filhos, que venceu na vida através de muita luta, mas que, logo nos primeiros episódios, vê a sua filha mais nova (Lindalva, ainda recém-nascida) ser raptada. A obra, que se estreou na Globo a 28 de Junho último, está divida em duas fases: a primeira passa-se em 1968, em plena guerra civil brasileira, e dura quatro episódios. Depois de um salto no tempo, a novela decorre no tempo actual, no Rio de Janeiro, na fictícia Vila de São Miguel, na Baixada Fluminense.
SOFRIMENTO
Na primeira fase, Maria do Carmo é vivida por Carolina Dieckmann. “São quatro episódios de grande carga dramática. Eu assustei-me quando li a sinopse dos primeiros capítulos da novela. São muito fortes, porque são eles que vão marcar todo o resto da história”. Primeiro, Maria do Carmo é abandonada pelo marido com cinco filhos nos braços, em pleno sertão. Depois, viaja com eles para o Rio de Janeiro sem dinheiro e cai de pára-quedas na ‘cidade grande’, no meio dos confrontos políticos entre o regime e a oposição à ditadura. A heroína é presa e a filha sequestrada.
“Foi tão difícil. Ela sofreu muito e o sofrimento dela foi muito grande. E eu vivi intensamente este papel. Durante três meses fiquei trancada no camarim, buscando choro. Eu ficava chorando, chorando, chorando, sem motivo nenhum, para chegar no estúdio e ter aquela cara sofrida, sem ânimo”, revela à Correio TV.
A ESPERANÇA
Quando a acção passa para a actualidade, Maria do Carmo passa a ser interpretada por Suzana Vieira, que não se cansará enquanto não descobrir a sua Lindalva. “É um drama louco, um absurdo essa história de rapto que tem no Brasil. Eu nem imagino como é para uma mãe ver o filho desaparecer assim dessa forma”, refere a Suzana, sublinhando que a história é, ao mesmo tempo, “de amor e de esperança, porque Maria do Carmo não descansa enquanto não encontrar a sua filha”.
Mulher enérgica, de convicções, Maria do Carmo tem uma “relação calma e serena”, mas pouco apaixonada, com Dirceu (José Mayer) e tem um batalhão de homens em casa, nada menos do que os seus quatro filhos homens, interpretados por quatro dos maiores galãs brasileiros: Eduardo Moscovis, Marcello Antony, Leonardo Vieira e Dado Dolabella. Confrontada com essa realidade, Suzana Vieira brinca com a Correio TV. “Eu dei sorte, né? Ao longo de tantos anos de trabalho, já contracenei com os homens mais bonitos do Brasil. Ou são meus amantes, ou são meus filhos. Agora tenho quatro belos filhos”, afirma.
AS EMOÇÕES
E debaixo daquele tecto convivem também várias emoções cruzadas, devido às diferenças entre os quatro irmãos e as suas histórias de vida. Reginaldo (Eduardo Moscovis) é um homem frio, calculista, ambicioso, péssimo carácter e um político pouco honesto, que despreza a mulher, porque ela é pobre e não dá jeito a um político ter uma mulher assim.
Leandro (Leonardo Vieira) é o mais calmo dos filhos de Maria do Carmo. Dedicado ao trabalho, é casado com Nalva. Quanto a Viriato (Marcelo Antony) é o mais ‘bonitão’ dos filhos e é um muito desejado ‘maître’ de restaurante. Bom profissional, deixa um rasto de suspiros apaixonados entre as suas clientes. Plínio (Dado Dolabella) é o D. Juan típico, sedutor, preguiçoso, boémio e pouco trabalhador. Para complicar este já de si complexo xadrez familiar, Nalva vai apaixonar-se pelo cunhado Viriato, numa relação proibida, que, obviamente, fará correr muita tinta.
“Vai ser muito difícil, porque Viriato vai sentir muitos problemas de consciência, porque não está certo se envolver com a mulher do irmão”, conta Marcello Antony. Para o actor, que interpretou o galã Sérgio em ‘Mulheres Apaixonadas’, ‘A Senhora do Destino’ “é um novelão, daqueles que prende o espectador do princípio ao fim”.
“É UMA NOVELA COMOVENTE” (AGUINALDO SILVA)
Aos 60 anos, Aguinaldo Silva é um dos maiores vultos da ficção brasileira. Da sua cabeça saíram êxitos como ‘Tieta’, ‘Pedra Sobre Pedra’, ‘Fera Ferida’, ‘A Indomada’, ‘Suave Veneno’ ou ‘Porto dos Milagres’ e, ao fim do primeiro mês de exibição no Brasil,
‘A Senhora do Destino’ está a convencer a exigente crítica brasileira.
O autor não se surpreende. Em declarações à Correio TV, Aguinaldo Silva afirma que “esta é uma novela comovente, que premeia o esforço humano”. “Aqui mostramos como o esforço vale a pena; é a prova de como as pessoas são capazes de reverter situações complexas e dar a volta por cima.”
Depois do drama dos primeiros episódios, “que retratam a vida tal como se passou na década de 60 no Brasil”, o humor e o amor tomam conta das personagens. “Tem muito amor nessa novela, porque essa é uma componente em todos os meus trabalhos.” Aguinaldo Silva sublinhou ainda a qualidade do elenco e da direcção de Wolf Maya, referindo que Maria do Carmo “é uma lutadora”. “Ela se parece com a minha mãe”, disse.
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