A telenovela ‘Podia Acabar o Mundo’, a melhor proposta da nova programação da SIC, perde-se <br/>no meio de demasiados erros de casting. Bons actores e um interessante argumento são as vítimas que não mereciam ser.
O célebre arquitecto americano Frank Lloyd Wright dizia que: 'a televisão é pastilha elástica para os olhos'. Essas palavras reflectiam perfeitamente a essência da televisão de consumo. Oferece-se às pessoas aquilo que elas pretensamente querem ver, mas, como todos os produtos viciantes, de vez em quando tem de se mudar a dose, para que não deixe de ter efeito. As pastilhas elásticas perdem o açúcar ao fim de algum tempo. E então têm de ser substituídas por outras. Esse é o grande problema da SIC neste momento. A TVI sabe, inteligentemente, ir mudando as suas pastilhas elásticas (sobretudo as telenovelas), para que pareça que elas sabem de forma diferente. A RTP conseguiu uma pastilha elástica que anima os portugueses: o futebol. E Nuno Santos, que parecia ter chegado à SIC com uma pasta de novas pastilhas elásticas, está a descobrir que o seu sabor está requentado.
O novo director de Programas do canal de Carnaxide queria lutar pela liderança (compreensível, num canal que vive das audiências, e claro, das receitas de publicidade), e por isso apresentou um menu que julgava destinado ao gosto popular. Desde Herman José num concurso (para entrar no mesmo espaço de Fernando Mendes) a Teresa Guilherme com o inenarrável ‘Momento da Verdade’, e passando pelos Gato Fedorento e por outro momento de duvidosa qualidade (sobretudo moral), que é ‘Rebelde Way’, os tiros foram disparados em todas as direcções. A SIC começou por fazer a festa e agora está a recolher as canas. Até Lucy está a mudar de indumentária, porque a que escolheu era completamente desajustada para a ocasião e para as crianças. Se juntarmos a isso a desastrada política de todos os dias se mudarem os horários dos programas, na típica política de quem quer emboscar o inimigo e acaba emboscado por si próprio, o arraial não poderia deixar de estar montado. Só tenho pena que, no meio disto, a melhor produção desta nova gerência, ‘Podia Acabar o Mundo’ (com um bom argumento e melhores actores) seja a vítima que não merecia tal sorte.
CULTO
SWINGTOWN
Há séries que nos fazem revisitar o passado de uma forma divertida. ‘Swingtown’ é um regresso à década de 70, quando ainda se vivia nos EUA um clima de liberdade sexual. Passada nos subúrbios de uma grande cidade, Chicago, ela olha ironicamente para um tempo que os casais procuravam novas experiências amorosas. Com a notável actriz que é Molly Parker, retrata-nos a mudança da família Miller, com os seus dois filhos, para junto da família Decker. Os Miller rapidamente tornam-se amigos dos Decker e descobrem que estes têm um casamento aberto, o que acaba por os fascinar. O picante da história é travado pelo humor das situações, mas as próprias relações entre os filhos das personagens principais acabam por dar ainda mais cor à série. É um momento de nostalgia e divertimento.
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