Paulo Ferreira é o novo director de informação da RTP.
O jornalista de economia Paulo Ferreira será o novo director de informação da RTP, após aprovação da ERC, anunciou nesta quarta-feira o presidente do conselho de administração da RTP, Alberto da Ponte, à saída de uma reunião com Carlos Magno, presidente do regulador.
Alberto da Ponte informou ainda que "o conselho de administração da RTP entende que não há motivos para abertura de um processo disciplinar" a Nuno Santos, director de Informação, por ter autorizado a PSP a visionar imagens ‘não editadas' dos incidentes de 14 de Novembro frente à Assembleia da República, mas como consequência deste processo e com base no inquérito, decidiu "a exoneração de toda a direcção de informação".
Alberto da Ponte admitiu ainda que todo o processo "configura uma deslealdade" ao conselho de administração, embora considere que não houve uma desconsideração, contudo, reforça que não "foram cumpridas as normas de uma situação de excepção".
Questionado sobre o que é norma, o presidente da RTP explica que "qualquer pessoa pode pedir ao arquivo o uso de imagens mas editadas".
A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai agora "abrir um processo de averiguações, sendo que o inquérito da RTP será tido em conta, mas as nossas investigações vão começar do zero", declarou Carlos Magno.
O presidente do regulador revelou ainda que desde quinta-feira que está a recolher informação, mas só na próxima terça-feira será oficialmente aberto o processo de averiguações.
"Queremos ouvir toda a gente dentro da RTP e também fora. Não vamos excluir ninguém", declarou Magno, acrescentando que, paralelamente, a ERC está a tratar de "matéria teórica sobre a gestão deste tipo de arquivos", deixando claro que a sua "preocupação é como se deve defender o poder editorial".
Carlos Magno recordou um caso semelhante datado de 1995 e que se passou com a TVI, a qual solicitou à então Alta Autoridade para a Comunicação que interviesse perante os pedidos constantes de entidades como a Polícia Judiciária para ter acesso a imagens não editadas pelo canal. "Estamos perante matéria relevante para os media e que deve ser levada a discussão na opinião pública", diz Magno.
Entretanto, a pedido do grupo parlamentar do BE, foi aprovado o requerimento para uma audição a Alberto da Ponte e a Nuno Santos. O presidente da RTP será ouvido na Comissão de Ética na terça-feira às 17h30 e o ex-director de Informação no dia seguinte, às 11h30.
As audições a Luís Marinho, director-geral da RTP em funções interinas na direcção de Informação, e ao ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas não foram aprovados pela maioria.
Antes de estar na RTP, Paulo Ferreira foi subdirector do jornal 'Público' e director adjunto do 'Jornal de Negócios' e do 'Diário Económico'.
Miguel Barroso será o director-adjunto.
Estas escolhas surgem depois da demissão de Nuno Santos e restante equipa, devido à polémica em torno da divulgação de imagens à PSP da manifestação violenta à porta da Assembleia da República.
Até agora Luís Marinho estava a assumir interinamente a função.
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