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Correio da Manhã

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Pedro Granger: O incesto é um tema delicado

Deu a cara pela SIC ao apresentar duas edições de ‘Ídolos’ e agora é uma das estrelas da telenovela da TVI, ‘Dei-te Quase Tudo’. Ao lado da actriz Vera Kolodzig, o actor é um bom rapaz que se apaixona pela mulher errada. O incesto é o tema do momento na ficção nacional e Pedro Granger acredita que a TV pode ter uma função pedagógica nestas matérias.
13 de Janeiro de 2006 às 00:00
'Não me preocupo com a fama. Os meus amigos são os mesmos desde que nasci', assegura Granger
'Não me preocupo com a fama. Os meus amigos são os mesmos desde que nasci', assegura Granger FOTO: Sérgio Lemos
- Está de regresso às novelas, à NBP, à TVI, ao papel de herói romântico. O bom filho à casa torna, ou faltaram outros convites mais aliciantes?
- Não fazia novela há cerca de quatro anos e achei que talvez esta fosse a altura certa. Tinha outras propostas na área da apresentação para outras estações mas decidi que nesta altura do campeonato era tempo de apostar mais na representação.
- O êxito da novela que antecedeu esta relançou a ficção nacional e conquistou números surpreendentes. Em que medida isso influencia a decisão de integrar ou não o elenco de um produto destes? As audiências contam?
- O meu trabalho é representar, apresentar, escrever... Se o trabalho que faço é muito visto tanto melhor, claro, mas como é óbvio não condiciono a minha vida, nem aceito ou recuso trabalhos em função de probabilidades de audiências mas sim pela importância que determinado trabalho vai ter para mim pessoal e profissionalmente em dado momento.
- Num momento em que se assiste a uma verdadeira ‘guerra’ entre estações de TV para conseguir os melhores actores para as suas ‘fileiras’, o Pedro troca a SIC pela TVI. Está consciente que, de certa forma, deixou de ser independente e alinhou ‘oficialmente’ pela TVI?
- Eu não troquei ninguém por ninguém, nem deixei de ser independente. Continuo a sê-lo. Gostei muito de fazer os trabalhos que fiz para a SIC mas nunca fui e não sou exclusivo de nenhum canal e o mesmo se passa agora. Estou a adorar fazer este trabalho na TVI e também gosto muito das pessoas desta casa, mas o futuro a Deus pertence. Não sei se o próximo projecto será na RTP, na SIC, na TVI ou no canal de Freixo de Espada à Cinta. Para já, nem só de televisão vive o homem e depois o que importa é sem dúvida a qualidade dos projectos, sejam eles onde forem.
- Como ficaram as suas relações com a SIC?
- São óptimas. Admiro o trabalho que o [Francisco] Penim fez nos canais do cabo e estou expectante para ver o resultado deste novo desafio. Sou muito amigo da Teresa [Guilherme] que é uma super- profissional mas agora estou a fazer este trabalho na TVI e estou a adorar. A NBP foi a casa onde nasci, gosto imenso do José Eduardo Moniz e está tudo a correr bem. Uma pessoa pode dar-se bem com várias pessoas ao mesmo tempo.
- Na novela anterior da TVI discutiu-se a homossexualidade de duas personagens. Nesta, o incesto é um dos temas em destaque. A ficção nacional parece ter descoberto um novo filão: levantar questões controversas para atrair mais público. Acha que as novelas serão os espaços mais adequados para discutir esses temas?
- A televisão – e não só as novelas em particular – deve e pode funcionar como educadora e a verdade é que funciona, se bem que por vezes deseduca mais do que educa...
- Como é que o actor Pedro Granger lida com a questão do incesto?
- Só se fosse completamente louco é que diria que é uma questão indiferente e normalíssima. Claro que o incesto é um tema delicado...
- Como vai evoluir o tema na novela?
- Ainda ninguém sabe se o Rodrigo e a Joana são irmãos ou não. A equipa criativa tem várias soluções previstas pelo que está tudo em aberto. Já recebi os guiões até ao 60.º episódio e até à data não sei se o Rodrigo é mesmo irmão da Joana.
- Segue a novela?
- Quando posso vejo, senão gravo. Vi atentamente a primeira semana e acho que o primeiro episódio é um momento importante em termos de ficção nacional. Marcou pela diferença em termos técnicos, narrativos e no cuidado com que foi feito. Estou a gostar muito de ‘Dei-te Quase Tudo’. Foi bom voltar à NBP e à TVI.
- A sua última novela foi ‘O Jogo’, na SIC. Que diferenças encontra entre essa e a actual?
- São novelas muito diferentes, feitas em canais diferentes e por produtoras diferentes, cada uma delas com os seus pontos mais fortes e os pontos mais fracos. Não são dois projectos comparáveis.
- Em termos de apresentação, ficou pela experiência de ‘Ídolos’ ou será uma vertente ainda para explorar noutras ocasiões?
- Eu descobri que adoro apresentar. A seguir a ‘Ídolos’ tenho tido a oportunidade de apresentar várias coisas, umas em televisão outras nem por isso (em galas, convenções, espectáculos e congressos) e espero continuar a fazê-lo. Mas uma coisa é certa: tenho muitas saudades da família do ‘Ídolos’ e da minha Alberta.
- Como viveu as críticas feitas aos formatos desse género que sublinhavam a ideia que só pretendiam lançar valores num mercado sem capacidade para os absorver? A verdade é que a maior parte dos concorrentes desapareceu.
- Isso não é verdade. O Nuno Norte está lançadíssimo com a Filarmónica do Gil que está a ser um sucesso, a Raquel também, o Sérgio está a preparar o seu disco, a Luciana, o André, e muitos outros viram as portas abrirem-se e estão a começar a fazer o seu percurso.
- Em que pé está a formação que adquiriu nos Estados Unidos? Já concluiu o curso? O que lhe trouxe de bom para o seu trabalho?
- Estudei representação e escrita criativa mas pretendo continuar a apostar na formação, que é essencial. Para o meu trabalho trouxe novas ideias, técnicas, abordagens, experiências, exemplos, referências. E podíamos ficar aqui a tarde toda à conversa...
- Já referiu que a política representa uma missão para si. Isso significa que pondera a possibilidade de encará-la também como ocupação principal?
- Isso não é bem assim. O que disse foi que admiro quem encara a política com sentido de missão e que me revejo nessa atitude. Nunca disse que a minha missão era a política. Disse também que um dia se sentisse que era necessário e que podia dar um contributo importante, então sim, mas só nesse caso.
- Quem são as suas referências nacionais e internacionais em termos políticos?
- Aristóteles, Sá Carneiro, Churchill, Cavaco Silva, Bill Clinton, Adriano Moreira, Jacques Delors, Thomas Jefferson, John F. Kennedy, Tony Blair, S. Tomás de Aquino.
- Apoia a campanha de Cavaco Silva. O que traz de novo essa candidatura a Belém?
- Cavaco Silva é sem dúvida alguma das pessoas que mais fez pelo nosso País. Acredito que é a pessoa certa para nosso presidente.
- A música é uma constante na sua vida. Há planos neste domínio ou o momento é de investir na representação?
- Representação, apresentação e escrita são as minhas prioridades neste momento.
- É sempre muito reservado no que se relaciona com a sua vida privada. Não acha que o público que o aplaude na TV tem o direito de querer saber quem é a sua namorada?
- Não é uma questão do público ter direito ou não, mas sim de eu achar que tenho o direito de ter a minha vida, a minha namorada, a minha família e não querer expor pessoas que nada têm a ver com esse mundo. Já expomos tanto que tudo o que podemos guardar para nós é sagrado.
- As gravações da novela devem durar até Abril mas pode acontecer um prolongamento, à semelhança das anteriores. Está preparado para isso? O ritmo intenso de ‘Ninguém como Tu’ deu muito que falar.
- Se há prolongamento é porque está a dar resultado, o que é bom, mas o que está estabelecido é que em circunstância alguma ultrapassará os 180 episódios.
- O que pretende fazer quando acabar as gravações? Já tem novos convites?
- Tenho um projecto a arrancar em Junho.
O CONTRAPONTO
A CARREIRA
“Não gosto da palavra carreira. Estou a fazer um caminho que começou há oito anos e dou graças a Deus por, ao longo deste percurso, ter tido óptimas oportunidades”.
MULTIFACETADO
“Adoro representar, mas há dois anos descobri o mundo da apresentação. Gosto de representar, de apresentar, de escrever e de tocar. Gosto de direito e de política”.
O PERCURSO DE PEDRO GRANGER
Estreou-se na novela ‘A Lenda da Garça’ (na foto), a que se seguiu ‘Médico de Família’, ‘Ajuste de Contas’, ‘Jardins Proibidos’, ‘O Bairro da Fonte’, ‘Segredo de Justiça’, ‘Super Pai’ e ‘O Jogo’.
Ao lado de Sílvia Alberto, apresentou duas edições de ‘Ídolos’ (SIC) e várias galas. Reconhece que a “Sílvia é, sem dúvida, uma das maiores figuras do panorama audiovisual nacional.”
PERFIL
Idade: 26 anos
Profissão: actor
Canal: SIC/TVI
Hobbies: Música. Toca guitarra desde os seis anos
‘DEI-TE QUASE TUDO’: A NOVELA MAIS VISTA (40,9% de share na estreia)
Em ‘Dei-te Quase Tudo’, que estreou a 4 de Dezembro na TVI, Pedro Granger assume o papel de Rodrigo, um jovem estudante do Porto que se apaixona por Joana (papel interpretado por Vera Kolodzig). Os dois encontram-se na Universidade de Aveiro e entre eles nasce um romance que encontra resistência junto das respectivas famílias.
Escrita por Tozé Martinho, a história deste jovem casal aborda o tema do incesto, já que o enredo leva a crer que os dois sejam filhos de Carlos (Luís Esparteiro). No entanto, a Correio TV sabe que esse não vai ser o veredicto final para estas duas personagens.
Recorde-se que o tema do incesto já foi tratado na literatura portuguesa, nomeadamente em ‘Os Maias’, e nas respectivas adaptações televisivas.
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