Trinta e um anos depois, a casa Yves Saint Laurent (YSL) reincide na publicidade-choque para lançar a sua última criação, o perfume ‘M7’. Só que, desta vez, a campanha, que arranca no próximo dia 24, não esconde um centímetro que seja do modelo escolhido para dar corpo à nova fragrância.
Um nu frontal que, apesar de ter versões integrais para certas revistas e em certos países, que não em Portugal, não deixa de ser alvo de ruidosa polémica.
A casa Saint Laurent não é virgem no assunto: no início da década de 70, mais exactamente em 1971, o próprio Yves deu corpo à campanha de lançamento do seu primeiro perfume. A fotografia, da autoria de Jean-Loup Sieff, mostrava o criador nu mas, para não ferir sensibilidades, sem mostrar o sexo.
Mas a pose de Samuel de Cubber, o modelo agora utilizado, antigo campeão de artes marciais, tem gerado mais ódios que paixões. Mesmo que o autor da campanha insista que o efeito de choque da imagem não é maior do que aquele causado por um ‘púdico’ Saint Laurent de pernas cruzadas. Para Tom Ford, o criativo da casa YSL, “o efeito das duas imagens é idêntico. Se a foto de Saint Laurent já não choca era preciso encontrar outra forma de ‘sacudir’ o público. Foi esta”.
Apesar da polémica, certo é que a versão ‘hard’ - a campanha publicitária do ‘M7’ dispõe de uma versão ‘soft’ que termina no umbigo de Cubber - apenas tem lugar cativo, para já, na Vogue francesa. Por isso, o anúncio polémico dificilmente surgirá em páginas inteiras de jornais ou revistas. A versão ‘soft’ será, aliás, a que irá circular em Portugal, isto de acordo com o que o Correio da Manhã apurou junto do representante da YSL no nosso país. Se Portugal optar pelo nu frontal, tratar-se-á de uma estreia do género, quer no caso feminino, quer no masculino.
Embora a escolha não tenha partido do próprio distribuidor, o CM sabe que houve publicações interessadas no anúncio na sua versão ‘hard’. Só que as exigências do criador ao nível da informação detalhada de cada um dos meios acabaram por comprometer a sua publicação que, mesmo antes de ser exibido, gerou polémica em França. Tal como sucede em Portugal, os autores da campanha deixaram aos responsáveis das publicações a opção pela imagem que pretendem utilizar. Até ao momento, e de acordo com as informações disponíveis, apenas a Vogue France irá publicar a versão original.
Além do anúncio de 1971, a YSL produziu dois outros igualmente polémicos, o primeiro no lançamento do perfume ‘Nu’ - com dois corpos nus entrelaçados - e numa das campanhas para o ‘Opium’ em que a modelo Sophie Dahl aparecia numa pose considerada demasiado lasciva. Refira-se que este é o segundo caso polémico com uma campanha de perfumes já que, no passado dia 12, a Dior foi alvo de protestos semelhantes pela imagem escolhida para o lançamento do ‘Addict’ em que uma modelo surgia com o perfume a sair do seu reduzido biquini. Também há pouco tempo, um anúncio de jeans da Calvin Klein mostrando dois jovens dentro do elevador, ela com a mão dentro das calças dele, gerou enorme celeuma.
Lei da publicidade nada diz
A não ser, como foi referido, o facto de ter sido impossível obter em tempo útil uma resposta do autor da campanha, nada impediria que em Portugal o anúncio na sua versão ‘hard’ fosse publicado nos órgãos de comunicação, isto de acordo com o articulado do Código da Publicidade que, em nenhum ponto do seu articulado do diploma limita ou impede a utilização de imagens de nu integral e frontal.
Sobre uma eventual tomada de medidas por parte das entidades a quem cumpre fazer cumprir as normas em vigor - habitualmente esta missão está a cargo do Intituto do Consumidor e, em casos pontuais, à Alta Autoridade para a Comunicação Social - uma fonte da AACS contactada pelo Correio da Manhã referiu que, habitualmente, este tipo de casos são raros e, quando surgem, não merecem grande impacto junto da opinião pública.
Quanto aos publicitários contactados pelo nosso jornal, este tipo de campanhas não são habituais no nosso país e, “tal como parece ser o caso da campanha da YSL, há sempre uma versão menos ‘pesada’ que recolhe a preferência dos meios e do próprio anunciante”.
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