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Políticos intrometem-se na Imprensa regional

Alguns jornais regionais do distrito de Vila Real têm sido alvo de tentativas de intromissão ao seu normal funcionamento por parte de políticos. Fotos com e sem gravata, alterações do ‘lead’, revisão de entrevista e pedidos para caricaturar outras candidaturas são alguns exemplos. “E a procissão ainda vai no adro”, desabafou um articulista regional.

01 de julho de 2005 às 00:00

Primeiro, foi Ascenso Simões, secretário de Estado da Administração Interna, que exigiu rectificar uma entrevista concedida ao semanário ‘Notícias de Vila Real’. Depois, veio o caso de Manuel Martins, edil vila-realense, que mandou reimprimir um folheto de um clube de motociclismo só porque na foto impressa aparecia sem gravata. Mais recentemente foi a vez do director do ‘Negócios de Valpaços’ ser ‘chamado à pedra’ por um alegado apoiante de Manuel Martins, que o questionava sobre a razão de dar cobertura à campanha de Artur Vaz, candidato socialista à Câmara de Vila Real.

O secretário de Estado da Administração Interna, na entrevista que concedeu ao citado semanário transmontano corrigiu toda a entrevista e alterou por completo o ‘lead’, porque não terá gostado da forma como o director falava do seu percurso político.

Na impressão que não chegou a sair para as bancas, Caseiro Marques, director da publicação, escreveu que “Ascenso Simões subiu a pulso todo o seu trajecto político: foi funcionário do partido, assessor da edilidade de Santa Marta de Penaguião, vereador em Vila Real, deputado e agora membro do Governo”. Na correcção, o currículo do governante só engloba dados a partir da altura em que chega a deputado.

No folheto do clube de motociclismo, as pressões sobre Costa Paulo, responsável pela edição, resultaram do facto de “entenderem que a colocação daquela foto denegria a imagem do sr. presidente. Nunca foi essa a nossa intenção”, garante o organizador das corridas.

Hermano Machado, assessor de Manuel Martins, desvaloriza a situação, afirmando que foi ele próprio, do seu bolso, que suportou os encargos com a impressão da segunda edição em que o autarca já aparece de gravata.

Pires Brás, director do ‘Negócios de Valpaços’, não gostou de ser questionado sobre a linha editorial do seu jornal, “porque aquilo que queriam obrigar-me a fazer era a mesma coisa por que me estavam a questionar. Não gostei da forma como caracterizaram Artur Vaz – ‘Um homem de bigode, com fisionomia de cidadão turco’. A política está a bater no fundo, mas, no meu jornal, mando eu e, por isso, ninguém muda o rumo da linha traçada há décadas”, explicou.

Ao CM, Alfredo Maia, presidente do Sindicato de Jornalistas, disse que o organismo soube do ‘caso Ascenso Simões’ – “episódico”, mas “lamentável” – pelos dos jornais, acrescentando desconhecer outros casos.

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