As gravações da nova série de época da RTP 1, ‘Depois do Adeus’, correm a todo o vapor e nos próximos três meses a primeira temporada, com 26 episódios, deverá ficar concluída, para estrear em Setembro. As comparações com ‘Conta-me Como Foi’ (série que a televisão pública exibiu entre 2007 e 2011) são inevitáveis, apesar de grande parte da equipa técnica e o elenco serem diferentes.
Mas, acima de tudo, os responsáveis pela nova produção prometem um produto com "uma história mais densa e intensa, com uma riqueza dramática muito forte". A ‘Correio TV’ foi conhecer os bastidores da série, produzida pela SP Televisão, e falou com argumentistas, caracterizadores, figurinistas, decoradores e realizadores sobre o desafio de fazer uma série que aborda os conturbados anos do pós-25 de Abril.
‘Depois do Adeus’, título derivado da canção de Paulo de Carvalho que serviu de senha para a Revolução dos Cravos, tem início um ano e meio depois dos últimos acontecimentos de ‘Conta-me Como Foi’. Estamos em Julho de 1975, o chamado ‘Verão Quente’, período marcado por crescentes tensões entre grupos políticos de esquerda e direita, mas também pela chegada de muitos portugueses ao País vindos das colónias em África. "O nosso trabalho consistiu em fazer pesquisa e em perceber o que é que queríamos contar. A nossa opção foi acompanhar a história de uma família que chega à metrópole [Lisboa] vinda de Angola.
Tivemos também de perceber os acontecimentos históricos pelos quais queríamos passar", conta Patrícia Sequeira, responsável pelo projecto. Assim, ‘Depois do Adeus’ fará um retrato da família Mendonça, desde o dia em que ‘retorna’ a um país que é o seu, mas no qual se sente estrangeira, até ao período de adaptação a uma nova realidade. No fundo, o mesmo processo pelo qual passava Portugal na altura, procurando deixar para trás o período do Estado Novo e perspectivando uma ideia de futuro. "Numa primeira fase, o nosso trabalho foi fazer uma espécie de grelha onde do episódio 1 ao 26 há uma cronologia e nós vamos fazer as nossas personagens andarem por estes acontecimentos e, de alguma maneira, terem ligação com esses eventos históricos", acrescenta Patrícia Sequeira que, juntamente com Sérgio Graciano, é também a realizadora da série.
Cada episódio de ‘Depois do Adeus’ vai começar por mostrar um acontecimento relevante da época. Para isso serão usadas imagens do arquivo da RTP, assim como fotografias enviadas por telespectadores que responderam ao apelo para colaborarem com o seu próprio arquivo pessoal, ou recolhidas nos jornais da época. "Este é um período da história que não é muito falado. Fala--se muito da ditadura e do 25 de Abril, mas depois fica-se por aí. Mas 1975 é um ano muito rico, em que aconteceram muitas coisas", afirma Inês Gomes, responsável pela equipa de guionistas da série. "Havia uma efervescência política na altura que, para quem está de fora, é difícil de compreender e talvez por isso não se fale muito", conclui. Neste cenário torna-se fundamental o papel de Helena Matos, reconhecida historiadora, que já antes tinha colaborado em ‘Conta-me Como Foi’, e aceitou ser mais uma vez ‘consultora histórica’ de uma série de televisão. "O meu papel é dar dados cronológicos e históricos, e aqui podemos incluir coisas que podem ir desde a sequência do golpe de 25 de Novembro aos horários dos supermercados, o boletim de vacinas... ou seja, coisas do puro quotidiano à cronologia política", diz a historiadora.
Aquando da apresentação à imprensa de ‘Depois do Adeus’, em Março, Hugo Andrade, director de programas da RTP, revelou à ‘Correio TV’ que a nova série teria "um investimento 15% a 20% inferior a ‘Conta-me Como Foi’". As restrições orçamentais não impedem, no entanto, os responsáveis da série de apostar em cenas que evoquem grandes acontecimentos. "Vamos, por exemplo, recriar uma manifestação com militares em Monsanto que terá 300 figurantes, com tanques e armas. Temos também cenas num aeroporto, todo construído num armazém a partir das imagens de arquivo e a ida ao cais dos contentores", revela Nuno Marvão, director de produção. Outro dos desafios à produção é o curto espaço de tempo para gravar a série. Ainda assim, Nuno Marvão afirma que em ‘Depois do Adeus’ "não se fazem tantas cenas por dia como noutras séries, porque estas puxam muito pelos actores e porque há uma série de pormenores de guarda-roupa e decoração que demoram tempo a resolver".
Ao todo, a SP Televisão, produtora responsável pelo projecto, tem uma equipa de cerca de 100 pessoas a trabalhar em ‘Depois do Adeus’. À frente das câmaras estarão actores como José Carlos Garcia e Ana Nave (o casal protagonista), Catarina Wallenstein, Joana de Verona, Ana Padrão, Diogo Infante, António Cordeiro, João Reis, Mafalda Vilhena, Fátima Belo, Sara Salgado, António Capelo e Cucha Carvalheiro, entre outros. Questionada pela ‘Correio TV’ sobre o desejo de fazer uma segunda temporada, Patrícia Sequeira, coordenadora do projecto, é peremptória: "Gostava. Temos um elenco fortíssimo e não vamos conseguir aprofundar todas as histórias. Uma segunda temporada permitir-nos-ia dar atenção a outros núcleos interessantíssimos que ficarão mais esquecidos na primeira temporada".
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