A pouco e pouco, afastou-se do grande público. A sua paixão é agora a escrita, e o objectivo, crescer interiormente. As ideias da intérprete da Marquesa de Alorna sobre o amor são desafiadoras.
Durante anos, Sofia Sá da Bandeira foi uma presença assídua nos nossos ecrãs. Quando é que vamos poder vê-la novamente numa telenovela?
Não é o tipo de trabalho que me interesse, pois é demasiado superficial. Fiz muitas e aprendi o que tive de aprender com elas. Prefiro dedicar-me a outros projectos.
Tem consciência das consequências dessa decisão?
Mesmo nesta profissão, que dizem ser tão arriscada, devemos ter a coragem de rejeitar os trabalhos que pouco ou nada acrescentam à nossa aprendizagem profissional. Podem trazer dinheiro e popularidade, mas não nos enriquecem interiormente.
A sua maneira de estar na vida não tem nada a ver com o mundo de aparências e de consumismo em que vivemos.
Somos almas de passagem neste mundo e a vida passa muito rapidamente. Não quero desperdiçar o meu tempo a preocupar-me com coisas supérfluas. Prefiro dar menos valor aos bens materiais e preocupar-me mais com o lado emocional, com o amor pelos outros e pela vida.
Em que é que gasta o dinheiro?
Em livros. Consumo muito pouco. Compro roupa só quando preciso e odeio centros comerciais. Esta liberdade faz-me sentir bem emocionalmente. Sinto um prazer enorme em, simplesmente, viver. Com toda a intensidade. É claro que também dou valor ao dinheiro, mas não o utilizo para preencher vazios emocionais.
E a escrita?
É uma faceta que só descobri recentemente e agora não posso viver sem ela.
Escreve sobre o quê?
Sobre a intimidade das pessoas. Ou melhor, sobre a falta dela. As pessoas usam-se umas às outras para preencher vazios. Julgam que a fonte da felicidade reside noutro ser humano. É como se cobrássemos aos outros o nosso direito de sermos felizes. Confundimos a dependência com o amor.
Mas acredita no amor?
Sim, mas acho que é precisa muita maturidade para que uma relação dê certo. O amor acontece entre dois seres autónomos. O que acontece é que as pessoas têm tanto medo de ficarem sozinhas que se acomodam às situações mais incríveis.
CONTRA A CÓPIA
Actualmente, Sofia Sá da Bandeira pode ser vista em vários filmes franceses, o último dos quais intitula-se “Noir Destin”, de Patrick Dewolf. Em Portugal, participa em “O Processo dos Távoras”, uma série gravada há mais de um ano, que a RTP1 está agora a exibir, na qual interpreta o papel da Marquesa de Alorna, D. Maria.
“Adoro trabalhos de época, sobretudo se forem escritos por Moita Flores. Acho que ele dá uma oportunidade às personagens para se desenvolverem ao longo da história”, afirma a actriz, cujo trabalho televisivo anterior foi a série “O Crime” (RTP).
“Não há nada como apostar na ficção nacional, desde que os argumentos não sejam estrangeiros. Parece que agora é moda copiar formatos estrangeiros quando temos escritores tão bons.”
RTP 1 / Terça-feira / 22h00
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