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Correio da Manhã

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Trabalhadores da Plural Entertainment iniciam greve parcial na terça-feira

Atriz Ana Sofia Martins, que tem trabalhado em várias produções da Plural, criticou as condições de trabalho da empresa.
Lusa 3 de Dezembro de 2018 às 16:05
Media Capital detém a TVI, a produtora Plural Entertainment, a rádio Comercial e os sites IOL, entre outros meios
Plural Entertainment
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Plural Entertainment

Os trabalhadores da empresa de criação de conteúdos televisivos Plural Entertainment (GPE), que integra o Grupo Media Capital, vão iniciar uma greve parcial na terça-feira, que dura até 10 de dezembro, em reivindicação por melhores condições de trabalho.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Espetáculo, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE), num comunicado divulgado no seu 'site', "estes trabalhadores não estão a ser valorizados nem respeitados naquilo que são os seus direitos laborais e decidiram, por isso, iniciar um período de greve entre os dias 04 e 10 de dezembro".

Uma das reivindicações dos trabalhadores, refere o CENA-STE, "é a redução do Período Normal de Trabalho (PNT), que atualmente atinge as 11 horas de trabalho, durante a maioria dos dias da semana, do mês e do ano".

"Estes horários de trabalho são justificados pela empresa com o pagamento de um subsídio de Isenção de Horário de Trabalho [IHT], na modalidade que vulgarmente se identifica como IHT total. Ou seja, entende a empresa que a única coisa a respeitar são as 11 horas de descanso entre dois dias de trabalho - o que ainda assim nem sempre é cumprido, porque por vezes se passam as 11 horas de trabalho diário no período das gravações, e, para além disso, existem as deslocações e o trabalho de muitos trabalhadores que não termina com o fim do dia de gravações", lê-se no comunicado.

Por isso, "esta greve assume a forma de greve às horas que excedam as oito horas de trabalho em cada um dos turnos e equipas", isto "porque a estes trabalhadores não pode ser aplicado este tipo de IHT, porque as suas funções não requerem disponibilidade total para a empresa e porque o seu PNT devem ser as 8 horas diárias".

Aquela estrutura sindical recorda que "o Grupo Plural Entertainment (GPE), que integra o Grupo Media Capital (GMC), é um dos maiores produtores de conteúdos televisivos em Portugal" e que "as suas produções são feitas por trabalhadores especializados, com diferentes tipos de formação académica, profissional e, em muitos casos, já com vários anos de experiência na sua função".

De acordo com André Albuquerque, do CENA-STE, o Grupo Plural Entertainment integra "cerca de 130 trabalhadores nos quadros, aos quais acrescem os que são contratados por projeto e os que trabalham a recibos verdes". "Há dias em que chegam a ser 400 trabalhadores", afirmou.

Referindo que neste momento estão em curso duas produções, André Albuquerque explicou que esta greve abrange todos os trabalhadores, entre técnicos, atores, pessoal da pré e da pós-produção, cabeleireiros e maquilhadores.

A greve foi marcada "depois de, mais uma vez, a empresa ter falhado o prazo de entrega formal de uma proposta que fosse ao encontro das reivindicações apresentadas".

"Apesar de os trabalhadores e o CENA-STE terem comunicado que se mantêm disponíveis para negociar de modo a inclusivamente cancelar esta greve, optaram o Grupo Media Capital e o Grupo Plural Entertainment por declinar a reunião que estava agendada para o passado 27 de novembro", refere o comunicado.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do Grupo Media Capital confirmou a receção de um pré-aviso de greve. De acordo com a diretora de comunicação do Grupo Media Capital, "as partes têm estado em conversações".

Recentemente, a atriz Ana Sofia Martins, que tem trabalhado em várias produções da Plural, criticou as condições de trabalho da empresa.

Numa publicação partilhada nas redes sociais na sequência da distinção da telenovela "Ouro Verde" com um Emmy Internacional de Melhor Telenovela a atriz escreveu: "Ganhámos um Emmy! Que sensação boa termos o nosso trabalho reconhecido. Quando digo nosso, não é só o das pessoas que aparecem na TV... Até porque sem os técnicos não somos absolutamente nada. Técnicos esses que são explorados a nível salarial e psicológico. Que trabalham 12 horas por dia, a contratos temporários, ou a recibos, sem segurança."

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