Cerca de 60 pessoas concentraram-se esta segunda-feira ao início da noite em frente à residência oficial do primeiro-ministro, no Palácio de São Bento, para protestarem contra a privatização da RTP.
Com velas acesas e atrás da barreira policial, não houve palavras de ordem, mas a tentativa de profissionais da televisão e rádio pública de manterem a pressão para travar a intenção de privatizar.
Camilo Azevedo, da Comissão de Trabalhadores, justificou a pouca adesão dentro do universo total dos trabalhadores com a hora, coincidente com a emissão do Telejornal, que ocupa muitos profissionais.
Além disso, referiu, a "catarse nacional" das manifestações de sábado significou "um alívio" para muitas pessoas, o que poderá justificar alguma desmobilização.
"Sentem que lhes saiu um peso de cima. Só que o peso, que é o Governo, ainda não percebeu que tem que sair de cima", ilustrou.
O deputado comunista Bruno Dias, que esteve na vigília, afirmou à agência Lusa que a pressão dos trabalhadores e de todas as pessoas que acreditam no serviço público pode "vencer a estratégia" da privatização, salientando que tem que ser continuada: "Isto não se resolve num dia ou numa semana".
A deputada do Bloco de Esquerda Catarina Martins afirmou que é preciso ser "exigente" com a RTP, mas contestou a vontade do Governo, que quer "fazer um 'bypass' à democracia", privatizando o serviço público sem "qualquer fundamento técnico" e indo "contra a lei".
Além de trabalhadores da televisão e da rádio, marcaram presença trabalhadores de outras empresas da esfera pública, como a agência Lusa e a Carris.
As vigílias dos trabalhadores da RTP decididas para Lisboa e para no Monte da Virgem, no Porto, foram propostas por sete dos 11 sindicatos com filiados na estação pública de televisão - entre os quais o Sindicato dos Jornalistas - e aprovadas por unanimidade em plenário de trabalhadores da empresa no dia 12 de Setembro.
Em causa está um protesto contra o empenhamento do Governo em "desmembrar/privatizar a RTP, com as inevitáveis consequências daí decorrentes - destruição de postos de trabalho e liquidação do serviço público de rádio e de televisão", de acordo com uma moção aprovada pelos trabalhadores.
A determinação do Governo foi reiterada na passada na quinta-feira, 13 de Setembro, pelo primeiro-ministro em entrevista à RTP.
Pedro Passos Coelho afastou então a hipótese de concessão da estação pública a um grupo estrangeiro, garantindo que uma decisão sobre um de seis modelos em estudo seria tomada "em breve".
"Em causa está a nossa luta contra a privatização e nós exigimos conhecer os planos que o Governo está a analisar", afirmou Camilo Azevedo.
O mais recente foco de protesto na empresa prende-se, por outro lado, com a nova administração. "Está a começar mal. Não só já lhe foi marcada falta de comparência, porque era esperada na sexta-feira passada e ainda não passou o portão da Av. Marechal Gomes da Costa - ainda cá está Guilherme Costa -, como um dos seus vogais pediu o regime de excepção [previsto no Estatuto do Gestor Público]", acrescentou o representante dos trabalhadores da RTP.
O CM noticiou no sábado que José Lopes de Araújo, nomeado vogal do novo conselho de administração liderado por Alberto da Ponte, pretende manter o seu salário de origem e pediu para o efeito - alegadamente a expensas da própria RTP - um parecer jurídico à sociedade de advogados Sérvulo & Associados, que lhe dá razão.
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