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Vencedora do Nobel da Física não tinha página da Wikipedia por não ser famosa o suficiente

Site recusou publicar um perfil de Donna Strickland em maio e só depois do prémio criou uma página sobre ela.

04 de outubro de 2018 às 10:24

Donna Strickland tornou-se esta terça-feira na terceira mulher na história a ganhar o Prémio Nobel da Física. A Academia Sueca distinguiu o trabalho que desenvolveu na investigação de raios laser, permitindo avanços consideráveis na medicina, entre outras áreas.

Mas, até uma hora depois da cerimónia de Estocolmo, a cientista que já presidiu à Optical Society (instituição americana que reúne cientistas de topo que investigam no campo da luz) pura e simplesmente não tinha uma página própria da Wikipedia, a "enciclopédia livre" da Internet.

Não foi por falta de tentativas. Desde 2014 que há um esboço de biografia de Donna Strickland, cuja publicação foi recusada. O utilizador que tentou publicar o perfil de Donna em março deste ano viu o seu pedido ser-lhe negado por um dos moderadores da Wikipedia. "As referências da submissão não mostram que o assunto seja qualificado para um artigo na Wikipedia", foi a justificação apresentada. Strickland é professora da prestigiada universidade canadiana de Waterloo, mas tal não foi considerado relevante.

Curiosamente, existiam referências a Donna Strickland na Wikipedia, mas na página do físico Gérard Mourou, o seu orientador de doutoramento e o cientista com quem inventou uma forma de criar impulsos laser da alta intensidade. Morou acabou por receber, com Donna, o Nobel da Física de 2018. O cientista francês tem página na Wikipedia desde 2005.

O caso vem acicatar uma polémica antiga. Há muito que a Wikipedia é acusada de menorizar o papel das mulheres, não só na ciência como na história em geral. O que se percebe quando se constata que apenas 17% dos perfis publicados são de mulheres e também porque a esmagadora maioria dos moderadores que validam os artigos da Wikipedia são homens.

Quanto a Strickland, a primeira mulher a ganhar o Nobel da Física desde Maria Goeppert-Mayer, em 1963 (e a terceira de sempre, se incluirmos Marie Curie, em 1903) aproveitou a distinção para encorajar as jovens a fazerem carreira na ciência.

"Se alguém pensa uma coisa diferente daquilo em que acreditas, pensa que és tu que estás certa e eles errados e segue em frente. Foi assim que eu sempre pensei", disse a cientista a uma jovem em início de carreira na conferência de imprensa após ganhar o prémio.

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