Helena Sacadura Cabral recorda morte do filho e não esconde "mágoa" que a impediu de fazer o luto durante anos
A escritora recorda o "pior dia" de sua vida, quando perdeu Miguel Portas para o cancro do pulmão.
Helena Sacadura Cabral recordou o "pior dia" da sua vida, o 24 de abril de 2012, quando Miguel Portas morreu nos seus "braços" depois de uma batalha contra o cancro de pulmão.
"Tinha 54 anos e não mentirei se disser que desde os 12 anos foram quase exclusivamente dedicados à política. Não foram fáceis esses anos de 'esquerda', em que os estudos ficavam sempre em segundo lugar, relativamente às obrigações escolares e ao que eu considerava ser importante, ele adquirir do ponto de vista cultural", disse a escritora no Instagram.
"Durante todos estes anos não houve dia em que me não lembrasse dele, pese embora, só o tivesse conseguido chorar verdadeiramente anos depois da sua morte. O que se explica, penso, porque o seu partido político se 'apossou', verdadeiramente, da sua morte. O último pedido que me dirigiu foi que eu não virasse 'mãe chorosa' e que, pelo contrário, andasse para a frente com a minha vida. Foi o que fiz e continuo a fazer!", declarou.
"Mas, confesso, não consigo apagar a mágoa que me causou a falta de privacidade que envolveu o seu desaparecimento. É que, para toda a gente, a morte constitui o ato mais privado de uma família", lamentou Helena Sacadura Cabral.
"Apesar disso reconheço que foi feliz por ter vivido a vida que quis, como quis e com quem quis. Por muito que me tenham doído algumas escolhas que fez, o meu coração vive apaziguado pela sua felicidade, o meu bem mais precioso!", finalizou.
Quando morreu, Miguel Portas cumpria o seu segundo mandato como eurodeputado eleito pelo Bloco de Esquerda.
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