"Pedi-lhe para parar, mas fui ignorada". O relato chocante de Joana Sequeira ao denunciar violência obstétrica
A radialista e influenciadora conta o que se passou na maternidade e os apelos que fez à médica.
A radialista Joana Sequeira, de 33 anos, voltou a falar sobre a experiência no nascimento do filho, Simão, a 2 de outubro, descrevendo situações dolorosas em que uma médica terá agido sem o seu consentimento.
A radialista da Mega Hits e influenciadora revelou no início desta semana ter sido vítima de violência obstétrica, o que levou vários dos seus fãs a falarem de experiências semelhantes. Numa sessão de perguntas nas stories do Instagram esta quinta-feira, 22, Joana Sequeira contou o que aconteceu.
"Podes falar mais sobre a tua experiência de parto?", questionou um seguidor. "Estive dois dias em trabalho de parto induzido. Durante esse período, uma médica fez-me um toque vaginal enquanto eu estava com contrações, magoou-me como nunca outra médica/enfermeira me tinha magoado (e eu já andava a fazer toques desde as 36 semanas). Pedi-lhe para parar, mas fui ignorada", contou.
"Logo de seguida, rompeu-me a bolsa sem me explicar o que ia fazer, porquê ou pedir o meu consentimento, sem nunca ter em consideração a dor que estava a sentir", disse Joana Sequeira.
De acordo com a Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e no Parto, o exame vaginal conhecido como "toque" pode ser considerado violência obstétrica num contexto de desconforto ou dor.
Após o procedimento, "o trabalho de parto continuou", mas sem nunca chegar à "dilatação completa". "Quase 18 horas depois de me terem rompido a bolsa, já com indicios de mecónio [a primeira evacuação do bebé, que constitui um risco de aspiração pelos pulmões], acabei numa cesariana de urgência", disse.
A experiência durante a cirurgia abdominal também foi difícil para a radialista: "Durante a cesariana, o Simão estava tão encaixado que, ao retirá-lo, o meu útero acabou por rasgar e teve de ser reparado durante a cirurgia e acabei por perder muito sangue. Mas pode acontecer, infelizmente".
Apesar do episódio com a médica, Joana Sequeira destaca o trabalho e apoio dos enfermeiros e dos outros médicos que a acompanharam ao longo do internamento. "Tirando o episódio menos feliz com uma médica, só tenho a agradecer a todos os enfermeiros e médicos que passaram por mim ao longo destes dois dias".
Numa outra publicação, Joana Sequeira revelou que os profissionais de saúde trabalham na Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa.
"Em que hospital nasceu o Simão? Boas condições?", questionou um seguidor. "Na MAC, tem sim! E todas as enfermeiras que apanhei foram incríveis e foram sem dúvida o meu pilar durante aqueles quatro dias. Lembro-me de estar cheia de contrações e de ir para uma sala de relaxamento, com banho e música relaxante e foi incrível naquele tempo em que estava a morrer de dores e ainda não tinha epidural", disse.
De acordo com a Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e no Parto, a "violência obstétrica é a violência estrutural exercida sobre as mulheres no contexto da assistência à pré conceção, procriação medicamente assistida, gravidez, parto e pós-parto. Inclui: recusa de tratamento, negligência em relação às necessidades e queixas da mulher, humilhações verbais, violência física, práticas invasivas, uso desnecessário de medicação, intervenções médicas forçadas e não consentidas, desumanização ou tratamento rude, entre outras manifestações".
O termo tinha entrado em março do ano passado numa lei que criava medidas de informação e proteção das grávidas, sob protesto da Ordem dos Médicos. Na altura, as associações que defendem os direitos das mulheres celebraram a decisão do Parlamento. Mas, em julho deste ano, a Assembleia da República eliminou do texto o termo "violência obstétrica" e trocou por "práticas inadequadas, desrespeitosas ou não consentidas pelas mulheres”.
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