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“De cuecas em rua de Lisboa”

O Diário de Margarida: Olhar de uma virgem

22 de agosto de 2010 às 11:15

3.ª FEIRA

Valeu a pena insistir. O Príncipe dos Olhos de Mel disse-me a razão por que está diferente comigo. A minha virgindade assusta-o! Como é possível ficar assustado com algo tão natural? Será que pensa que se a perder com ele vou virar uma sanguessuga e nunca mais o largar? Nem sempre o que vemos marca a diferença… mas sim a forma como o vemos.

4.ª FEIRA

Passeava pelas ruas de Lisboa quando aconteceu o impensável! Usava um vestido veraneante esvoaçante e comprido quando, ao subir para o autocarro, alguém o pisou. Resultado: fiquei em cuecas na via pública, pois o puxão foi tão grande que o vestido se rasgou! Pelo menos não usava cueca da avó. Barraca!

SÁBADO

Fui até ao Algarve com um grupo de amigas. Estávamos em amena cavaqueira quando um grupo se meteu connosco. Ouvi chamar: "Donzela do gelo." Pensei, é comigo? Um dos morenos de pele dourada virou-se para mim, olhos nos olhos, e repetiu. "Donzela do gelo. Posso acender-te a chama?"

PERGUNTA DA SEMANA

- "Sente-se uma mulher abençoada por ainda ser virgem?" (Tânia Rodrigues, ViseuI

- De maneira alguma me sinto uma mulher abençoada por ainda ser virgem. Aliás, para mim, ser virgem é tão natural como não ser. Sinto-me, sim, abençoada por ter um pensamento aberto em relação a aceitar e compreender as escolhas pessoais de cada um em relação ao seu corpo e à sua sexualidade, coisa que muita boa gente não é, ou seja, abençoada de pensamento.

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