A professora de teatro
Glória de Matos estreou-se como actriz na peça ‘Os 25 anos da Morte de Fernando Pessoa', na direcção de Fernando Amado, no velho Centro Nacional de Cultura. Com o prestigiado mestre teatral, funda a Casa da Comédia, apresentando uma programação de qualidade e na marca inconfundível dos grandes autores.
A actriz extraordinária que é, pela elegância, pelo porte, e um estilo único a representar, chama todas as atenções. Mas Glória de Matos sonha mais alto ainda e, em boa altura, a Fundação Calouste Gulbenkian concede-lhe uma bolsa de estudo. Parte para Inglaterra e no Old Vic School, a sua grande escola. Como actriz e professora de teatro. Sobretudo na arte de dizer.
Anos mais tarde é professora no Conservatório Nacional, tendo cursado ainda nos anos 70, Drama na Educação e na Universidade de Newcastle, no Reino Unido.
O seu percurso é de uma grande caminhada e por muitos palcos. A assinalar nos Comediantes com Raul Solnado ou a sua presença em trabalhos nos anos 70 no Teatro Nacional D. Maria II; galvanizando público e crítica na peça ‘Quem tem Medo de Virgínia Woolf', de Albee, no Teatro Monumental em Lisboa, encenado pelo grande João Vieira, e numa interpretação magistral e premiada com o Troféu da Imprensa. No cinema, Glória vincou personagens em momentos inesquecíveis, e destaco-a nos filmes do realizador Manoel de Oliveira, sobretudo em ‘Vale Abraão' e ‘Francisca'.
Nas novelas ‘Vila Faia' a ‘Origens' até ‘Terra Mãe', entre outras, Glória regista o seu estilo de ‘grande dama' na arte sublime de ser-se actor. Ricardo Pais chama-a para ‘Barcas' e o seu ‘Anjo' é como que uma aparição de deslumbre mágico. Depois é Fernanda Lapa que a escolhe para ‘A Mais Profissão' e no D. Maria II é Glória que dá aula de representação absoluta. É condecorada pelo Ministério da Cultura em 2006. Além de professora de mérito, foi senhora e dona na arte da dicção de várias personalidades públicas, nomeadamente o actual Presidente da República.
UM GRANDE AMOR SEM LIMITES
Glória de Matos casou-se com Henrique Mendes e foi um amor de décadas felizes, mesmo até, quando depois do 25 de Abril, o apresentador foi saneado injustamente pelas loucuras da revolução. O casal, sentindo-se amargurado, na altura partiu para o Canadá e, durante quatro anos, a rádio foi o novo desafio dos dois, conquistando um público fiel, humano, civilizado. No regresso a Portugal, anos depois, refizeram as suas vidas. Com afinco no trabalho.
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