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Sofia Arruda sofre para dar vida a Bela

Dar vida à nova personagem em ‘Destino Maior’, da SIC, tem sido um desafio difícil para a atriz.

17 de outubro de 2026 às 22:30

Em ‘Destino Maior’, a nova telenovela da SIC, Sofia Arruda veste a pele de Bela, uma mulher complicada, pouco empática e incapaz de demonstrar sentimentos. Um desafio lançado pelo realizador Manuel Amaro da Costa que obriga a atriz a contrariar a sua própria natureza o que, por vezes, a deixa emocionalmente exausta.

“Eu acho que o maior desafio é mesmo o facto de a Bela não ter muita empatia, ter dificuldade em chorar e em dar-se às outras pessoas. É o oposto de mim”, confessa Sofia Arruda, que tem encontrado nesta diferença o principal obstáculo, mas também uma das maiores fontes de prazer no trabalho. Afinal, interpretar alguém tão distante daquilo que é na vida real obriga-a a sair da sua zona de conforto e a explorar outras formas de expressão.

O desafio foi-lhe lançado pelo realizador Manuel Amaro da Costa, que, desde a primeira reunião, deixou bem claro o que pretendia. “Ele disse-me: ‘Sofia, eu não quero ver nada de ti, Anabela. Portanto, tudo o que tu tiveres de maternal, de empático, de amoroso, de cuidadora, eu nunca quero nada disso. Não existe isso na Bela.’”

Uma indicação que a apanhou de surpresa e que a obrigou a repensar a forma como iria construir a personagem. Ainda por cima, a chegada de Bela a Vila Tejo - o cenário muito ribatejano mas fictício de todo este enredo - é marcada por um segredo que promete abalar a história, perturbar a aparente tranquilidade da vila e criar novos conflitos.

"Ela tem um dedo podre, um dedo, é uma mão inteira! Consegue meter-se em tudo o que é problemas e chatices”, brinca a atriz. 

Mas é sobretudo nas cenas mais dramáticas que Sofia Arruda sente o peso desta transformação. Habituada a deixar-se tocar pelas emoções, tem agora de aprender a contrariar os próprios instintos, mesmo quando tudo à sua volta pede uma reação. “Às vezes tenho cenas que são muito emotivas, muito dramáticas, muito fortes. O realizador diz-me: ‘Não vais chorar. Não quero uma lágrima.’ E eu estou ali a pensar: ‘Por amor de Deus, cortem a cena, que eu estou a morrer por dentro!’”, revela.

O exercício de contenção não termina quando as câmaras deixam de gravar. A atriz admite que, por vezes, o esforço de reprimir aquilo que sente acaba por ter consequências físicas. “Há dias em que chego a casa com uma dor de cabeça terrível. Estive o dia inteiro a aguentar emoções. Às vezes abraço-me aos meus colegas e choro. O que está preso tem de sair para algum lado", confessa. 

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