Carlos Areia: "Tenho horas de um imenso desânimo”

Carlos Areia tem 65 anos, muitos dos quais dedicados aos palcos. Comediante de mão-cheia, estava no ar com uma rábula em ‘As Tardes da Júlia’, mas...

17 de novembro de 2009 às 08:53
importa Foto: João Cortesão
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Carlos Areia tem 65 anos, muitos dos quais dedicados aos palcos. Comediante de mão-cheia, estava no ar com uma rábula em ‘As Tardes da Júlia’, mas a saída de José Eduardo Moniz da TVI arrastou-o para o desemprego. Mais do que trabalho e dinheiro, lamenta a falta de um projecto.

– Está sem emprego, sem dinheiro e, quase, sem casa... Confirma?

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– Falta-me um emprego, o que é a minha base de sustentação. Mas, sem exageros, não é ‘pobrezinho e mora longe’, até porque sem casa não fico. O senhorio é meu amigo, perdoa-me o primeiro mês, talvez o segundo... Incomoda-me não ter um projecto de trabalho e sair do que tinha da maneira como saí.

– De que maneira saiu?

– Saí com as mudanças, que, às vezes, se fazem e não se sabe porquê. Desde a saída do Moniz, a realidade é essa, começaram logo a mexer em cargos e as pessoas querem mostrar serviço. Houve alguém que entendeu que o humor não fazia parte do programa ‘As Tardes da Júlia’ e pronto.

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– Teve pré-aviso da cessação de serviço ou foi uma surpresa?

– Não trabalho directamente com a TVI mas com a produtora Sky Light, cujo único comportamento que teve comigo foi o correcto: 15 dias de aviso antes da cessação do contrato e cumprimento integral do mesmo. Nunca isso esteve em causa. O que está em causa é um projecto com pernas para andar que, de repente e sem razão, acaba.

– Como é que se está a aguentar?

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– Estou há uma semana à espera de ser recebido na TVI, onde não vou pedir dinheiro mas trabalho. Custa chegar a esta idade e a esta situação. Tenho horas de um imenso desânimo...

– Um desânimo vivido sozinho ou acompanhado?

– Sozinho seria muito pior, felizmente, tenho alguém que me conforta e anima. De resto, a minha companheira trabalha, por aí, não me preocupo. O meu único problema é a falta de trabalho e de dinheiro, mas, sobretudo, não ter o que fazer. Tem de haver alguma responsabilidade moral. 

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