Débora Jorge: “Sei que dou nas vistas”

Prestes a completar 18 anos, a modelo quer triunfar na moda com base no seu esforço e não por comparações com Marisa Cruz.

14 de novembro de 2009 às 10:30
importa Foto: Mariline Alves
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Prestes a completar 18 anos, a modelo quer triunfar na moda com base no seu esforço e não por comparações com Marisa Cruz.

- A sua carreira está no início, embora neste momento esteja a ser muito falada.

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- O meu percurso neste meio já aconteceu há sensivelmente dois anos mas reconheço que, nesta altura, estou a ser mais procurada, mais falada.

- Pensa que esse ‘interesse’ tem a ver com a polémica com Marisa Cruz e com a saída desta da sua agência, a Face Models?

- Claro que desespoletou por causa dessa polémica mas eu não quero que continue devido a isso. Não tenho nada a ver com essa história e quero fazer o meu trabalho sem estar apoiada em ninguém.

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- Reconhece em si traços físicos idênticos aos da Marisa Cruz como tem sido afirmado?

- Sim, mas acaba por aí, não somos iguais em mais nada, julgo eu.

- Conhece a Marisa Cruz?

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- Não, por isso não posso falar de uma pessoa que, simplesmente, não conheço.

- Está prestes a fazer 18 anos. Como é que começou esta paixão pela moda?

- A paixão surgiu apenas quando entrei, há dois anos, pois até então não fazia a mínima ideia de como este mundo era.

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- Então não era mesmo um sonho de criança?

- Não, foram colegas meus que me convenceram a inscrever-me numa agência porque acharam que tinha perfil. Havia pessoas também que passavam por mim na rua e me perguntavam se eu era modelo. Não disse nada aos meus pais e um dia cheguei a casa e contei-lhes que me tinha inscrito numa agência.

- Qual foi a reacção deles?

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- Disseram que eu estava louca, que não me queriam neste mundo...

- A Débora vem de Santiago do Cacém, Alentejo, um meio fechado...

- Sim, fechado, pequeno, com mentalidades um pouco conservadoras que não conhecem nada disto. E como não conhecem têm medo. Acham que a pessoa se perde...

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- Sem terem conhecimento da moda, como é que eles lidaram quando a Débora disse que ia ser modelo?

- Eles não discutiram comigo mas, no início, não me apoiaram a 100 por cento. Disseram para ter calma, que não era vida para mim, que não ia longe, e aconselharam-me a arranjar um emprego fixo. Mas é claro que depois tentaram compreender o que eu queria e hoje apoiam-me incondicionalmente.

- E na primeira entrevista na agência da Fátima Lopes, os seus pais acompanharam-na?

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- Sim, vim à Face com eles. Ficaram supercontentes, estavam babados, devo dizer. Viram que, afinal, as pessoas que aqui trabalham não são bichos-papões e ficaram, realmente, mais descansados.

- Como é que uma jovem de um meio pequeno vem parar a uma agência como a Face? Assustou-a a dimensão deste mundo?

- Não me assustou de maneira nenhuma, antes pelo contrário. Deixou-me radiante. Sempre tive muita cabeça e não queria perder-me logo. Agi de forma tranquila, tanto é que não abandonei os estudos. Só quando acabei o curso é que vim morar para Lisboa, o que aconteceu há cerca de quatro meses.

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- Tentou conciliar ao máximo os estudos e a moda...

- Sim, não queria deixar as duas coisas e, dessa forma, conservar a minha sanidade. Tudo isso foi possível.

- Como é que, na escola, os seus colegas e professores reagiram com o facto de conviver com uma potencial modelo de moda?

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- Ficaram todos contentes, fui sempre a menina mimada.

- Em que se formou?

- Depois do 12º ano tirei um curso de nível 3 em Higiene e Segurança no Trabalho e Ambiente.

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- O que idealizava para si, na medida em que a moda não estava nos seus horizontes profissionais?

- Queria trabalhar numa empresa, fazer um trabalho honesto... Coisas normais de uma pessoa normal.

- E agora saiu do Alentejo, deixou os seus pais para se aventurar na capital, em Lisboa...

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- Sim, estou por conta própria e já tenho a minha casa.

- Como foi deixar o ambiente familiar, embora já conhecesse um pouco da capital?

- Já conhecia mais ou menos Lisboa mas claro que foi um choque sair, de repente, do conforto da casa dos meus pais, deixar os meus amigos, enfim, tudo o que conhecia até então para vir para um mundo desconhecido. Mas já estou a habituar-me, embora haja momentos em que tenho saudades.

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- Nessas mesmas alturas, o que é que a Débora faz?

- Volto para os miminhos, para o colo da mãe, mas, infelizmente, não posso ficar sempre muito tempo. Fico um ou dois dias.

- Apesar de a moda não ser um sonho de criança, como é que tem vivido estes dois últimos anos?

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- Aproveito tudo o que tenho para desfrutar ao máximo. A vida de modelo é curta.

- Está consciente desse facto?

- Sim, sei perfeitamente que não é para sempre. Tanto é assim que me salvaguardei com o curso. E não vou ficar por aqui, quero tirar um curso superior, uma licenciatura ou mestrado, nesta área ou noutra de que eu goste. Assim, quando a minha carreira na moda acabar já terei bases, estou preparada.

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- Em Portugal, a sua projecção tem acontecido nos últimos tempos, no entanto a verdade é que a Débora trabalha imenso no estrangeiro.

- Sim, sobretudo na Alemanha, Holanda e Rússia.

- Está nos seus planos fazer uma carreira internacional?

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- Claro que sim, penso que é o sonho de qualquer modelo.

- E foi difícil a primeira vez em que desfilou numa passerelle?

- Estava com bastante medo mas correu superbem. Devo ter uma estrelinha qualquer, entrei na passerelle e arrasei. Depois daí nunca mais parei.

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- Ainda pensa que pode acontecer-lhe qualquer coisa na passerelle: cair, pisar a roupa?

- Já não tenho medo, porque sou segura. Acho que consigo entrar sem medo... Nem vejo ninguém, chego ao fim da passerelle e olho para o abstracto.

- Tem consciência da sua beleza? Como é que lida com isso?

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- É claro que tenho consciência, não posso negar. Ouço muitos piropos mas tento ser o mais discreta possível, porque já sei que dou nas vistas o suficiente.

- E com o seu corpo, lida bem quando tem de o mostrar um pouco mais?

- Depende da situação. Num trabalho sério, com pessoas sérias e no devido contexto, não tenho problemas nenhuns em mostrar o meu corpo. Eu trabalho com o meu corpo, é a minha ferramenta.

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- Falando agora do plano pessoal, já tem namorado?

- Não, não tenho.

- Acredita, por outro lado, que a pessoa que encontrar saberá lidar com a exposição da Débora?

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- Não vou desistir de nada por causa de um namoro.

- Apesar de ser nova, já idealiza casar e ter filhos?

- Vejo-me casada talvez daqui a 30 anos. Não sou pessoa de idealizar uma família mas, se calhar, daqui a algum tempo vou querer o meu cantinho com a pessoa que encontrar para dividir a vida.

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- A carreira é a sua grande prioridade mas calculo que já tenha tido namorados. É namoradeira?

- Não sou muito, prefiro relações sérias, não gosto de brincadeiras.

- Mesmo com um percurso curto, tem saudades da sua antiga vida?

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- Eu faço as mesmas coisas, a diferença é que sinto falta dos meus amigos e da minha família. Seria bom trazê-los para cá.

- Diz que é muito humilde e honesta. Nestes dois anos, o que mudou em si?

- Na minha personalidade, nada. Continuo a ser a mesma pessoa, a Débora do Alentejo. No entanto, tive de aprender algumas coisas, como saber estar, ter um pouco mais de estofo para estar neste mundo da moda.

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- Como recorda a sua infância?

- Fui muito feliz. Era uma criança mimada, não me posso queixar da minha infância. Se há alguém mimado sou eu.

REFLEXO

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- O que vê quando se olha ao espelho?

- Vejo uma rapariga bonita, novinha, mas já com atitudes de mulher e responsabilidades de adulta.

- Gosta do que vê?

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- Há dias que gosto muito do que vejo e outros que nem me posso olhar ao espelho. Mas acho que isso acontece com toda a gente.

- Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?

- Tantas vezes! Mas confesso que ainda não tive coragem.

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- Quem gostaria de ver reflectido no seu espelho?

- Eu, só eu. Porque quereria ver outra pessoa no meu lugar?

- Pessoas de referência?

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- A minha família, se não fosse por eles não estaria aqui. Além da minha família, destaco também as pessoas da Face Models, que me tratam como uma filha.

- Momento marcante?

- Sou tão novinha que ainda tenho muitos momentos marcantes para viver. Ainda não chegou esse momento.

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- Qualidades e defeitos?

- Nas qualidades, sou honesta, humilde, tento ser o mais justa possível. Quanto aos defeitos, reconheço que sou muito orgulhosa, teimosa, bato o pé.

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