Escândalo em torno de Julio Iglesias gera guerra política em Espanha
Vice-presidente espanhola Yolanda Díaz arrasou a presidente da Comunidade de Madrid por esta defender o cantor, acusado de agressão sexual.
A vice-presidente do Governo espanhol e ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, criticou duramente esta quarta-feira, 14 de janeiro, a presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, acusando-a de se colocar "do lado da violação dos direitos humanos" por ter expressado apoio ao cantor Julio Iglesias, atualmente alvo de investigações por agressão sexual.
Em entrevista à TVE, Yolanda Díaz apelou a todos os líderes partidários para que "se comprometam com os direitos humanos das mulheres" e condenem categoricamente comportamentos machistas, numa referência direta às acusações contra o artista espanhol. A governante manifestou solidariedade com as duas mulheres que denunciaram o cantor, incentivando-as a prosseguir com as denúncias e contar a sua versão dos factos.
Yolanda Díaz respondeu assim às declarações de Isabel Díaz Ayuso, que, através das redes sociais, defendeu Julio Iglesias e classificou a polémica como um ataque político. "Ayuso coloca-se do lado da violação dos direitos humanos e do machismo, ao colocar-se passivamente do lado do agressor", afirmou a ministra.
Yolanda Díaz foi mais longe e sugeriu que o Governo poderá retirar ao cantor a Medalha de Ouro ao Mérito das Belas Artes, atribuída em 1988. Isabel Díaz Ayuso reagiu de imediato, garantindo que Madrid não seguirá esse caminho: "As mulheres violadas e atacadas estão no Irão, com o silêncio cúmplice da extrema-esquerda. A Comunidade de Madrid nunca contribuirá para o descrédito dos artistas e muito menos do cantor mais universal de todos: Julio Iglesias", escreveu na rede social X.
A Procuradoria da Audiência Nacional abriu esta terça-feira uma investigação preliminar às denúncias apresentadas contra Julio Iglesias por duas ex-funcionárias, uma empregada doméstica e uma fisioterapeuta, após um trabalho de investigação do jornal elDiario.es e da cadeia norte-americana de língua espanhola Univisión.
Os relatos, recolhidos ao longo de mais de três anos, incluem acusações de agressões sexuais, maus tratos e coação, alegadamente ocorridos em residências do cantor na República Dominicana e nas Bahamas. As mulheres descrevem episódios que envolvem penetrações forçadas, contactos físicos sem consentimento, bofetadas e humilhações. O Ministério Público está agora a analisar os factos.
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