Histórias de Bastidores - Eric Clapton
Talvez tenha começado a sofrer ao nascer de mãe solteira quando esta tinha
Naquela tarde de 1998 em que o entrevistei em Londres não consegui, por um minuto sequer, afastar-me da ideia de que aquele homem tinha perdido o filho, de quatro anos. Eric Clapton contou que gosta de pescar, de ver, tapado com um cobertor, televisão no sofá, mas ao olhá-lo nos olhos percebi que era enorme e longínqua a dor que o assolava. Talvez tenha começado a sofrer ao nascer de mãe solteira quando esta tinha 16 anos, quando se apaixonou pela mulher do amigo George Harrison, por ver um outro amigo, Duane Allman, morrer num acidente de motorizada, por Jim Gordon, seu baterista – que sofria de esquizofrenia –, durante um surto psicótico ter morto a própria mãe com marretadas, por o guitarrista Steve Ray Vaughan, que estava em digressão com ele, e dois membros da sua equipa de apoio terem falecido num acidente de helicóptero, mas nem isso explicava o desconforto que eu sentia por estar à sua frente. Nem isso, nem o facto de saber que foi viciado em heroína ou por conhecer as suas tendências racistas. ‘Slow Hand’ manteve-se distante, e apenas lhe recordo uma frase: 'Cada disco abre-me por dentro e faz-me sentir como se estivesse a dar à luz um bebé, necessariamente parecido comigo.' Ele dizia isso e eu sem parar de pensar no filho Conor e em ‘Tears in Heaven’.
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