"Penetrações, bofetadas e humilhações": Julio Iglesias acusado de agressão sexual por duas ex-funcionárias

Investigação de três anos revela práticas abusivas por parte do conhecido cantor.

13 de janeiro de 2026 às 14:02
Julio Iglesias Foto: Direitos Reservados
Julio Iglesias

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Julio Iglesias está no centro de acusações graves após a divulgação de uma investigação conjunta do espanhol 'elDiario.es' e da cadeia norte-americana de língua espanhola Univisión. O trabalho, desenvolvido ao longo de mais de três anos, reúne testemunhos de duas antigas funcionárias do cantor que o acusam de agressão sexual, maus tratos e coação, episódios que terão ocorrido no interior das residências do artista na República Dominicana e nas Bahamas. 

Contratadas como empregadas domésticas, as mulheres alegam que as funções exigidas ultrapassavam largamente o que constava nos contratos. Segundo os depoimentos recolhidos, o ambiente profissional nas propriedades de Iglesias era marcado por um "controlo rigoroso, assédio contínuo, insultos e humilhações".

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Entre os relatos surgem referências a "penetrações, bofetadas e humilhações físicas e verbais". Uma das mulheres afirma ter sido convocada repetidas vezes ao quarto do cantor, onde descreve agressões sexuais sem consentimento: "Ele mandava-a chamar ao seu quarto (...) penetrava-a com os dedos anal e vaginalmente". A outra vítima relata contactos forçados: "Estávamos na praia e ele aproximou-se e tocou nos meus mamilos", recorda, acrescentando que também foi beijada à força.

Um detalhe particularmente perturbador é que muitos desses episódios terão ocorrido com o conhecimento, e por vezes com a participação, de uma funcionária de nível superior. A investigação refere que esta responsável recrutava jovens trabalhadoras, exigindo fotografias do corpo antes da contratação, e controlava exames médicos, incluindo rastreios ginecológicos e testes de doenças sexualmente transmissíveis.

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Os factos terão acontecido em 2021, quando Júlio Iglesias tinha 77 anos. Uma das funcionárias é fisioterapeuta; a outra tinha apenas 22 anos. Ambas descrevem condições que classificam como "quase de sequestro": jornadas muito para além das estipuladas, vigilância constante, isolamento e limitações severas à liberdade de circulação. Sair de casa era proibido para funcionárias de nível inferior, bem como manter relações pessoais ou tirar fotografias dentro das propriedades - cláusulas controladas através da inspeção regular dos telemóveis.

O salário oferecido, cerca de 25 000 pesos (aproximadamente 340 euros), era apresentado como a porta de entrada para uma carreira de prestígio, trabalho internacional e viagens. Mas, segundo várias entrevistadas, depressa se transformava num cenário dominado por medo, imposições e exigências ilícitas. Algumas testemunhas relatam que era esperado que certas funcionárias mantivessem relações sexuais com o cantor várias vezes por semana: "Só me deixavam descansar quando a esposa dele estava em Punta Cana ou quando havia outra senhora", afirma uma delas.

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A investigação inclui depoimentos de outras mulheres que trabalharam para Iglesias entre o final dos anos 1990 e 2023, que descrevem um "clima insuportável" e o carácter explosivo do artista.

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