Tiros de metralhadora e carros a arder! Empresário tauromáquico Rui Bento Vasques relata momentos de terror no México
O português, que está a acompanhar o toureiro espanhol Daniel Luque, testemunhou a onda de violência sem precedentes no país, causada pela captura do narcotraficante 'El Mencho'.
O gestor tauromáquico português Rui Bento Vasques viveu horas de verdadeiro terror no México, ao ficar encurralado numa onda de violência que eclodiu após a captura de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como 'El Mencho', líder do cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais violentas.
Rui Bento Vasques encontra-se naquele país a acompanhar o toureiro espanhol Daniel Luque, que tinha atuado, no sábado, 21 de fevereiro, em León, no estado de Guanajuato. Após uma corrida longa e considerada um êxito, a comitiva decidiu pernoitar em León, apesar de inicialmente estar previsto seguir para Guadalajara.
Na manhã seguinte, o grupo partiu em direção a Guadalajara, no estado de Jalisco, onde iria decorrer a próxima corrida. Cerca de 10 a 12 quilómetros após cruzarem a fronteira entre os dois estados, receberam um alerta da praça de touros: estavam a ocorrer tiroteios e a situação era grave. "No momento não nos disseram o que era. Pediram que parássemos durante 10 minutos e disseram-nos que, provavelmente, a corrida ia ser suspensa, bem como todos os espetáculos e todas as linhas de comboio", contou o empresário ao CM. Poucos minutos depois, veio a confirmação de que todos os espetáculos estavam suspensos e que deveriam procurar refúgio.
O problema era como fazê-lo. As estradas começavam a ser cortadas e havia relatos de viaturas incendiadas. Mas a sorte chegou. "Andámos uns dois ou três quilómetros na perspetiva de tentar arranjar uma forma de voltar para trás e, com sorte, havia, penso que é só para as autoridades, uma pequena cancela no meio da autoestrada que já estava aberta. Com esta situação, deve ter havido algum carro de polícia que deu uma volta ali e nós tivemos essa sorte de conseguir voltar para trás", relatou.
Ao regressarem à portagem, depararam-se com forte presença militar: 10 jipes do exército, polícias armados com metralhadoras e controlo apertado de circulação. Foi aí que perceberam a dimensão do que estava a acontecer.
Foi na tentativa de regressar ao hotel onde tinham estado em Léon que Rui Bento Vasques e a sua equipa viveram, de perto, a violência. "Vimos que estavam a mandar sair pessoas dos carros e, nesse momento, incendiaram dois veículos. Foi uma coisa impressionante. Mandaram um camionista atravessar o camião na estrada e atiraram com a metralhadora aos pneus para o camião bloquear a estrada. Eu tinha visto isto em filmes. Pensei que isto só existia em ficção", descreveu. "Mas conseguimos passar. Foi, de facto, uma coisa de muita sorte."
De regresso a León, o grupo refugiou-se no hotel. Mas nem aí o ambiente era de normalidade. Funcionários começaram a abandonar o edifício, o restaurante fechou e os serviços ficaram reduzidos ao mínimo. "Quando demos conta, não havia ninguém que nos desse comer, não havia nada. Assustei-me muito foi quando tentei ir a uma pizaria perto do hotel e, assim que saímos, começaram os jipes com as sirenes a passar e a anunciarem que toda a gente devia ficar em casa, pois a partir das duas da tarde os 'narcos' iam começar a atirar sobre os civis", relatou Rui Bento Vasques.
Encerrados nos quartos de hotel, passaram o domingo "impressionados e com medo" a acompanhar as notícias e imagens de Guadalajara, com carros incendiados e estradas cortadas por máquinas pesadas.
Ainda no México, e já sob um clima de aparente tranquilidade, o gestor tauromáquico aguarda agora voo de regresso à Europa, numa viagem que fará escala em Madrid antes de seguir para Lisboa. A experiência, garante, ficará para sempre na memória. "É uma história que vou contar aos meus netos. Foi muito intenso, muito preocupante, porque isto são coisas que nós vemos nos filmes e aqui aconteceu à nossa frente. Nós vivemos num paraíso comparado com esta realidade."
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