Três Marias: O Porto cheira a Buenos Aires

Já lhe chamam os Gotan Project portugueses. A verdade é que o tango tocado e cantado em português tem um encanto que não se conhecia

19 de dezembro de 2009 às 18:54
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Numa altura em que anda tudo entretido a explorar o fado, há um grupo do Porto que decidiu mudar de direcção e seguir por um outro caminho, o do tango. Chama-se As 3 Marias e é formado por três mulheres, Cristina Bacelar (voz e guitarra), Fátima Santos (acordeão) e Sara Barbosa (contrabaixo) e um homem, Zagalo (percussão). O álbum de estreia está já editado entre nós e tem o sugestivo título de ‘Quase a Primeira Vez’, ou não tivessem todos os músicos feito já a sua estreia noutros projectos musicais como Frei Fado d’el Rei, Musa ao Espelho ou Mu.

Com o tango como pedra-de-toque, As 3 Marias pegam nele e cruzam-no com flamenco, bolero, ‘bossa’, jazz e com tudo o mais que o nosso imaginário musical alcançar. "A fusão pode funcionar se conseguirmos pegar na essência das coisas e as conseguirmos trabalhar. No fundo, nós somos um laboratório musical", diz Cristina Bacelar, para quem os projectos de fusão não são novidade. "O Frei Fado d’El Rei já era um projecto de fusão. Agora, aqui a grande novidade é o tango." Não se pense, contudo, que por trabalhar ‘em cima’ do tango o grupo renuncia à sua identidade portuguesa. Apesar de dizer que hoje o Porto lhe sabe um bocadinho a Buenos Aires e de As Três Marias já serem equiparadas aos Gotan Project, Cristina Bacelar explica ainda que não faz sentido fazer apenas tango quando o grupo é formado por portugueses. "Primeiro, não somos argentinos, e depois o acordeão é um instrumento muito português."

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Originais. O disco tem como primeiro single o tema ‘Tango do Vilão Rufia’ (com participação de Sérgio Castro, dos Trabalhadores do Comércio) e faz alinhar ainda o poema ‘Mentira’, de Florbela Espanca ("é difícil escrever em português sem se ser piroso") e uma versão de ‘Vídeo Maria’, dos GNR. "É uma forma de chegar a outros públicos", diz Cristina Bacelar, que ainda assim garante que o grupo não está obcecado com o mercado. "Há sempre espaço para todos. Nós conseguimos entrar por um lado que ainda ninguém explorou. Nós não só pegámos no tango, algo que ainda ninguém tinha feito, como estamos a fazer originais de tango. De resto, nunca estivemos na música por mediatismo. Estamos na música porque gostamos", remata.

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