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29 anos sem Diana: O legado da 'Princesa do Povo' que redefiniu a monarquia britânica

Diana utilizou a projeção mediática alcançada para quebrar estigmas e dar voz a causas humanitárias marginalizadas, mesmo no seio da conservadora realeza britânica.

31 de agosto de 2026 às 19:42

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Diana, a Princesa de Gales, aperta a mão e conversa com crianças em idade escolar durante a sua visita a um novo centro comercial em Aylesbury, Bucks., Inglaterra, a 2 de março de 1983
Nesta fotografia de arquivo de 4 de agosto de 1987, Diana, Princesa de Gales, à esquerda, e a Rainha Isabel II da Grã-Bretanha sorriem para os simpatizantes reunidos em frente à Clarence House por ocasião do aniversário da Rainha-Mãe Isabel, em Londres. A rainha Isabel II, a monarca que mais tempo reinou na Grã-Bretanha e um pilar de estabilidade ao longo de grande parte de um século turbulento, faleceu. Tinha 96 anos. O Palácio de Buckingham fez o anúncio num comunicado na quinta-feira, 8 de setembro de 2022
 Diana, Princesa de Gales, conversa com jovens angolanos amputados, que perderam os membros devido a minas terrestres, na Oficina Ortopédica Neves Bendinha, nos arredores de Luanda, Angola, a 14 de janeiro de 1997
Princesa Diana com os filhos
Princesa Diana
 Nesta fotografia de arquivo de 29 de julho de 1981, o príncipe Carlos da Grã-Bretanha beija a sua noiva, a princesa Diana, na varanda do Palácio de Buckingham, em Londres, após o casamento. O príncipe Carlos preparou-se para a coroa durante toda a sua vida. Agora, esse momento chegou finalmente. Carlos, a pessoa mais velha de sempre a ascender ao trono britânico, tornou-se rei na quinta-feira, 8 de setembro de 2022, na sequência do falecimento da sua mãe, a rainha Isabel II
O presidente sul-africano Nelson Mandela, à esquerda, acompanha Diana, Princesa de Gales, durante uma visita de cortesia a Mandela, enquanto ela visitava o seu irmão, o Conde Spencer, na Cidade do Cabo, a 17 de março de 1997
A princesa Diana, do Reino Unido, toca na perna de um doente de lepra no Hospital de Lepra de Anandaban, a sul de Katmandu, a 4 de março de 1993, no terceiro dia da visita de cinco dias da princesa ao Nepal
 A princesa Diana, do Reino Unido, vestida com um vestido branco, corre à frente durante a corrida das mães, realizada no âmbito de um dia desportivo da escola de Wetherby, onde o seu filho, o príncipe William, é aluno, na terça-feira, 28 de junho de 1989
 Nesta fotografia de arquivo, tirada no início da manhã de domingo, 31 de agosto de 1997, as forças policiais preparam-se para retirar o carro em que Diana, Princesa de Gales, faleceu em Paris, num acidente de viação que também causou a morte do seu companheiro, Dodi Fayed, e do motorista
As pessoas compram jornais de domingo que noticiam a morte de Diana, Princesa de Gales, em Londres, no domingo, 31 de agosto de 1997. A história da morte da Princesa Diana, aos 36 anos, naquele acidente catastrófico num túnel de trânsito em Paris, continua a chocar, mesmo um quarto de século depois
Os espectadores choravam no meio da multidão em Whitehall, em Londres, no sábado, 6 de setembro de 1997, durante a cerimónia fúnebre de Diana, Princesa de Gales. Era uma noite quente de sábado e os jornalistas tinham-se reunido num restaurante de Paris para aproveitar o último fim de semana do verão. Por volta da meia-noite, os telefones à volta da mesa começaram a tocar todos ao mesmo tempo. As redacções estavam a contactar repórteres e fotógrafos para os alertar de que o carro da Princesa Diana se tinha despistado no túnel da Pont de l’Alma, em Paris. Foi assim que a notícia se desenrolou nas primeiras horas do dia 31 de agosto de 1997
O caixão com o corpo de Diana, Princesa de Gales, coberto com o Estandarte Real, é transportado por pilotos da Força Aérea Real, após a chegada à base aérea de Northolt, a 31 de agosto de 1997, proveniente de Paris. A princesa, o seu companheiro Dodi Fayed e o motorista faleceram num acidente de viação em Paris, ocorrido no início desse mesmo dia. A história da morte da princesa Diana, aos 36 anos, naquele acidente catastrófico num túnel de trânsito em Paris, continua a chocar, mesmo um quarto de século depois

Na noite de 31 de agosto de 1997, a Princesa Diana, conhecida popularmente como 'Lady Di', morreu num trágico acidente de viação em Paris, França. O veículo em que seguia despistou-se no túnel do Pont de l'Alma, quando era perseguido por cerca de 30 fotógrafos. Dentro do veículo seguia o seu namorado, Dodi Al Fayed, que também perdeu a vida, o motorista Henri Paul, que teve o mesmo fim e ainda o guarda-costas Trevor Rees-Jones, o único sobrevivente.

A notícia da morte de Diana, aos 36 anos, teve um impacto profundo a nível global, gerando uma vaga sem precedentes de luto público e comoção internacional. O funeral, realizado a 6 de setembro de 1997 na Abadia de Westminster, foi acompanhado por milhões de pessoas em todo o mundo.

As últimas palavras e a esperança inicial do socorro

Xavier Gourmelon, um dos bombeiros que prestou os primeiros socorros no local do acidente, revelou anos mais tarde que a princesa recuperou brevemente a consciência nos primeiros momentos após o embate. Ao ver o cenário, Diana terá perguntado: "Meu Deus, o que aconteceu?". Devido à aparente estabilidade inicial após manobras de reanimação, o socorrista admitiu ter acreditado que a princesa iria sobreviver, antes de sofrer uma paragem cardíaca irreversível devido a graves lesões internas.

Horas antes da tragédia, os príncipes William e Harry encontravam-se de férias no Castelo de Balmoral, na Escócia, onde falaram com Diana através de uma breve chamada telefónica. Anos mais tarde, em documentários dedicados à memória de Diana, ambos confessaram o profundo desgosto por terem cortado a conversa com pressa para regressar às brincadeiras, admitindo que viriam a carregar para o resto da vida o remorso por aquela ter sido a última despedida.

O legado humanitário: Da quebra do estigma da SIDA às minas terrestres

Conhecida como a 'Princesa do Povo', Diana utilizou a sua projeção mediática para quebrar estigmas e dar voz a causas humanitárias marginalizadas. Em 1987, chocou os padrões da época ao cumprimentar sem luvas um doente com VIH num hospital de Londres, um gesto que repetiu em 1991 ao abraçar crianças infetadas durante uma visita oficial ao Brasil.

O seu ativismo estendeu-se também à luta internacional contra as minas terrestres antipessoal, tendo protagonizado imagens históricas ao caminhar por campos minados em Angola.

Após a sua morte, o legado humanitário foi formalmente continuado com a criação do Fundo Memorial Diana Princesa de Gales, dedicado a apoiar a prevenção da sida, a saúde mental e a erradicação de minas terrestres.

Além destas bandeiras internacionais, Diana dedicou grande parte do seu trabalho a apoiar os sem-abrigo, crianças doentes e vítimas de violência doméstica, visitando regularmente hospitais e instituições de caridade. A sua abordagem empática e a recusa do distanciamento protocolar tradicional redefiniram o papel público da realeza britânica e cimentaram o seu legado humanitário.

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