Atriz abriu o coração à revista 'Vidas'.
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Ela canta, ela atua, ela faz rir e obriga-nos a pensar. Ela emociona-nos com uma belíssima homenagem à grande Ivone Silva, de quem é legítima herdeira. Ela é Cristina Oliveira, estrela, ao lado de João Baião, do espetáculo ‘Baião d’Oxigénio’, que anda na estrada e promete assim continuar até ao verão. Pretexto para uma conversa sobre a profissão que escolheu, por amor.
– Mais um espetáculo produzido e dirigido por João Baião? Com Cristina Oliveira como cúmplice obrigatória?
– Sim, já é o terceiro, em três anos. E tem sido tão bom. Este projeto de desenvolver comédias e andar com elas em digressão pelo País. É sempre diferente, sempre novo. Divertimo-nos muito, os dois.
– O João Baião faz-lhe sempre muitos elogios e não dispensa trabalhar consigo. Antes deste projeto, havia trabalho?
– Bom, antes tinha vindo diretamente da pandemia... Estivemos aqueles dois anos parados, foi dramático. Mas antes da Covid eu estava no Politeama a trabalhar com o Filipe La Féria. Em televisão é que tem estado um pouco mais parado, embora agora recentemente também tenham aparecido uns convites.
– Faz-lhe falta, fazer televisão?
– Tudo o que envolve esta profissão é bom e faz falta a um ator. Claro que as linguagens são muito diferentes. Fazer teatro é uma coisa, fazer televisão é outra, cinema é algo completamente diferente. Mas tudo faz falta, até para não ficarmos viciados no mesmo registo. Encara-o quase como uma reciclagem: sair de um meio para outro tira-nos as bengalas às quais nos habituamos com tanta facilidade. Gosto desse exercício. E acho que me torna mais capaz.
– E por falar em técnicas de representação, este espetáculo é uma autêntica ‘tour de force’ para os dois protagonistas...
– Verdade. Fazemos muitas personagens diferentes, andamos, eu e o João, sempre a correr de um lado para o outro. Os bailarinos também, de resto. O espetáculo tem um ritmo alucinante e temos de nos desdobrar em muitas figuras, estamos constantemente a mudar de figurino e de cabeleira. É um grande desafio, mas eu adoro.
– Não é cansativo, andar um ano na estrada, praticamente?
– Ah, não, as digressões são maravilhosas. O que cansa são as viagens. Mas assim que chegamos ao nosso destino, esquecemos tudo e as pessoas são tão carinhosas connosco, tratam-nos tão bem, estão sempre tão sequiosas de ver o João, principalmente, mas de se divertirem, de saberem que vão rir… É maravilhoso, chegar ao fim do espetáculo e perceber que as pessoas gostaram é uma sensação indescritível.
– O melhor desta profissão é o público?
– Ah, claro que sim. É o que justifica tudo, é o que dá sentido ao nosso trabalho e a todo o esforço. Despimo-nos perante os espectadores, expomo-nos totalmente. Sobretudo nos espetáculos de comédia, não pode haver pudores, medo do ridículo. Nada disso. Fazemos o que for preciso, somos palhaços, e, depois, uma gargalhada atirada na plateia faz com que tudo valha a pena.
– E o pior da profissão?
– Eu diria que é a insegurança, embora neste momento já não haja profissões seguras… Trabalhar sempre no fio da navalha é doloroso. Tenho 62 anos e continuo na corda bamba. Eu e os meus colegas. Estou na mesma situação em que estava quando cheguei à profissão, com 20 anos. Continuo a passar recibos verdes, a ser precária, não tenho direitos nenhuns. Estamos aqui num canto, sem regalias sociais. A pagar impostos mas sem compensação. Só temos direito a subsídio de desemprego se estivermos a passar recibos à mesma entidade patronal durante dois anos. O que é raríssimo. Uma peça são dois meses, uma novela são oito… Se ficamos sem trabalho, não temos nada. Isso é o pior. Mas lá está, depois subimos ao palco, o público ri e ficamos felizes. Somos masoquistas e esquizofrénicos.
– É uma profissão que se recomende a alguém?
– Só a quem tenha um grande amor a isto. A alguém que não consiga viver sem representar. Quando se é ator ou atriz, realmente, não se consegue viver sem representar. Se não representa, um ator ou uma atriz definha. Morre. É assim. Quem vier para a profissão para ser famoso… esqueça. Ou para ganhar dinheiro ou ter ‘gostos’ nas redes sociais... A quem não seja por amor, não aconselho. Porque não vale a pena.
– Tem duas filhas. Nenhuma lhe seguiu o exemplo...
– Duas filhas e uma neta. Nenhuma seguiu. Não porque eu dissesse que sim ou que não. Não calhou. Não manifestaram qualquer interesse, mesmo que tenham apetência para as artes. Gostam de teatro, sim, mas para ver. A netinha é pequenina, só tem cinco anos. Vamos ver. Para ela é tudo uma grande festa.
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