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Diogo Valsassina: “A minha grande paixão é representar”

Em miúdo não sabia inglês mas já decorava as falas dos filmes. Deliciada, a avó materna levou-o a um casting

22 de janeiro de 2011 às 10:30

Em miúdo não sabia inglês mas já decorava as falas dos filmes. Deliciada, a avó materna levou-o a um casting e Diogo Valsassina foi seleccionado para ‘Jardins Proibidos'. Conheceu Ana Guiomar nos ‘Morangos com Açúcar' e apaixonou-se. Filho único até aos sete anos, conta que começou a roer as unhas quando o irmão nasceu.

- Tem saudades de representar?

- Tenho muitas. Obviamente que eu não devo ficar muito mais tempo no ‘Curto Circuito' [SIC Radical], porque já lá estou há dois anos.

- Mas está farto de apresentar o programa?

- Não estou farto mas já começo a pensar mais na representação e, como é óbvio, chega uma altura em que uma pessoa quer mais.

- Estreou-se nos ‘Jardins Proibidos'?

- Foi. Depois dos ‘Jardins' fiz participações em séries como ‘Super Pai', ‘New Chat' e ‘Um estranho em casa'. E fiz publicidade.

- Depois vieram os ‘Morangos com Açúcar'...

- Segunda série, segunda série de Verão e terceira série. Foram dois anos.

- Mas como é que surgiu o convite para os ‘Jardins'?

- Não foi convite. Foi um casting ainda no antigo Teatro Vasco Santana, na Feira Popular de Lisboa. A minha avó materna inscreveu-me, achava que eu tinha muito jeito. A minha avó lá sabe. Eu tinha 11 anos. Ela chegou com um papel e disse-me: ‘Tens de decorar isto, porque depois tens de fazer isto no teatro'. Fiz o casting com o Pedro Lima e fui escolhido para fazer a novela.

- E a sua avó achava que tinha jeito porquê?

- Por causa das ‘macacadas' que fazia lá em casa. Em miúdo adorava ver filmes e decorava as falas. Não sabia falar inglês mas decorava os diálogos sem saber o que estava a dizer.

- E olhava para um espelho?

- Não. Falava a andar pela casa, a brincar com os bonecos. E usava as falas dos filmes com os bonecos.

- A avó materna é muito importante na sua vida. Foi criado por ela?

- Além dos meus pais, também fui criado pela minha avó. Ela esteve sempre muito presente na minha vida. Todas as semanas ia a minha casa. Eu ia para a escola e, quando chegava, ela estava em minha casa ou então ia buscar-me à escola sempre com um docezinho. É uma figura muito presente e ainda bem.

- Tem irmãos?

- Tenho um. Ele tem uma idade terrível, 16 anos.

- Mas o Diogo já não vive com os seus pais?

- Não. Saí de casa há quatro anos.

- E saiu porquê? Para ganhar espaço?

- Não. Eu sempre tive o meu espaço. Nunca tive problemas em levar amigos para casa. Quando comecei a gravar os ‘Morangos', os meus horários começaram a ficar diferentes e, como gravava a semana inteira, só tinha o domingo e as noites para estar com eles. Os meus pais deitavam-se e eu ia para o meu quarto com dez pessoas. Os meus pais não se importavam. Sempre tive essa liberdade. Saí de casa porque surgiu a oportunidade e para ver como era.

- E onde é que ficaram os estudos?

- Quando estava a gravar os ‘Jardins' consegui conciliar tudo. Nos ‘Morangos' foi muito mais complicado. Eu não tinha tempo para estudar. Falei com os meus pais e decidimos que no primeiro ano e meio parava os estudos porque me levantava às 06h00 e gravava o dia inteiro.

- Que idade tinha?

- Quando entrei para os ‘Morangos', tinha 17 anos. Estava no 12º ano, que ficou parado. Mas entretanto já o acabei.

- Vive com a Ana Guiomar há quatro anos...

- Sim. Namoramos há mais tempo, nem vale a pena dizer quanto, e vivemos juntos há quatro anos.

- E foi por ela que saiu de casa?

- Quer dizer, a Guiomar não é de Lisboa, ela morava em Torres Vedras e, quando começou a gravar ‘Tempo de Viver', teve de arranjar uma casa em Lisboa e eu comecei a dormir lá. Às tantas já ficava lá mais vezes do que na minha casa. Portanto, não foi aquela coisa: ‘Mãe vou sair de casa'. Foi acontecendo. Mas se não tivesse o trabalho que tenho, se calhar ainda vivia com os meus pais.

- O Diogo considera-se actor?

- Não. É impossível considerar-me actor. Eu gosto de pensar que sim, mas sou um aprendiz. Ainda não o sou porque me falta muito para lá chegar. Enervam-me um bocado aquelas pessoas que fazem uma novela e dizem que são actores.

- Mas o que gostava de ser era actor?

- Sim, era. Quer dizer, eu gostava era de ser uma superstar do ‘heavy metal', mas como não vivo nos Estados Unidos...

- A música é a sua paixão?

- Não. A minha grande paixão é representar. A música apareceu depois. Mas acompanha-me todos os dias, não consigo passar sem tocar bateria, guitarra ou baixo.

- Toca os três instrumentos?

- Sim, e dou uns toques no piano. Canto mal mas não desafino.

- Tem uma banda?

- Sim, chama-se Tropas da Sombra. Somos três, eu, um amigo, e outro que trabalha comigo na produção do ‘Curto Circuito'. Tocamos juntos há dois anos. Ainda não demos nenhum concerto porque não conseguimos arranjar um baixista.

- E o gosto que diz ter pela representação é intensificado pelo facto de viver com uma actriz?

- Sim, mas isso não é determinante. A representação é uma coisa que está dentro de mim.

- E ajuda a Ana Guiomar a decorar as falas?

- Tem de ser. Tenho de ajudá-la a decorar os textos.

- E elogia-a?

- Entre nós, e ela prefere isso, não há aquela coisa de elogiar por elogiar. Se ela esteve mal, eu digo-lhe que esteve mal. Não ponho ‘paninhos quentes'. Quando me pergunta o que eu acho, dou-lhe a minha opinião sincera.

- Já fez teatro?

- Já. Fiz teatro amador durante os tempos de escola, fiz a peça dos ‘Morangos', que andou um ano e meio a correr o País, e fiz ‘Confissões de um adolescente'. Não tenho experiência suficiente que me permita dizer que prefiro teatro ou novela. Neste momento, preferia fazer televisão, que é o meu meio.

- Mas o Diogo, que já afirmou não gostar de telenovelas, quer representar. Afinal, o que gostava de fazer?

- Cinema. Adoro cinema. Sou grande fã. Dos realizadores portugueses, gosto do João Botelho, os filmes dele são alternativos. E o cinema português está finalmente a caminhar para o sítio que se quer, cada vez se arrisca mais. Mas eu não tenho experiência em cinema.

- E filmes estrangeiros?

- Eu gosto de cinema alternativo e gosto do cinema foleiro, Van Damme, Stallone, e sou fã do Schwarzenegger. Adoro filmes dos anos 80 que não têm história nenhuma.

- Porque descontraem?

- Não. Porque desde miúdo vejo esses filmes. Acho lindo. Eles à pancada, eu ia para casa e imitava, andava à pancada com a almofada. Hoje em dia já vejo aquilo e rio-me, é tão básico. Mas filmes de eleição... Eu adoro banda desenhada, e há um filme que me marcou, ‘Os Guardiões'. E ‘A Origem', que é um filme bom em tudo, no guião, nos actores. Era esse o tipo de cinema que eu adorava fazer.

- E aquelas fotos em que aparece a fumar um ‘charro'?

- Não apareci a fumar. Foi um exagero da revista. Disseram que eu estava a fumar e não há nenhuma foto disso. Acho que foi ridículo. Tentaram queimar a minha imagem. Não tenho mais nada a dizer.

- Tem algum vício?

- Tenho. Roer as unhas. Roo-as, dizem, desde que nasceu o meu irmão.

- Têm uma relação conflituosa?

- Não. Acho que é normal. O meu irmão nasceu quando eu tinha sete anos. É normal para um miúdo de sete anos que era filho único e que de repente deixa de ser.

- Mas esse vício não passou?

- Não. Dou por mim a ver um filme e a roer as unhas.

- Fuma?

- Sim, fumo. Mas não bebo.

- E gosta mais da noite ou do dia?

- Da noite, mas não sou nada de sair à noite. Gosto de fazer um jantar em casa com os amigos.

- Prefere a noite porque ela lhe proporciona lazer?

- Sim. Durante o dia estou a trabalhar. Por isso, é à noite que tenho tempo para estar, para ver as minhas séries, jogar.

- PlayStation?

- Sim. Esse é outro vício. Mas não fico horas agarrado. Tenho jogos de ‘wrestling', também sou viciado nisso, e jogos como o ‘God of War'. Tenho um armário no qual guardo mais de 50 jogos.

- Pensa casar-se?

- Não.

- E ter filhos?

- Não. Eu não tenho jeito nenhum para crianças. Para mim, os bebés são todos iguais e não têm graça nenhuma, porque não fazem nada.

- Mas vive em união de facto.

- Sim, é quase como casar. O problema está na palavra casamento. Cria uma pressão. E eu não tenho filhos mas tenho um cão.

- De que raça?

- É um bulldog francês. É a coisa mais bonita que existe na Terra.

- Comprou-o ou foi oferecido?

- Tenho dois cães. Um deles não está comigo porque é enorme. É um shar pei. Ofereci-o à Guiomar e está na quinta dela. E este bulldog foi uma loucura da Guiomar, ela viu o cão e comprou-o sem pensar. É todo branco.

- Há alguma coisa que deseje para este ano?

- Gostava muito de voltar à ficção, de fazer uma novela, embora preferisse o cinema. E gostava de continuar na SIC.

- Mas não tem feito ficção por falta de convite?

- Eu tive convites para coisas que não aceitei, como a ‘Floribella' e ‘Rebelde Way', porque já tinha feito os ‘Morangos'. Mas durante algum tempo foi falta de convite. Depois entrei para o ‘Curto Circuito' e tornou-se mais complicado conciliar.

INTIMIDADES

- Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?

- Dave Mustaine, guitarrista dos ‘Megadeth', a minha banda preferida. Gostava de falar com ele sobre o estado do ‘heavy metal' hoje em dia, que é uma coisa que me preocupa.

- Não consigo resistir...

- Ao meu cão.

- Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?

- No feitio, se calhar mudava o mau acordar e a teimosia. E no corpo punha-me mais cheio. Eu alimento-me literalmente como um animal, mas não engordo.

- Sinto-me melhor quando...

- Quando estou entre amigos.

- O que não suporta no sexo oposto?

- O tempo que demoram a arranjar-se. Ainda hoje de manhã foi a mesma coisa. E a falta de confiança, quando isso é completamente ridículo.

- Qual é o seu pequeno crime diário?

- Roer as unhas e fumar.

- O que seria capaz de fazer por amor?

- Não sei. Não faço a menor ideia.

- Complete. A minha vida é...

- Uma loucura.

PERFIL

Diogo Valsassina tem 23 anos e estreou-se aos 11 como Artur Miranda na telenovela ‘Jardins Proibidos', na TVI. Participou em ‘Super Pai' ‘New Chat'‘Um estranho em casa'. Depois interpretou Rui em ‘Ana e os Sete' e António José Rochinha, o ‘Tójó', nos ‘Morangos com Açúcar', onde esteve dois anos. Seguiu-se ‘Ilha dos Amores', filmada em 2007 nos Açores, para a TVI. Há dois anos que apresenta o programa ‘Curto Circuito'SIC Radical

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