Investigação ao espancamento por encomenda a Sandra Silva. Agressores de amiga de Rui Costa deixaram rasto.
Nas perícias lofoscópicas que foram feitas na casa de Sandra Rocha da Silva, na Damaia, Amadora, invadida pelos dois homens que ali foram espancar a amiga de Rui Costa na manhã de 12 de Novembro, a PSP encontrou impressões digitais de pelo menos um dos agressores.
Os vestígios vão ser cruzados com a base de dados do registo criminal e, caso haja comparação positiva, a Secção de Homicídios da Polícia Judiciária de Lisboa chegará rapidamente aos executantes do crime, que terá sido encomendado num cenário de vingança. Caso este homem - português, branco, 30 a 40 anos, pela descrição da vítima - não tenha ficha criminal, a PJ terá de seguir outros meios de prova para chegar à sua identidade e, aí, comparar as impressões digitais.
Mas entretanto há outra pista que está a ser seguida pelos investigadores, e que diz respeito a documentos pessoais levados à vítima - além dos três telemóveis e do computador portátil: foram abandonados na zona de Santa Iria da Azóia, em Loures, o que pode dar uma indicação à Polícia Judiciária sobre a área de residência dos dois suspeitos.
Estes documentos, com a identidade de Sandra Rocha da Silva, 36 anos, foram encontrados no chão por uma mulher, que acabou por entregá-los na esquadra da PSP do aeroporto de Lisboa, onde trabalha. Há outros meios de prova a ser trabalhados no processo - ao mesmo tempo que serão chamados a prestar declarações a vítima e várias pessoas do seu círculo íntimo, entre elas Rui Costa, director desportivo do Benfica, conforme o CM avançou ontem.
Não restam dúvidas de que está em causa um crime de vingança, por encomenda, cujos contornos a polícia acredita terem origem passional. O objectivo da PJ será também chegar ao mandante do crime - e haverá relação com as ameaças de que a hospedeira da TAP foi alvo durante os últimos tempos. A PJ vai querer saber opormenores sobre o desfecho de algumas relações pessoais.
JUIZ É NUNO DIAS COSTA
As decisões a tomar sobre o processo deverão passar por Nuno Dias Costa, juiz de instrução criminal, numa investigação que está a ser coordenada pela 8ª secção do Departamento de Investigação e Acção Penal da Amadora.
Filho de um histórico investigador da PJ, Dias Costa fez parte dos colectivos de juízes, no Tribunal da Boa-Hora, Lisboa, que condenaram, entre outros, Maria das Dores e Pedro Inverno - a primeira, a 23 anos de cadeia pelo homicídio do marido; o segundo, a 19 anos, no processo de pedofilia do Parque Eduardo VII.
No caso das violentas agressões a Sandra Rocha da Silva, caberá ao Ministério Público decidir a configuração penal para o crime em causa, quando forem apanhados os autores: homicídio tentado ou ofensas à integridade física agravadas.
DEIXARAM FICAR O RAMO DE FLORES
Quando a PSP chegou ao local do crime, encontrou no chão o ramo de flores que serviu de engodo para Sandra abrir a porta de casa. O quarto, de onde levaram telemóveis e um portátil, estava todo desarrumado.
HAVIA SANGUE EM TODA A CASA
A vítima foi encontrada pelos agentes no interior da cozinha, coberta de hematomas em resultado das violentas agressões com socos e pontapés por todo o corpo. Havia sangue espalhado pela casa.
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