page view

Filipa Lemos e a "culpa" no suicídio do irmão

Cantora recorda o irmão e admite que se tivesse em Portugal na altura da sua morte talvez se tivesse apercebido de que algo estava para acontecer.

29 de março de 2024 às 19:49

Mais de três anos depois da morte de Tony Lemos, fundador dos Santamaria, Filipa Lemos, a irmã do músico e cantora do grupo, continua sem conseguir fazer o luto. A vida presseguiu, a nível pessoal e profissional, mas a ausência de Tony Lemos continua a fazer-se notar. "Às vezes dou por mim a virar-me de costas para o público como fazia muitas vezes em direção ao meu irmão. E quando de repente caio em mim é que me apercebo que ele já não está lá. Tem-me custado muito, até porque era com ele que eu discutia os assuntos e a orientação da banda. Ele era o meu braço direito", diz a cantora de 44 anos. No próximo dia 6 de Abril, os Santamaria assinalam 25 anos de carreira com um espetáculo especial no Coliseu de Lisboa, e nele Tony Lemos será obviamente lembrado. "É um espetáculo que, sendo comemorativo, terá também uma parte alusiva e dedicada ao meu irmão. Acho que ele estaria muito feliz por perceber que a banda conseguiu chegar ao quarto de século", revela Filipa. Se é verdade que a morte de Tony Lemos, que se suicidou em 2020, apanhou de surpresa o mundo da música, o drama do seu desaparecimento ainda hoje toma de assalto a cantora. "Eu estaria a mentir se dissesse que já consegui fazer o luto do meu irmão. Não o fiz porque ainda não consegui ter capacidade de encaixe para aquilo que aconteceu. Desde os cinco anos que fazia a minha vida pessoal e profissional com ele. O mundo da música foi-me apresentado pelo meu irmão. Ele era o meu melhor amigo" confessa Filipa que hoje admite algum sentimento de culpa por na altura da morte de Tony estar a viver no México. "Eu não sei se o desfecho não teria sido o mesmo, até porque eu não vivia com ele, mas se estivesse por perto talvez me tivesse apercebido de algumas coisas. Por isso sinto alguma culpa com tudo o que aconteceu". Explicar o que se passou ainda hoje é uma tarefa difícil, mas a verdade é que havia alguns indícios. "O meu irmão passou por fases muito complicadas. Os momentos depressivos dele começaram com a separação da mãe dos filhos mais velhos, em 2017. Ele nunca se divorciou dela e teve ali um choque" diz. "O meu irmão era uma pessoa que estava habituada a que os alicerces dele não abanassem e que lidava muito mal com as adversidades. Quando levou aquele choque foi muito abaixo. Acho que nunca vi um homem sofrer e chorar tanto como ele. Depois passou por fases em que não queria ir para o palco e que eu tinha que o obrigar. Eu arrastava-o um bocado. Por causa de eu ter estado ausente e depois de se ter metido o covid pelo meio, sem que as pessoas pudessem viajar como queriam, houve coisas que eu não me apercebi e que ele me conseguiu esconder. E isso dói-me até agora". Para trás ficam agora as memórias, incluindo as de quando Filipa Lemos e o irmão começaram a cantar juntos na dupla Tony e Marlene: "Na altura ninguém nos conhecia. Era difícil ser artista e havia até muita maldade por parte de colegas nossos que olhavam para nós como artistas inferiores e que até boicotavam o que fazíamos. Esse caminho dos meus cinco anos até aos 17 teve muito pedregulho que nos obrigou a aprender muita coisa", lembra.       

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8