Aos 33 anos, a actriz brasileira faz uma pausa na carreira para se dedicar a 100 por cento à maternidade. Felipe, de 8 meses, é o seu primeiro filho.
Aos 33 anos, a actriz brasileira faz uma pausa na carreira para se dedicar a 100 por cento à maternidade. Felipe, de oito meses, é o seu primeiro filho, mas Lavínia já faz planos para aumentar a família que construiu com o economista Celso Neto.
- Mais uma vez, está de passagem por Portugal...
- Sim, mais uma vez nesta terra maravilhosa.
- Desta feita foi uma visita muito curtinha, para divulgar um concurso de cabelos. Quando é que regressa com mais tempo?
- Em Novembro. Nessa altura posso aproveitar melhor para comer bem e beber uma taça de vinho. Sempre que venho a Portugal aproveito para ‘me jogar’... Seria pecado fazer dieta cá, pois a comida é maravilhosa. Depois chego ao Brasil e ‘malho’ para compensar. Aqui não tem como...
- Mesmo tendo sido dois dias, não veio sozinha...
- Vim com o meu marido, Celso Neto.
- E o filho?
- Ficou no Brasil.
- Foi a primeira vez que se separou dele?
- Sim, e tenho o coração nas mãos: custa muito, morro de saudades. Mas quero dar o exemplo para o meu filho, a mãe tem de trabalhar, o que se pode fazer? A vida é assim, se se quer alguma coisa tem de se trabalhar para conseguir. Não tem outro jeito. Mas o Felipe é pequeno [oito meses], não tem ainda noção do tempo; e, além do mais, está a ser apaparicado pelas avós, está na casa dele, onde se sente seguro, com os seus brinquedos. Ele está óptimo, quem fica triste sou eu. Mas ainda bem que vim para um sítio de que gosto muito, assim é mais fácil superar as saudades.
- É difícil conciliar a sua carreira com a maternidade?
- Muito... Porque não é somente o tempo que passamos no set de filmagem, no palco, pois chega-se a casa e o trabalho continua. Por exemplo, quando se faz uma novela temos de decorar 80 páginas por dia em muito pouco tempo, ou seja, é uma loucura. Chegar a casa, ter de dar atenção ao texto em vez de a dar ao meu filho é bastante complicado. Porém, é algo que eu e todas as mulheres do Mundo passam. Só nós, mães, sabemos o que é isso.
- O Felipe reconhece-a na televisão?
- Ainda não o pus a ver. Evito que ele veja televisão, prefiro estimulá-lo de outra forma: com livros...
- Neste momento, voltamos a vê-la numa novela com a reposição de ‘Mulheres Apaixonadas’. O que é que sente ao relembrar a ‘Estela’, a sua personagem?
- Fico feliz, saudosa, foi um momento profissional tão gostoso, era uma personagem diferente e, ao mesmo tempo, sentia-me confortável naquela pele. Era tão engraçada, as roupas eram diferentes, tudo na ‘Estela’ era diferente de mim, mas era tão curioso o facto de me sentir tão à vontade.
- Neste momento, como está a sua carreira, uma vez que fez uma pausa para ser mãe?
- Estou a ir devagar. Fui mãe depois dos 30, trabalho desde os 15, então sinto-me confortável em poder tirar um tempo e dedicar-me ao Felipe. É um tempo que já não volta, ele nunca mais vai ter oito meses. Tenho de aproveitar essa fase, curtir isso. Graças a Deus, se a cabeça permitir, tenho uma profissão em que posso trabalhar até aos 80/90 anos. Sempre acreditei e continuo a acreditar que tudo na vida tem a sua hora e o seu tempo e agora é hora de ser mãe, de curtir o meu filho. Porque vai chegar uma altura em que ele não vai querer estar comigo mas sim com os amigos.
- No entanto, nestes últimos oito meses já trabalhou?
- De forma gradual. Antes de vir para cá, acabei de fazer um filme da Xuxa, chamado ‘Fantástico Mistério’, voltado para o público infanto-juvenil. Eu faço a ‘Bela’ de ‘A Bela e o Monstro’, foi muito divertido.
- Antes de ficar grávida estava na TV Record mas falou-se de que poderia voltar para a Globo.
- Tive uma reunião com a emissora, eles queriam renovar o contrato. Fiquei feliz com o interesse deles, mas eu gostaria de ter um pouco mais de controlo sobre as coisas que eu faço. Tudo na vida tem um lado bom e outro lado não tão bom, e claro que ter um contrato dá outra segurança e estabilidade. Mas, em compensação, é-se obrigado a fazer coisas que não seriam as suas primeiras opções. Estou num momento em que gostava de escolher o que vou fazer, tomar as rédeas da minha carreira.
- Esse regresso, mais concretamente às novelas, está adiado...
- Posso, até de repente, voltar a fazer algo mais tranquilo, mas será pontual. Não me vejo a, por enquanto, ter um contrato a longo prazo.
- Quer dizer que, apesar de estes últimos 15 anos de trabalho terem sido bons, vai dedicar-se mais à vida pessoal?
- Claro. Cada coisa a seu tempo, e agora é tempo de cuidar do meu filho, tempo de ser mãe.
- Foi mais difícil do que imaginava, de facto, ser mãe?
- As pessoas fazem isso há milénios, não é um bicho de sete cabeças. Mas agora é ‘mole’, quero ver lá mais para a frente, quanto tiver de dizer não e ele medir forças. As crianças aprendem a testar os limites do Mundo através dos limites dos pais.
- O Felipe tem só oito meses mas já mostra vontade de ter um segundo filho...
- Não queria dar muito espaço entre um e outro, gostava que crescessem próximos. Então, planeamos dentro de um ou dois anos ter outro filho.
- Quando soube que estava grávida não tinha preferência no sexo. E agora já tem?
- Adoraria que a seguir viesse uma menina, seria lindo ter um casal, mas o que o Pai do Céu quiser está muito bom. Só peço que venha com saúde.
- O Felipe vai fazer um ano no mês de Dezembro. Este ano foi bom para si?
- Tem sido mesmo um ano excelente.
- Acaba de completar dois anos de casada com o economista Celso Neto, com quem já está junta há oito...
- Vamos fazer nove em Janeiro. Eu já me considero casada. A vontade de oficializar foi algo que surgiu recentemente.
- E o Celso também gosta de Portugal?
- Adora, ele já cá tinha vindo uma vez comigo e ficou fascinado. Somos companheiros de mesa e aqui não há melhor.
- O Celso também compartilha da vontade de ter uma menina?
- Sim, claro. Nós pensamos da mesma forma. Escolhi um bom companheiro, um homem maravilhoso que é parecido comigo. Nós temos muitas afinidades. Dizem que os opostos se atraem, pode até ser, mas eu digo que os similares é que se atraem mais ainda.
- Nesta fase diz que está muito dedicada ao seu filho mas também é uma óptima altura para se dedicar ao seu marido. Calculo que não seja fácil conciliar as duas profissões...
- Claro... São mundos diferentes, ele é economista. Eu, enquanto aproveito o meu menino, aproveito o grande também (risos).
- Enquanto esteve grávida, aproveitou para fazer algumas campanhas, nomeadamente uma em que apelava aos brasileiros a votarem...
- Eu acho muito contraditório que as pessoas reclamem que o país está complicado, que não fazem o que deveria ser feito, que os governantes não governam como deveriam... Reclamam mas ao mesmo tempo não tomam as rédeas, não exercem os seus direitos. Muitas pessoas votam em branco, anulam o voto, e eu acho importante que se exerça. Toda a gente tem esse direito. E como a nossa situação está muito complicada, o Brasil precisa melhorar em vários sentidos, é importante que o povo exerça esse direito de escolher quem vai governar, de tentar escolher a melhor pessoa para comandar a sociedade. Não dá para se deixar simplesmente a sua cidadania nas mãos dos outros.
- Com isto quer dizer que é uma mulher de acção...
- As pessoas acham que a felicidade está em terceiros, dizem ‘por causa disto ou daquilo eu não sou feliz’. São tudo balelas. A vida é um cavalo desgovernado que se você não montar nele, levá-lo até à felicidade, ele não vai sozinho, ele vai para onde quer. Então, é preciso guiar a vida para onde se acha que ela tem de ir.
- Nos últimos tempos temos portugueses a trabalhar como actores no Brasil e vice-versa. Como vê este actual intercâmbio?
- ‘Superlegal’. Sou a favor desse intercâmbio, todos temos a aprender com os outros. É óptimo que as barreiras estejam a ser apagadas nesse sentido.
- Nesta passagem por Lisboa teve oportunidade de passear? As pessoas reconhecem-na na rua?
- Sim, as pessoas são muito simpáticas. O carinho do povo português é muito bom. São pessoas que vêm falar com muito respeito.
- Veio promover uma marca de champôs. É uma mulher preocupada com a imagem?
- Claro, principalmente em mudar a minha imagem a cada personagem. Como não posso mudar o nariz, a boca, acabo por usar o meu cabelo. Por isso, tenho muitos cuidados para o manter saudável.
- Começou a trabalhar aos 15 anos como modelo. Naquela altura acreditava que ia chegar até aqui?
- Sempre quis ser actriz. Inclusive, comecei a trabalhar na moda para poder ganhar dinheiro para pagar os meus cursos de teatro, de representação. Já estudo interpretação há muitos anos mas com 15 anos comecei cursos profissionalizantes. É engraçado ver que eu comecei com 19 anos a actuar e hoje tenho 33 e continuo a trabalhar. Não me vejo a fazer outra coisa. Costumo dizer que se não fosse actriz seria frustrada. Peço a Deus que eu continue a ter a felicidade de conseguir pôr o pão na mesa a fazer uma coisa de que eu gosto.
- É uma das actrizes mais conceituadas das novelas brasileiras. Acha que o actor acaba por ter um papel na sociedade?
- Claro que sim, por isso aceitei fazer a campanha grávida. Não estou aqui para impor o meu pensamento, mas já que tenho uma parcela de notoriedade, pelo menos posso dizer o que penso. O que eu puder fazer para mudar o futuro - que é onde o meu filho vai viver e crescer -, eu faço.
REFLEXO
- O que vê quando se olha ao espelho?
- Uma pessoa simples, a querer ser feliz.
- Gosta do que vê?
- Gosto. Não tenho de que me queixar. Sou saudável, vejo, ando, falo, vou mesmo reclamar de quê?
- Alguma vez lhe apeteceu partir o espelho?
- Algumas vezes, claro. Não são todos os dias que acordamos com o melhor dos humores. O ser humano é multifacetado e nada na vida é unilateral, e eu não sou excepção. Claro que algumas vezes tive vontade de partir o espelho mas não o fiz.
- Quem gostaria de ver reflectido no espelho?
- A minha família, com saúde.
- Pessoa de referência?
- Deus, lógico...
- Um momento marcante na vida.
- O nascimento do meu filho, Felipe.
- Qualidade e defeito?
- Sou de uma lealdade canina, determinada... e preguiçosa.
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