Apresentadora relata abuso do especialista que a seguia, há nove anos.
Nove anos depois de o caso ter acontecido, Leonor Poeiras decidiu juntar-se ao movimento de denúncia de assédios sexuais, e revelar as mensagens de teor erótico que recebeu do seu então psicanalista, Frederico Pereira. "Era frequente trocarmos SMS ao domingo. Eram sessões muito íntimas: a terapêutica freudiana é assente num autoconhecimento que vem da nossa sexualidade. Entreguei-me por completo a esta pessoa", recordou ao jornal ‘Expresso’, revelando o teor das mensagens que recebeu e que a deixaram incomodada.
"Estava na Costa de Caparica de férias numa cabana, para desanuviar. Ele sabia disso. Recebi um SMS dele às 4h32, nunca mais me esqueci... A mensagem, que tenho guardada, foi: ‘Acordo, inquieto. Ao umbigo do sonho liga-se uma imagem: a sua. Pensamento em turbilhão, desconexos: cabana solitária, porque não me convidas a visitar - uma manhã? Porque não me convida...? Porque não... Não sei o que digo, não sei o que penso. Perdoe-me esta intrusão em paisagens que são tão suas...", recordou, garantindo que o conteúdo da mensagem a "chocou profundamente". Leonor Poeiras pensou denunciar o psicanalista, mas recuou após ser alertada que Frederico Pereira podia expor o conteúdo das consultas publicamente.
Ao ‘Expresso’, o especialista negou as acusações de que é alvo e descreveu Leonor como "uma paciente profundamente perturbada". "Esse assunto ficou por aí. Não tem nenhuma insinuação sexual."
"Tentou tocar-me, beijar-me"
Débora Monteiro recordou que foi importunada por um superior hierárquico de uma produção televisiva, que a começou a ‘atacar’ após ter rejeitado as suas investidas sexuais. "Tentou tocar-me, beijar-me. Como não lhe dei retorno, passou a chamar-me de burra em frente à equipa. Os colegas aperceberam-se, mas não souberam proteger-me. Talvez também com medo de perderem o emprego se interviessem", recordou.
Rejeitou convite para encontro
O episódio em que Joana Seixas foi assediada aconteceu depois de se ter divorciado. "Um diretor de Ficção de um canal televisivo pôs-me em contacto com um ator muito famoso brasileiro." A atriz não gostou de ter o seu "número de telefone divulgado sem autorização, como quem diz: ‘um dia vais ter de te encontrar com ele’". "Chegaram a tentar combinar um encontro comigo num lobby de hotel, ao qual eu não cedi", garantiu.
"Punha a mão no meu corpo"
Joana Solnado tem 37 anos, mas não esquece quando, aos 17 anos, foi assediada sexualmente por um professor do curso de Teatro. "O professor punha repetidamente a mão num sítio e noutro do meu corpo, o que me deixava bastante desagradada. Ele era um ator conhecido, mas já morreu. Lembro-me de lhe pedir duas vezes: ‘Olhe, não faça isso, se faz favor’. Não pareceu ter ouvido. Nunca mais fui às aulas", confessou.
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