Cantora edita 'So Much Has Changed' e em entrevista à Vidas recorda início da carreira e a influência dos pais.
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Foi um disco escrito a chegar aos 30 anos e que representa um bocadinho uma nova fase de vida e uma maneira diferente de ver o mundo.
É esta dos 30 (risos) e perceber que se calhar temos de ver a vida com a outra leveza.
As coisas estão a acontecer naturalmente e progressivamente. Tudo tem acontecido à medida que eu vou trabalhando e acho que tudo tem feito sentido. O 'Kiss Me' (primeiro single) foi escrito numa altura em que precisava de abrandar, precisava de dedicar mais tempo a mim mesma, quando vivia muito para os outros. Não tem a ver com o abrandar o ritmo de vida, mas aprender a escolher-me a mim também e a entender o que eu preciso. No fundo passar mais tempo comigo.
É a minha maneira de processar sentimentos. A música é um outlet onde eu processo as coisas que vou sentindo, não só as coisas tristes, mas também as mais felizes. Este disco, por acaso, até está num lado mais feliz do que os anteriores.
Basicamente vou deitando para fora aquilo que vou vivendo. Faço-o através da música, seja à guitarra ou ao piano. Normalmente acaba por sair música e letra em conjunto.
Se tiver muito coisa a fervilhar na minha cabeça não interessa muito o local onde estou. Acaba sempre por sair. Posso escrever nas notas do telemóvel ou num papel, mas não preciso de nenhum ambiente especifico para compor.
Eu acho que são as duas coisas. Aquilo que nos rodeia, consequentemente faz-nos sentir coisas.
Teve tudo muito a ver com as redes sociais. Eu comecei no Instagram em 2016, fui publicando videos a cantar e a tocar e progressivamente isso levou outros artistas a conhecer o meu trabalho. Fui recebendo mensagens e fui criando algumas relações.
Não consigo escolher uma preferida, mas se calhar a que mais me surpreendeu foi com o Eric Clapton, até porque nem fui eu que o abordei. Eu tinha publicado um vídeo a cantar o 'Tears in Heaven', vídeo esse que chegou ao Eric, que ouviu e que me contactou a pedir-me uma versão completa. Como na altura, estávamos na pandemia, e eu estava a fazer uma série de vídeos para o Youtube, perguntei-lhe se ele não queria fazer uma versão completa comigo. E ele aceitou. Mas todas as parcerias foram muito especiais.
Vai ser a apresentação deste disco novo, mas que também vai contemplar os discos anteriores. Vai ser uma digressão já em formato banda, com cinco elementos, quando aquilo que andava a fazer ao vivo eram digressões com três guitarras. Agora vai ser um espetáculo mais montado e mais pensado do início ao fim. Vai ser um espetáculo um bocadinho maior mas sempre com este lugar intimista que tenho conseguido manter.
Eu vivi em Los Angeles em 2018 e voltei a viver em 2025. Mas tenho vivido em vários sítios, com Brasil ou Paris. Agora estou em Lisboa mas na verdade ando sempre de um lado para o outro.
Esse vem comigo para todo o lado. Portugal nunca sairá de mim. Eu posso ir viver 30 anos para o Japão que vou continuar a ser portuguesa. Vivi em Portugal até aos 20 sem nunca ter saído e isso está sempre presente. Mesmo quando estou fora estou sempre em contacto com a minha família, ouço sempre música portuguesa, leio livros em português, vejo cinema português e por isso há sempre um contacto constante com Portugal e com a cultura portuguesa.
Acho que tudo começou até numa área mais clássica, até porque que comecei a estudar piano aos 4 anos numa escola de música. Esse foi o meu primeiro instrumento. Mas os meus pais mostravam-me muita música, tanto ouvia Tracy Chapman no carro da minha mãe, como Beatles no carro do meu pai. Eu estive sempre muito exposta a música do mundo inteiro desde pequena. Ainda por cima a minha mãe era professora de música, embora de um lado mais clássico e o meu pai estava sempre a tocar guitarra.
Aos 19 anos, embora eu tivesse começado a escrever aos 11. Na altura, no entanto, era um quase diário de criança. E foi assim que fui fazendo música, mas uma coisa ainda muito escondida. Aos 17/18 percebi que se calhar podia fazer isto publicamente, apesar de ter muita vergonha, mas aos 19 anos anos é que me deu esta epifania. Nada me movia tanto quanto a música. Eu chegava ao ponto de ouvir coisas que gostava e não conseguir dormir à noite. Aos 19 decidi então ir para a Berklee College of Music (Boston) e aos 20 quando optei por ir efetivamente estudar para fora é que assumi que não podia mais ter vergonha.
Foi na festa de uns amigos que me pediram muito, mas a minha voz tremia tanto que eu quase não conseguia cantar. Mas o meu primeiro concerto a sério foi no Mexfest [festival em Lisboa] em 2013. Ainda foi muito sem coragem embora tenha cantado duas músicas originais. Contudo, foi um concerto muito pequenino às seis da tarde. Os concertos maiores foi mesmo quando fui para a Berklee, em 2015, em que dávamos concertos na escola abertos ao público.
Guardo excelentes memórias. A minha ideia era mostrar a Portugal um bocadinho do meu trabalho porque o meu trabalho era mais conhecido fora do meu pais. E o que aconteceu foi uma grande surpresa para mim. Representar depois Portugal na Eurovisão foi uma coisa mágica. Foi um momento de carreira que nunca vou esquecer.
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