A política não ficou de fora da 68ª edição dos prémios mundiais da música.
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Na 68º edição dos Prémios Grammy, entregues numa daquelas noites de gala em que a ousadia vale mais do que mil palavras, na madrugada de segunda-feira, em Los Angeles, houve lugar para tudo e mais alguma coisa: discursos anti-ICE, ameaças, homenagens póstumas, atuações de boxers, vestidos com falta de pano, e até ADN português.
Começando pela roupa, ou melhor, pela falta dela: Chappell Roan, impressionou com um vestido de preso pelos piercings dos mamilos. A peça escolhida pela cantora e compositora norte-americana foi assinada pela Mugler mas a sua notoriedade deve-se, em grande parte, a um criador português, Miguel Castro Freitas, atual diretor criativo da 'maison' francesa. O modelo foi visto, pela primeira vez, num desfile de alta costura do atelier em 1998, vestido na altura pela modelo Erica Vanbriel, mas foi agora respescado pelo criativo português para a coleção da marca dedicada à próxima estação quente de 2025-2026.
Não foi caso único. Karol G superou o favoritismo de Bad Bunny na corrida aos Grammy e até venceu o prémio para Canção do Ano mas foi o vestido, coleante e transparente, que a pôs nas galerias dos momentos apotéticos dos Grammy. Justin Bieber, talvez farto deste inexplicável protagonismo feminino, resolveu também despir-se e, apesar de ter ido de smoking preto, acabou a atuar de meias e boxers azuis. Até parecia festa de passagem de ano.
No que diz respeito ao talento nacional, uma das estatuetas douradas reconheceu o português Nuno Bettencourt, por unanimidade considerado um dos melhores guitarristas do Mundo e que venceu com a interpretação, ao vivo de 'Changes', clássicos dos Back Sabath no concerto de despedida do cantor britânico Ozzy Osbourne, que faleceu em julho. Cantanto em português, também Maria Bethânia e Caetano Veloso ganharam o prémio de melhor álbum de música global. O vídeo de telefonema de Caetano para a irmã, a dar-lhe a notícia, anda a correr mundo, pela surpresa genuína dos dois consagrados artistas brasileiros.
O rapper Kendrick Lamar foi o grande vencedor da noite, ao juntar mais cinco prémios ao currículo, mas foi o discurso de Bad Bunny o que mais deu que falar. O artista porto-riquenho conseguiu o galardão para o primeiro disco totalmente em espanhol mas no agradecimento referiu-se ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA de forma pungente “Antes de agradecer a Deus, vou dizer: ICE out. Não somos selvagens, não somos animais, não somos extraterrestres... Somos humanos e somos americanos. E quero também dizer às pessoas: eu sei que é difícil não odiar nos dias de hoje, e estava a pensar que, por vezes, ficamos ‘contaminados’ — não sei como dizer isso em inglês. O ódio torna-se mais forte com mais ódio. A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor”, disse. Todavia, foi o comediante e apresentador Trevor Noah que se tornou o alvo da ira de Trump, por causa de uma piada sobre a “ilha de Epstein”. O presidente já prometeu vingança: “Vou enviar os meus advogados para processar este pobre e patético apresentador sem talento… Prepara-te, Noah, vou divertir-me contigo!”, escreveu nas redes sociais.
Trump ameaça processar comediante
Numa noite com muita política à mistura, coube ao comediante Trevor Noah ser o alvo da ira de Donald Trump, por causa de uma piada sobre a ‘ilha de Epstein’. O Presidente já prometeu vingança: “Vou enviar os meus advogados para processar este pobre e patético apresentador sem talento… Prepara-te, Noah, vou divertir-me contigo!”. Mesmo assim, Bad Bunny conseguiu o primeiro galardão para um disco em espanhol e proferiu um inflamado discurso de protesto contra o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) dos EUA: “Antes de agradecer a Deus, vou dizer: ICE out. Não somos selvagens, animais ou extraterrestres. Somos humanos e somos americanos. É difícil não odiar nos dias de hoje. A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor.”
Português entre os grandes vencedores
Uma das estatuetas douradas foi entregue ao português Nuno Bettencourt, considerado um dos melhores guitarristas do Mundo, que venceu com a interpretação, ao vivo, de ‘Changes’, clássico dos Black Sabbath, no concerto de despedida do cantor britânico Ozzy Osbourne. Bettencourt subiu ao palco com a viúva, Sharon Osbourne, e os companheiros de tributo - Yungblud, Frank Bello, Adam Wakeman e o baterista II. A cantar em português, também Maria Bethânia e Caetano Veloso ganharam o prémio de melhor álbum de música global.
Discursos criticam ações do ICE
Muitas celebridades, incluindo Justin e Hailey Bieber, Kehlani e Billie Eilish, envergaram pins de protesto contra a ação do ICE. “Ninguém é ilegal em terras roubadas”, disse a cantora Billie Eilish ao receber o prémio para Música do Ano por ‘Wildflower’. “É muito difícil saber o que dizer ou o que fazer agora [...], mas precisamos de continuar a lutar, a manifestar-nos e a protestar.”
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