Realizada, feliz e com muitas expectativas em relação ao futuro. É este o estado de espírito da actriz
Realizada, feliz e com muitas expectativas em relação ao futuro. É este o estado de espírito da actriz, que, ao mesmo tempo que vive em pleno o papel de mãe, está ávida de novos projectos profissionais.
A sua filha, Miranda, nasceu há dois anos. Como é que descreve o papel de mãe?
É uma viagem diária. É um papel que vai mudando todos os dias, que vai crescendo. Nunca deixo de ser mãe, mas também nunca deixo de ser Sandra e de ter a minha vida. Tudo se vai fundindo. Agora jamais irei deixar de ser mãe.
Já tinha idealizado a maternidade?
Não tinha, até porque nunca quis ser mãe. Nunca foi o meu ideal. Foi algo que senti a determinada altura e com a pessoa com quem estou [é casada com o artista plástico António Jorge Gonçalves], portanto tive vontade. É maravilhoso. Agora penso ao contrário: como é que alguma vez pensei que não queria ser mãe. Mas também acho que não é para toda a gente. É muito exigente.
Quando a bebé nasceu, a Sandra preferiu desligar-se do lado profissional para ser mãe a 100%...
Sim, mas foram só sete meses, em que estive totalmente parada. Depois recomecei a trabalhar, com a intensidade que foi permitida. Fiz televisão e teatro.
Achou que era essencial acompanhar todos os momentos da Miranda?
Era uma coisa que não sabia, mas achei importante estar dedicada a ela. Não só por ela, mas também por mim. Senti essa necessidade. Acho que, em geral, as mulheres têm essa necessidade. Foi bom. Depois disso, também foi bom sentir que dei tempo de qualidade à minha filha. Recomeçar a trabalhar também é importante.
É uma mãe-galinha?
Sim, sou uma mãe-galinha, mas também sou uma pessoa que gosta muito do que faz. Esta profissão é muito egoísta, portanto são dois aspectos da minha vida que às vezes se digladiam um bocadinho.
Para ser uma boa mãe, também tem de se sentir realizada profissionalmente...
Sim. Para mim, sim, seguramente. Jamais me sentiria bem se agora me dedicasse só a ser mãe e dona de casa. Não é de todo a minha vida. Mas também sei que é importante ter tempo de qualidade com os filhos.
E nesse tempo de qualidade, o que faz com a Miranda?
Faço muitas coisas. Vou descobrindo o que é preciso também. As crianças têm as suas limitações.
Ela está num infantário?
Está mais ou menos. De vez em quando está numa espécie de classe de sociabilização, outras vezes está com os avós. Tanto os meus pais como os pais do meu marido, que nos dão imensa ajuda, são uns avós muito presentes. Mas também queremos que ela conviva com outras crianças, por isso, quando fizer três anos vai para uma creche. Além disso, eu e o meu marido temos conseguido exercer os nossos trabalhos e ao mesmo tempo estar com ela. Tem sido um privilégio.
A Miranda só tem dois anos, mas já dá para perceber se herdou alguns aspectos da sua personalidade?
Ela tem a personalidade dela. Nós pais é que nos projectamos imenso nos nossos filhos. Obviamente que eles têm coisas nossas. A genética está lá e é muito forte, mas não é a única coisa. Acho que as pessoas já nascem com uma predeterminação.
Recuperou quase imediatamente a forma depois de ter sido mãe. Como é que conseguiu?
Não imediatamente. Fiz o meu processo, levei o meu tempo. Mas fiz um esforço. Fiz muita ginástica logo depois de ter tido a minha filha. Fiz tratamentos e dieta assim que deixei de dar de mamar. Não sou daquele género de mulheres que sai da maternidade já bem.
Então fez mesmo questão de recuperar a silhueta.
Fiz. É importante tanto para a minha profissão, quanto para mim. Como pessoa, sempre senti necessidade de estar bem. De facto, é uma mudança muito grande no corpo da mulher, por isso é preciso ter calma também. Todos os organismos têm um processo e um tempo. Não se pode stressar muito, mas é preciso fazer um esforço. Se ficarmos sentadas à espera que aconteça, não acontece.
Lidou bem com essas transformações?
É um bocadinho forte a transformação de um processo de gravidez e o pós-gravidez, mas faz parte. Temos de ter jogo de cintura nas mudanças na nossa vida.
É uma mulher vaidosa?
Muita vaidosa mesmo. Mas tanto sou capaz de ser muito vaidosa como me posso estar a borrifar e andar de fato de treino durante uma semana e sair assim à rua. Quase só me maquilho para trabalhar, mas sou vaidosa, sim. A vaidade é uma qualidade e não um defeito. Obviamente que cada pessoa faz das coisas uma qualidade ou um defeito dependendo da forma como as usem. A vaidade pode fazer de nós melhores pessoas. A vaidade de fazermos coisas bem feitas, vaidade no nosso trabalho...
Costuma fazer exercício físico?
Sim, costumo ir ao ginásio. Gosto mesmo de desporto. Tenho de fazer sempre qualquer coisa, senão há uma tensão que não me sai do corpo. Mas também faço tratamentos com alguma regularidade, como massagens, drenagem... Agora há muita coisa ao nosso dispor.
Já recorreu à cirurgia estética?
Não. Nunca fiz uma cirurgia sequer.
E no futuro, se sentir necessidade, fará?
Nunca pensei muito no assunto. Não tenho uma opinião completamente formada em relação a isso. Faz-me um bocadinho de impressão a maneira como ainda estão as coisas. Gosto de pensar que no futuro as coisas melhoram porque a idade vem e nós gostamos de a atrasar. Há coisas que podemos ir fazendo, como praticar uma alimentação saudável e fazer desporto. Mas gostava que a questão da cirurgia plástica evoluísse um bocadinho e não fosse uma coisa tão de corte. Não faço nenhum juízo crítico de nada, cada um decide o que quer, mas gostava que inventassem uma coisa em que as células se regenerassem.
Há alguma coisa que gostasse de mudar?
Tento fazer tudo o que posso para me manter como gosto. É óbvio que gostava de erradicar completamente a celulite, que é uma coisa que nós mulheres temos e não nos livramos dela. Gostava de eliminar os pêlos. Mas tirando isso, não sou uma pessoa descontente e acho que é importante aceitarmo-nos.
As pessoas conhecem-na das novelas. Como é a Sandra fora do ecrã?
Terei sempre alguma coisa das minhas personagens mas sou outra pessoa. Na ficção encarno personagens. Na minha vida real tenho defeitos e qualidades. Gosto muito de dormir, sou muito gulosa, gosto muito dos meus amigos, de viajar. Tenho maus dias e melhores dias como toda a gente. É sempre difícil falar de mim. Sou de signo Aquário.
Qual é a sua maior qualidade?
Talvez seja ter uma grande abertura em relação à vida em geral, no sentido do gosto pela liberdade, o que também me permite ter algum jogo de cintura em algumas situações.
Significa que é uma mulher tolerante?
Não tem a ver com isso. Até acho que estou menos tolerante em relação a algumas coisas e mais em relação a outras. As coisas vão mudando. Aceito as pessoas sem julgar. Tenho aprendido muito isso. Sobretudo na minha profissão, não podemos julgar as pessoas porque qualquer um de nós em determinadas condições e circunstâncias poderá fazer coisas que nunca pensou. A questão do bom e do mau é muito subjectiva.
Tem muitos amigos?
Tenho poucos e bons. Sou do género tímida, embora já tenha superado isso um bocadinho. Também sou reservada e isso às vezes é interpretado no mau sentido. Sou muito contida e as pessoas podem achar que sou antipática, indisponível, mas não. É uma reserva natural e uma timidez. Amigos do coração não tenho de facto muitos. As pessoas de que gosto e que gostam de mim sabem bem quem são.
Em termos profissionais, o que tem estado a fazer?
Já estreei o monólogo ‘Vai Vem' em Julho, encenado por José Wallenstein, e quero ver se o ponho a rodar pelo País. Entretanto, fiz dois filmes para o ‘Fá-las Curtas', da RTP 2. Agora estou mais parada, à espera que surjam coisas, e estou a fazer um curso de representação com um americano que está em Portugal durante seis meses
Já houve alguma entidade a mostrar interesse no seu monólogo?
Já houve interesses, mas as coisas modificaram-se agora por causa dos cortes de orçamento. É um monólogo muito particular. Deu muito gozo. Era uma coisa que tinha muito medo enquanto actriz, mas sobrevivi e bem. Tivemos muito bom ‘feedback'.
E em relação à televisão, tem saudades?
Tenho muitas. Já estava pronta para recomeçar. Ainda por cima, como estou a fazer um curso que me dá imensa vontade de pôr em prática...
Porque é que acha que não têm surgido oportunidades?
Acho que as coisas estão paradas. Há menos trabalho, de facto. Acho que posso ler desta maneira. Tento não pensar no pior. Um dia destes há-de aparecer qualquer coisa interessante para fazer.
Tem vontade de voltar a ser mãe?
Neste momento estou muito absorvida com a minha filha. Para já não penso muito nisso. Estou mais concentrada nela, que já me dá imenso trabalho e me exige muito. E estou com muita necessidade de trabalhar. O meu lado de actriz precisa muito de se cumprir neste momento, mais do que ser mãe novamente.
INTIMIDADES
Quem gostaria de convidar para um jantar a dois?
O meu marido, claro.
Não consigo resistir a...
Pastéis de Belém. São mesmo irresistíveis e deliciosos, não posso passar nem perto deles.
Se pudesse, o que mudava em si, no corpo e no feitio?
No feitio, tirava 50% de orgulho e teimosia. No corpo, não mudava nada, mas sei que devia fazer mais ginástica.
Sinto-me melhor quando...
Durmo dez horas.
O que não suporta no sexo oposto?
Não suporto machismo e todos os derivados.
Qual é o seu pequeno crime diário?
Não posso dizer, porque senão levam-me presa [risos].
O que seria capaz de fazer por amor?
Isso não é uma coisa em que se pense, só sabemos passando pelas situações. Mas sendo o amor uma força motriz da minha vida, era capaz de fazer muita coisa.
Complete. A minha vida é...
uma viagem imprevisível e tudo indica que vai continuar a sê-lo. Não conheço os destinos nem as paragens.
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