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Tonicha: "Felizmente venci a luta contra o cancro"

A cantora está afastada dos palcos há cerca de um ano e meio mas diz que nunca se sentiu esquecida e que ainda a reconhecem na rua

23 de janeiro de 2011 às 20:01

Tonicha, uma das mais populares cantoras portuguesas, está afastada dos palcos há cerca de um ano e meio e tem vivido momentos difíceis devido a problemas de saúde. Diz que nunca se sentiu esquecida e que ainda a reconhecem na rua.

Correio da Manhã - A Tonicha voltou a ser notícia no final do ano passado por causa da sua estreia no teatro, aos 64 anos, mas há muito tempo que não se ouvia falar de si. Porquê?

Tonicha - É verdade que estive algum tempo afastada mas também não foi tanto assim. Até há ano e meio, por exemplo, andei na estrada com um grupo do Alentejo que se chamava Venham mais Cinco, o problema é que não teve visibilidade.

- Disse "até há ano e meio". O que é que aconteceu nessa altura?

- O meu marido piorou da doença e tive de vir para Lisboa com ele. Entretanto, fui atropelada e fiquei muito mal, fracturei coluna, perónio, bacia e andei numa cadeira de rodas. E tive de andar com um aparelho.

- E já está recuperada?

- Faço fisioterapia quase todos os dias, mas as mazelas estão cá.

- Foi nessa altura que descobriu que tinha cancro?

- Sim. Após o acidente soube que tinha cancro da mama, mas essa foi, felizmente, uma luta que ganhei. Agora faço apenas medicação.

- Nestes últimos anos em que teve menos visibilidade, sentiu-se esquecida?

- Não. Isso nunca me aconteceu.

- As pessoas ainda a reconhecem na rua?

- Claro que sim. Dirigem-me sempre muitas palavras simpáticas. Dizem que têm saudades minhas, que gostam muito de mim.

- Sente saudades do sucesso e da visibilidade?

- Não. Eu sempre gostei muito de cantar e nunca procurei a fama. Sou muito pacata.

- Alguma vez a fama a assustou?

- Sim. É agradável, mas também tem as suas desvantagens. Era complicado ir à praia e ter as pessoas a pedirem-me autógrafos. Todos nós gostamos de ir a um restaurante e poder almoçar tranquilos.

- Toda a gente a conhece pelo ‘Zumba na Caneca'. Nunca se cansou dessa canção?

- Sim. Houve alturas em que já a cantava com alguma dificuldade.

- Faz ideia de quantos espectáculos deu em Portugal?

- Ui, não sei! Foram tantos! Nunca fiz essa contabilidade.

- E quantas voltas deu ao País?

- Sei lá (risos). O que sei é que houve períodos em que apenas tinha tempo de ir a casa para fazer nova mala de roupa e voltar à estrada.

- Ficam muitas histórias para contar?

- Sim. Fiz muito trabalho de estrada. Sou do tempo em que se levava muito tempo para chegar ao Porto. A minha distracção era contar buracos.

- E afinal o seu nome é Tonicha ou Tonicher?

- Parte da minha família é Tonicha e outra é Tonicher. Eu fiquei Tonicha.

- Não é nome artístico, portanto.

- Não, fui registada assim. Mas um dos meus irmãos já foi registado Tonicher.

- Não é de origem portuguesa esse nome?

- Não sei. E também nunca me preocupei em saber sobre isso. Para quê? O que sei é que sou muito alentejana de pai e de mãe.

- Arrepende-se de alguma coisa?

- Não. Acho que fiz tudo o que podia fazer neste país.

"A VELHICE NÃO TRAZ NADA DE FANTÁSTICO"

- A Tonicha está quase a festejar o 65 aniversário. Sempre lidou bem com o passar dos anos e com a idade?

- Tenho lidado bem, mas não consigo dizer que a idade é uma maravilha. Ainda não cheguei a esse ponto. Não me considero velha, mas sei que estou a caminhar para a velhice.

- Isso assusta-a?

- A velhice não é boa. Não sou daquelas pessoas que dizem que a velhice traz coisas fantásticas. Eu acho que não traz nada de fantástico.

- Nunca foi uma mulher preocupada com o aparecimento de rugas, por exemplo?

- Não. A velhice só me preocupa por causa da saúde. Por enquanto ainda não tive nada que tenha a ver com doenças da idade. Tive o meu acidente e um cancro, mas não têm nada a ver com a idade.

- E pondera fazer alguma plástica?

- Não. Eu acho que fazer umas ‘puxadas' agora só fará que a coisa volte pior daqui a uns anos.

- Quais são os seus planos para o futuro?

- Não tenho planos e nunca os fiz. Se me aparecer alguma coisa que me agrade, logo se vê.

PRETO NO BRANCO

Como é que foi a sua infância em Beja, no Alentejo?

Eu tive uma infância muito feliz com os meus quatros irmãos. E tenho mesmo muitas saudades das reuniões familiares.

É verdade que algumas das suas canções foram censuradas antes do 25 de Abril?

Sim. Mas foi uma coisa normal. Uma pessoa que cantava ‘Labuta, meu bem labuta é em Maio que rebenta a luta/trabalha meu bem trabalha que é em Maio que a gente te malha" o que é que se podia esperar? Mas isso nunca me importou, porque havia sempre quem passasse essas canções.

Colaram-na ao partido comunista depois do 25 de Abril. E isso foi algo que a desagradou muito. Teve problemas por causa disso?

Essa foi uma partida que me pregaram. Eu nunca tive qualquer filiação partidária.

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