Hipertensão: um "assassino silencioso" que pode ser controlado
Diagnóstico precoce desta doença crónica é fundamental para evitar complicações graves.
Ser hipertenso aumenta o risco de ter um enfarte do miocárdio ou um Acidente Vascular Cerebral (AVC), a principal causa de morte em Portugal.
À medida que se envelhece, a probabilidade da pressão arterial atingir um valor acima do normal é maior, isto porque os vasos sanguíneos vão ficando mais rígidos e menos elásticos e a força que o sangue exerce sobre as paredes destes vai aumentar.
Ao Correio da Manhã, o médico Fernando Martos Gonçalves explicou que a hipertensão arterial é uma doença crónica “sem sintomas, mas que dá complicações”. Ora, para se controlar esta doença, o mais importante é estar consciente de que ela pode existir mesmo que a pessoa não sinta nada de anormal. O especialista refere que a associação direta que se faz entre doer a cabeça ou sangrar do nariz como alerta para se ser hipertenso não passa de um mito.
A hipertensão arterial chega a ser considerada um "assassino silencioso". A maior parte das vezes, os doentes só se apercebem que sofrem de pressão arterial alta depois de lhes ser diagnosticado uma complicação desta situação. Esta doença crónica é frequentemente associada ao consumo de excesso de sal, bebidas alcoólicas, tabagismo, colesterol e diabetes. Mas a verdade é que qualquer pessoa pode vir a sofrer com ela.
'Sim' ao rastreio
Havendo um diagnóstico precoce, há forma de tentar controlar a hipertensão e evitar que, posteriormente, existam complicações graves. O rastreio que corresponde à medição da pressão arterial com regularidade é, por isso, fundamental. Esta medição, simples e indolor, deve ser feita, preferencialmente, num local adequado, em ambiente médico ou de enfermagem, frisa o especialista Fernando Martos Gonçalves, também presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH).
A SPH tem levado a cabo a Missão 70/26, uma iniciativa que prevê melhorar o controlo da hipertensão arterial em Portugal. "A meta é no fim deste ano, 2026, termos 70% dos doentes assistidos no Serviço Nacional de Saúde, com idades compreendidas entre os 18 e 64 anos, controlados", explica, ao CM, Fernando Martos, acrescentando que, na prática, se "avalia um indicador que os médicos de medicina geral e familiar registam".
"Isto tem feito com que as pessoas vão com mais frequência ao médico de família". O presidente da Sociedade Portuguesa de Hipertensão revela que a instituição tem promovido rastreios em todo o País de modo a consciencializar a população para a atenção que deve ser dada a esta patologia.
Pressão alta requer tratamento
Para tratar a hipertensão arterial existem dois tipos de medidas: as não farmacológicas e as medicamentosas. Quem sofre de pressão arterial alta deve, na maioria das vezes, mudar o estilo de vida, apostando numa alimentação saudável, com pouco sal. "As pessoas que são obesas devem emagrecer, quem fuma deve deixar de fumar, quem tem diabetes tem de os controlar", salienta o profissional.
Além destes conselhos, geralmente, os médicos terão de receitar um medicamento capaz de controlar a doença. Fernando Martos Gonçalves apela a que os portugueses "adiram e persistam na terapêutica” lembrando que "se a pessoa não tomar o comprimido não vai haver nenhum aviso corporal de que não o tomou".
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