Silêncio do cancro colorretal pode ser inimigo para um diagnóstico precoce

Março é o mês de sensibilização para o rastreio do cancro colorretal. Qualquer pessoa deve realizá-lo a partir dos 50 anos.

24 de março de 2026 às 10:01
Cancro Foto: Direitos Reservados
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O cancro colorretal é o cancro com maior incidência em termos globais no País e todos os anos surgem entre 10 mil a 11 mil novos casos. O silêncio inicial do cancro colorretal pode ser um verdadeiro inimigo para o diagnóstico precoce desta doença. A medicina recomenda que qualquer pessoa realize um rastreio a partir dos 50 anos. 

Ao Correio da Manhã, a médica Anabela Barros, diretora do Serviço de Oncologia da ULS de Coimbra, explicou que são vários os fatores de risco que podem estar associados a esta doença oncológica. Quem tem uma doença inflamatória crônica intestinal, como a doença de Crohn ou a colite ulcerosa, ou quem já teve ou tem familiares diagnosticados - contexto hereditário - deve estar especialmente em alerta. Além destes, os hábitos do dia a dia continuam a ter impacto na saúde. Uma alimentação rica em produtos processados como é o caso das carnes vermelhas, açúcares, cereais e refrigerantes e a ingestão limitada de legumes frescos e fruta pode ser um gatilho para o cancro colorretal assim como, o consumo frequente de álcool e o tabagismo, refere a especialista.   

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Mas afinal o que é o cancro colorretal?  

Segundo Anabela Barros, o cancro colorretal "é um tumor maligno que se desenvolve a nível do cólon - intestino grosso - ou a nível do reto". Os sintomas associados à doença podem variar, ligeiramente, consoante as zonas em que se desenvolve o tumor.   

Se for no cólon direito, cuja capacidade de distensão é maior, os sintomas tendem a ser mais silenciosos: "Muitas vezes, são tumores que crescem lentamente e que vão sangrando de forma impercetível para o doente, já que pequenas quantidades de sangue, misturadas com as fezes, passam despercebidas. E quando se dá conta têm uma anemia, cuja causa não é tão imediata. E muitas vezes, não têm grandes alterações dos hábitos intestinais", explica a médica. É possível que a pessoa não chegue a desenvolver alteração dos hábitos intestinais, classicamente obstipação, diarreia ou alternância dos dois. 

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No caso do tumor se desenvolver no cólon esquerdo, "normalmente as perdas de sangue são mais visíveis uma vez que se trata de sangue vivo e os doentes identificam com mais facilidade". Isto porque, esclarece Anabela Barros, o cólon esquerdo "tem um calibre mais estreito e, naturalmente, os sintomas oclusivos da obstrução do tumor surgem mais cedo". Aqui, o crescimento do tumor pode provocar cólicas, dor e desconforto abdominal, prisão de ventre, diarreia e gases.  

A médica indica que estes tumores são provocados por pólipos que "começam por ser benignos, os adenomas, mas depois podem evoluir e dar origem a uma neoplasia maligna".  Depois de constituído o cancro, as células malignas podem migrar, em primeiro lugar para os gânglios linfáticos e, posteriormente, para outros órgãos, como o fígado e o pulmão, ou seja para uma doença metastizada. 

Importância do rastreio no diagnóstico  
  
Março é o mês de sensibilização para o rastreio do cancro colorretal que, "por definição, é um teste que se faz a doentes assintomáticos", refere a especialista. Com ou sem sintomas, esta pesquisa ao sangue oculto nas fezes, através de uma análise indolor dividida em três amostras recolhidas em dias diferentes, é, em muitos casos, o despiste necessário para um diagnóstico precoce.  

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Anabela Barros destaca a importância de se fazer o rastreio e de procurar ajuda médica assim que verificar algum sintoma estranho: "A pessoa pode já estar doente e não se aperceber. Às vezes, mesmo quando se tem sangue vivo nas fezes, que é algo frequente nos tumores do colón esquerdo, sobretudo do reto, pensa-se que são hemorroidas. Atribuem a perda de sangue a outras causas e não valorizam. Começa a perda de peso, a falta de apetite, a falta de forças… Às vezes, o doente só vem ao serviço de urgência quando o tumor aperta de tal maneira o intestino, que já não há emissão de fezes ou gases".  

Feito o rastreio, que pode ser pedido a nível dos cuidados de saúde primários, é possível identificar a existência de alguma anomalia. Caso se observe sangue nas fezes, é pedido ao utente que faça uma colonoscopia.   

Neste exame médico pode encontrar-se um ou mais pólipos que, dependente do caso, podem ser removidos através de uma endoscopia e, posteriormente, enviados para análise que ditará se são benignos ou malignos.  

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Para tratar o cancro colorretal, a terapêutica a seguir é sempre ajustada à especificidade de cada doente. Anabela Barros adverte para a obrigatoriedade de cada caso ser discutido em reunião multidisciplinar. Os médicos podem optar por operá-lo para remover o tumor ou pelos tratamentos de radioterapia ou quimioterapia. No caso da doença estar metastizada, ou seja, em estadio IV, há opções terapêuticas como a quimioterapia, a imunoterapia, os anticorpos monoclonais, a cirurgia de metáteses, a radioterapia, entre outras. 

"Em estadios iniciais, a taxa de cura aos cinco anos é muito levada, na ordem dos 80%", indica a especialista ao Correio da Manhã

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