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Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, faz 10 anos com aposta na medicina de precisão e vacinas contra o cancro

Diretor especifica que "o cancro de cada pessoa é ligeiramente diferente", pelo que "não se podem tratar todos da mesma forma".

01 de abril de 2026 às 13:51

Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, do Porto, celebra 10 anos a apostar na medicina de precisão, baseada na genética do doente, que pode levar ao desenvolvimento de vacinas contra o cancro, revelou esta quarta-feira o diretor.

"Os tratamentos têm de ser mais direcionados para as características genéticas da pessoa. Quanto mais conhecemos as bases genéticas das doenças, melhor podemos fazer os tratamentos. É esse o grande objetivo, sobretudo na área do cancro onde isto está a avançar de forma muito rápida", disse à Lusa Claudio Sunkel, que dirige o i3s desde 2000.

O responsável especifica que "o cancro de cada pessoa é ligeiramente diferente", pelo que "não se podem tratar todos da mesma forma", e tem-se explorado "a possibilidade de ajudar o sistema imunológico de cada pessoa a lutar contra o seu próprio cancro".

A medicina de precisão, também designada por genómica ou personalizada, é "uma das áreas em que o i3S pretende desenvolver no futuro", mas não se limita ao tratamento do cancro, centrando-se na personalização dos tratamentos de várias patologias.

O i3S tem já "dois projetos muito grandes" nesta área que vão "colocar Portugal num patamar importante, porque é uma área que se tem vindo a desenvolver no mundo inteiro", indicou o diretor.

A instituição, que resultou da fusão de três institutos na área de ciências da saúde, já apresentou "candidaturas de vulto" que vão permitir "estabelecer o norte de Portugal como uma área de desenvolvimento da medicina de precisão", sublinhou.

O instituto pretende também dar passos na bio-impressão.

"Se queremos desenvolver fármacos, até agora tem sido sempre com a utilização de animais. Mas há alternativas, que envolvem tirar amostras dos doentes e cultivá-las em laboratório usando impressoras 3D, o que reduz o número de animais utilizados e torna os processos muito mais rápidos", afirmou.

Para o responsável, o i3S afirmou-se ao longo dos primeiros 10 anos como "polo de excelência e inovação em ciências da saúde, a nível nacional e internacional".

O "enorme sucesso" do "superinstituto" mostra-se, por exemplo, em sete bolsas do Conselho Europeu de Investigação que se traduzem em "mais de 100 milhões de euros".

Ou em mais de 700 projetos de investigação financiados, a par de 175 milhões de financiamento competitivo.

A estes números é preciso somar 500 doutoramentos, cerca de 100 mil alunos envolvidos em atividades educativas e um programa de empreendedorismo "muito ativo".

O i3S integra mais de 1.300 pessoas --- entre investigadores, técnicos e estudantes --- de 39 nacionalidades, com mais de 300 projetos de investigação.

Entre as investigações em curso, o diretor do i3S destaca a desenvolvida pela investigadora Salomé Pinho sobre a doença de Crohn (doença inflamatória intestinal) ou o de Mónica Sousa sobre mecanismos para restaurar o sistema nervoso em casos de paralisia provocada por acidentes de automóveis, por exemplo.

Refere também a pesquisa de Elsa Logarinho sobre o envelhecimento, "um dos temas mais quentes neste momento, quando todo o mundo quer viver para sempre e que manter-se são até muito tarde".

"Tem conseguido, em testes com ratinhos, que eles vivam muito mais tempo do que o normal. Está a abrir portas interessantes", esclareceu.

Inaugurado a 19 de maio, o i3S arrancou com 51 grupos de investigação, 126 projetos e um orçamento anual de 20 milhões de euros.

O i3S resultou da união de três dos mais conceituados centros científicos da Universidade do Porto (U.Porto): o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), o Instituto Nacional de Engenharia Biomédica (INEB) e o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular (Ipatimup).

Para albergar este novo "superlaboratório", a Universidade do Porto construiu de raiz, no polo universitário da Asprela, um novo edifício de 18 mil metros quadrados, uma empreitada orçada em 21,5 milhões de euros, financiada em 18 milhões por fundos comunitários.

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