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Parlamento moçambicano solidário com vítimas das mudanças climáticas incluindo Portugal

Moçambique, que também tem sido assolada por fenómenos climáticos recentes, diz que estes mostram que as mudanças climáticas são uma "realidade concreta".

25 de fevereiro de 2026 às 08:53

A presidente do parlamento moçambicano disse esta quarta-feira que esforços coletivos para apoiar vítimas das inundações no país devolveram "esperança ao cidadão", manifestando solidariedade com Portugal, Espanha, Marrocos e Itália, vítimas de mudanças climáticas, que são uma "realidade concreta".

"Reconhecemos o empenho incansável do Governo, do INGD [Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres], das Forças de Defesa e Segurança, das autoridades locais, dos técnicos e de todos os agentes envolvidos, cujo esforço coletivo recuperou a esperança do cidadão, restabelecimento da mobilidade, e trazendo a normalidade à vida económica e social do país", disse a presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa.

Ao discursar na abertura da terceira sessão ordinária desta legislatura, que se prolonga até maio, Talapa elogiou os esforços das organizações da sociedade civil, às confissões religiosas, ao setor privado e aos parceiros nacionais e internacionais que se mobilizaram apoio às populações afetadas pelas inundações.

"Estes gestos reafirmam que Moçambique é uma nação solidária, que se une nos momentos de provação. Apesar da nossa dor, queremos expressar solidariedade aos Governos e Povos de Portugal, Espanha, Marrocos e Itália que, recentemente, enfrentaram a violência da Natureza que provocou perdas humanas e destruição de infraestruturas", disse Talapa.

"Estes fenómenos globais recordam-nos que as mudanças climáticas deixaram de ser ficção, mas uma realidade concreta, que já molda o presente das nossas nações, exigindo de nós ações coordenadas e tempestivas", acrescentou.

O número total de mortos na atual época das chuvas em Moçambique subiu para 239, com registo de perto de 870 mil pessoas afetadas, desde outubro, segundo a atualização feita esta terça-feira pelo instituto de gestão de desastres.

De acordo com informação na base de dados do INGD até terça-feira, foram afetadas 868.593 pessoas na presente época das chuvas, correspondente a 200.739 famílias, havendo também 12 desaparecidos e 331 feridos.

Este balanço contabiliza mais quatro mortos face à atualização de segunda-feira.

Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 27 mortos - afetando 724.131 pessoas - e a passagem do ciclone Gezani em Inhambane, em 13 e 14 de fevereiro, causou mais quatro mortos e afetou 9.040 pessoas, segundo os dados atualizados do INGD sobre a época das chuvas.

Um total de 15.279 casas ficaram parcialmente destruídas, 6.133 totalmente destruídas e 183.824 inundadas, na presente época chuvosa. Ao todo, 302 unidades de saúde, 83 locais de culto e 717 escolas foram afetadas em menos de cinco meses.

Os dados do INGD indicam ainda que 555.040 hectares de áreas agrícolas foram afetados neste período, 288.016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365.784 agricultores. Também 530.998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afetados 7.845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.

Desde outubro, o instituto de gestão de desastres moçambicano ativou 149 centros de acomodação, que albergaram 113.478 pessoas, dos quais 41 ainda estão ativos, com pelo menos 33.905 pessoas.

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