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#AdoroOsMeusOlhos: conheça a doença escondida nos olhos aparentemente saudáveis das crianças

A propósito da Semana da Visão, ouvimos especialistas convidados pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia a debater algumas patologias. A Dr.ª Ana Vide Escada, médica oftalmologista e membro da direção da SPO, fala-nos da ambliopia, uma doença escondida que pode afetar a visão das crianças.

14 de outubro de 2022 às 11:17

O que é a ambliopia?

A ambliopia, vulgarmente designada por “olho preguiçoso”, corresponde de uma forma simples à baixa acuidade visual (visão) de um ou, mais raramente, de ambos os olhos. Os olhos dos bebés à nascença são muito imaturos, com características óticas imperfeitas. Para que a visão e todas as características que a rodeiam se desenvolvam é necessário que os olhos sejam transparentes, consigam focar da maneira mais apropriada e que sejam capazes de enviar a informação que captam para o cérebro através do nervo ótico, especificamente para as zonas de interpretação visual.

É este diálogo entre o olho e o cérebro que permite o desenvolvimento de um bom sistema visual, que vai amadurecendo e ficando progressivamente mais perfeito à medida que a criança cresce. Quanto mais atenta e mais curiosa for a criança, melhores as hipóteses de um correto desenvolvimento do sistema visual.

Passando a infância, o cérebro já não é capaz de se adaptar e moldar. O período crítico do desenvolvimento do sistema visual esgota-se nos primeiros meses e anos de vida. Depois dos 8 ou 10 anos, a possibilidade de reabilitação visual torna-se muito reduzida ou mesmo nula, ou seja, um olho preguiçoso detetado muito tardiamente permanece preguiçoso durante toda a vida.

Dr.ª Ana Vide Escada

Assistente hospitalar graduada de Oftalmologia –Centro de Responsabilidade Integrada de Oftalmologia do Hospital Garcia de Orta, Hospital CUF Tejo, Clínica CUF Almada e Clínica ALM/Oftalmolaser Almada, membro da Direção da SPO (secretária-geral adjunta)

Porquê falar sobre ambliopia?

Nos países desenvolvidos, como Portugal, a ambliopia é muito frequente na população em geral, estimando-se que 1-5% da população sofra desta doença. É, portanto, um problema de saúde pública e constitui a causa de baixa visão unilateral mais frequente e pode comprometer a vida escolar e a vida profissional. Conforme a gravidade, pode inclusivamente impedir ou impor restrições na capacidade de conduzir veículos ou de seguir determinadas profissões.

Em contrapartida, quando a ambliopia é diagnosticada e tratada precocemente é completamente reversível, na grande maioria dos casos.

Quais são então as causas da ambliopia?

As causas são maioritariamente três, podendo interligar-se.

1) Estrabismo (“olho torto”): o desalinhamento do paralelismo dos eixos visuais implica que a imagem enviada pelos olhos ao cérebro seja diferente. De uma maneira inata, não consciente, o cérebro da criança em desenvolvimento opta por anular uma das imagens para conseguir uma imagem única e nítida e só se desenvolve corretamente o sistema visual de um dos olhos.

2) Erros refrativos significativos: anisometropia (diferença de graduação significativa entre os dois olhos) ou grandes ametropias (graduações elevadas nos dois olhos). O cérebro só é estimulado pelo olho quando este consegue enviar imagens suficientemente focadas. Se um ou os dois olhos têm muita graduação, produzindo uma imagem desfocada, não se consegue desenvolver o sistema visual.

3) Ausência de transparência dos meios óticos (olho), como no caso da presença de uma catarata (significa que a lente natural do olho – cristalino – apresenta opacidades) congénita/pediátrica ou de uma ptose (pálpebra superior descaída) significativas.

Quais os sinais e sintomas da ambliopia?

A ambliopia é geralmente assintomática e quando não é detetada e tratada precocemente, as suas consequências são irreversíveis.

Como a grande maioria das situações é unilateral, afetando somente um dos olhos, os pais não devem ficar descansados se a criança vê objetos ao longe ou consegue brincar com peças pequenas, pois o seu sistema visual pode estar desenvolvido baseado somente na visão de um dos olhos.

Sendo uma doença silenciosa, sem sinais específicos, é, portanto,

Em várias regiões do país está já implementado o chamado Rastreio de Saúde Visual Infantil (RSVI), que através de uma metodologia muito simples, uma espécie de fotografia especial aos olhos das crianças, entre os 18-24 meses e aos 4 anos, consegue detetar os casos suspeitos de ambliopia, sendo os mesmos referenciados para consulta hospitalar de oftalmologia.

Quais os tratamentos disponíveis para a ambliopia?

O tratamento e o prognóstico variam com a idade do diagnóstico, a gravidade e duração e a causa da ambliopia.

Na presença de erros refrativos, o uso de correção ótica (geralmente óculos) é obrigatório. Além disso, a penalização do olho bom de modo a estimular o olho pior é essencial, quer seja com recurso a oclusores, como pensos oculares, quer seja com recurso a gotas. Estas estratégias são geralmente o ponto de partida nos casos de ambliopia associada a estrabismo, que podem por si só possibilitar a reabilitação completa, ou necessitar de tratamentos mais agressivos em complementaridade como a cirurgia.

Exemplo de óculos usados na infância

Exemplo de oclusor (penso) usado no tratamento de penalização

Nas raras situações (aproximadamente 1%) em que existem opacidades o tratamento é realizado de acordo com a causa.

Uma última nota para reforçar que a reabilitação de um olho preguiçoso deve manter-se até ao final do período crítico de desenvolvimento da visão e é sempre um esforço conjunto da criança, dos seus pais e do médico oftalmologista que os acompanha.

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