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Iniciativas sociais inovadoras em debate para reformular serviços de saúde e enfrentar os futuros desafios

Como as mutualidades podem contribuir para a evolução das respostas sociais e criar benefícios para os associados. Especialistas deram uma antevisão do futuro dos cuidados de saúde. Da Covilhã ao Montijo, é necessária mais inovação social. Conferência internacional juntou dezenas de responsáveis para discutir futuro.

12 de novembro de 2024 às 10:09

As mutualidades existem em Portugal praticamente desde a fundação do País: a historiografia identifica uma confraria inspirada nos ideais mutualistas, logo em 1176, na zona de Torres Vedras. Atualmente, são instituições sem fins lucrativos que promovem a entreajuda dos seus membros, criando benefícios nas áreas da saúde e segurança social, e desenvolvendo respostas sociais. São mais de uma centena de associações, que contam com mais de um milhão de membros.

No Dia Nacional do Mutualismo (25 de outubro), as instituições que descenderam destas entidades medievais juntaram-se para olhar para o futuro do mutualismo como resposta aos desafios sociais. O dia foi marcado por uma conferência internacional, organizada pela Associação Portuguesa de Mutualidades, e que teve lugar em Lisboa no Auditório da Associação Mutualista do Montepio Geral. Para este debate, aos responsáveis mutualistas juntaram-se especialistas em saúde, em tecnologia, e em inovação social, para debater o futuro da saúde, da economia social, e das respostas sociais.

Mutualidades à altura dos desafios

Num país que contém realidades sociais e demográficas muito diferentes, as mutualidades têm sabido responder aos novos desafios sociais? Segundo Francisco Rita, presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Mutualidades: “As associações mutualistas são, em geral, estruturas com muitos anos de existência, com muita experiência e uma grande proximidade às pessoas, o que lhes dá uma grande capacidade de intervenção e de dinamização das respostas sociais.”  Para Virgílio Lima, presidente da Associação Mutualista do Montepio Geral, uma das maiores do País, na raiz da maior parte dos novos desafios sociais está o rápido envelhecimento da população: “A longevidade está a tornar o apoio ao envelhecimento numa grande preocupação e numa enorme necessidade. As pessoas têm, simultaneamente, menos rendimento disponível e maior necessidade de acompanhamento e de cuidados de saúde.” Segundo o responsável mutualista: “Esta é uma área em que as mutualidades estão a trabalhar bem, no sentido de dar melhores respostas aos seus associados e á coletividade”.

As associações mutualistas são, em geral, estruturas com muitos anos de existência, com muita experiência e uma grande proximidade às pessoas, o que lhes dá uma grande capacidade de intervenção e de dinamização das respostas sociais.
Francisco Rita

presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Portuguesa de Mutualidades

Longevidade desafia cuidados de saúde

A crescente longevidade e envelhecimento da população portuguesa está também a impulsionar a inovação e a transformação digital na saúde, com a telemedicina e os cuidados domiciliários a assumir uma importância crescente. O mote foi dado na sessão de abertura por Cristina Vaz Tomé, secretária de Estado da Gestão da Saúde, que sublinhou a prioridade que o Governo está a dar ao reforço dos cuidados continuados e à transição digital com a agilização dos processos. Nesta área, a inteligência artificial poderá trazer ganhos importantes, como trataram de explicar Mário Figueiredo, do Instituto Superior Técnico, e Hugo Paredes, do INESC-TEC. Em ambas as intervenções, estes especialistas sublinharam que a tecnologia poderá não só potenciar recursos escassos como humanizar a medicina.

Neste painel, coube a Ana Escoval, da Escola Nacional de Saúde Pública, projetar o que serão os cuidados de saúde em 2034. Na sua análise existirá uma muito maior enfâse na prevenção e uma abordagem holística potenciada pela tecnologia. Olhando para a ciência atual podemos antever tratamentos e terapias que representarão avanços extraordinários para garantir a longevidade com qualidade de vida. No painel seguinte, pela mão de Miguel Mendes (KnokCare), Raul Marques Pereira (Centro de Medicina Digital P5) e Teresa Rodrigues (ULS Santa Maria) estiveram em evidência os avanços na telemedicina e na hospitalização domiciliária, duas áreas que estão em crescimento pela necessidade de racionalizar a utilização de recursos escassos, sem perda de qualidade no acesso aos cuidados de saúde.

Mutualismo todo-o-terreno

A tarde foi dedicada à forma como as entidades mutualistas estão a responder a novas necessidades sociais, e ao papel da inovação social para fazer avançar o mutualismo. Para Pedro Mota Soares, ex-ministro da Segurança Social: “O movimento mutualista tem uma enorme importância na proteção social porque está presente em muitas áreas. Está presente na saúde, na assistência social direta, e numa área muito relevante, que é a gestão das poupanças. São instituições que não procuram o lucro, mas antes servir as pessoas, e que têm uma enorme proximidade, dando respostas importantes do ponto de vista social.”

A diversidade dos benefícios gerados pelas mutualidades ficou ilustrada pelo primeiro painel da tarde, que juntou Virgílio Lima, presidente da Montepio Geral - Associação Mutualista; Nelson Silva, presidente da Associação Mutualista da Covilhã, e Pedro Santos, presidente da União Mutualista N. Sra. Da Conceição, no Montijo. Três dirigentes de instituições que atuam no terreno oferecendo respostas diferenciadas para territórios diferentes. A Associação Mutualista do Montepio Geral, com 184 anos e 608 mil associados, promove a proteção social e a previdência complementar, para garantir longevidade com qualidade de vida. Esta associação, segundo Virgílio Lima, “está a explorar novos domínios, nomeadamente na garantia do direito à habitação dos seus associados”. Outros domínios em que o Montepio está atualmente mais presente “são as residências para seniores, com fórmulas de acesso que incentivam a poupança, e a prevenção em saúde”, afirma.

A longevidade está a tornar o apoio ao envelhecimento numa grande preocupação e numa enorme necessidade. As pessoas têm, simultaneamente, menos rendimento disponível e maior necessidade de acompanhamento e de cuidados de saúde.
Virgílio Lima

presidente da Associação Mutualista do Montepio Geral

Da Covilhã ao Montijo

Na Covilhã, como explica Nelson Silva, “a demografia é o grande desafio e as imigrações são uma realidade nova e importante. Temos falta de pessoas para formar equipas para cuidar dos nossos utentes, muitos dos quais com demência.” Neste contexto, “para prestar os nossos serviços, temos de inovar e recorrer a tecnologia que nos permita prestar serviços com qualidade e com menos recursos. Estamos a procurar fazer diferente para dar resposta a velhos e novos problemas, como a habitação”, afirma o responsável. Já no Montijo, segundo Pedro Santos, “estamos numa zona do País que está a crescer muito e onde sofremos a concorrência dos grandes operadores privados na área da saúde e da proteção social”. O que obrigou esta União Mutualista “a procurar parcerias nos cuidados de saúde e a concentrar-se nas respostas sociais, onde consegue ser diferenciadora”.

Inovação é a resposta

Esta necessidade de inovar e fazer diferente para responder a novos desafios sociais em territórios com necessidades muito diferentes abriu caminho ao último painel da tarde, que trouxe à conferência Filipe Almeida, da Missão Portugal Inovação Social, e Inês Sequeira, da Rede Capital Social, com a moderação de Fernando Amaro, vice-presidente da Associação Portuguesa de Mutualidades. Filipe Almeida procurou desmistificar o conceito de inovação social e mostrar que se trata de um movimento crescente, agora apoiado por fundos europeus, e que se desenvolve sobretudo na interação entre investidores privados, economia social (como as mutualidades) e serviços públicos. Para Inês Sequeira, a missão está em expandir o conceito de filantropia e em aumentar e estruturar melhor o contributo de privados para a inovação social e para respostas sociais “criando verdadeiros investidores sociais capazes de iniciativas com impacto”, como afirmou.

A cooperação entre instituições e os ganhos de escala tornaram-se essenciais para podermos responder às necessidades sociais de forma eficiente, e para promover o crescimento das mutualidades e do mutualismo como um todo.
Fernando Amaro

vice-presidente da Associação Portuguesa de Mutualidades

MentALdeias Verde da Covilhã vence concurso de ideias


Nesta conferência, a Associação Portuguesa de Mutualidades (APM) anunciou que o projeto “mentALdeias Verde” venceu o primeiro “Concurso de Ideias para a Transformação: Construindo um Futuro + Sustentável e + Digital”. Este concurso, que promove iniciativas de sustentabilidade ambiental e transformação digital no setor social, distinguiu a proposta da Mutualista da Covilhã pela sua abordagem inovadora e impacto transformador. Segundo a APM, “o projeto “mentALdeias Verde” foi desenhado para apoiar a recuperação das áreas afetadas pelos incêndios de 2022, com um foco especial nos idosos das comunidades afetadas. Integrando práticas de educação ambiental no já existente programa de apoio psicossocial, esta iniciativa oferece oficinas de compostagem, reciclagem, restauração ambiental e desenvolvimento de hortas comunitárias”. Para além destas atividades práticas, “o projeto inclui sessões educativas sobre a importância da sustentabilidade, como reduzir a pegada ecológica e melhorar a gestão de resíduos”. Através do “mentALdeias Verde,” “os participantes ganham conhecimento sobre práticas ecológicas que podem aplicar nas suas rotinas diárias, promovendo um compromisso ativo com a regeneração ambiental e o bem-estar comunitário”. Para a Mutualista da Covilhã: “Esta intervenção não só ajuda a recuperar o ecossistema local, mas também fortalece o sentimento de pertença e coesão social, criando uma rede de apoio entre os idosos que partilham valores ambientais.”

Cooperação e escala

No encerramento, Fernando Amaro anunciou o vencedor do “Concurso de Ideias para a Transformação: Construindo um Futuro + Sustentável e + Digital”, que foi o projeto “mentALdeias Verde” da Mutualista da Covilhã (ver caixa). Este concurso, como sublinhou o responsável, “é mais um passo para incentivar a transformação das mutualidades para protagonizarem as respostas sociais do futuro”. Um futuro no qual, defendeu Fernando Amaro, “a cooperação entre instituições e os ganhos de escala tornaram-se essenciais para podermos responder às necessidades sociais de forma eficiente, e para promover o crescimento das mutualidades e do mutualismo como um todo”, afirmou.

Nesta conferência, considerou o responsável, “vimos que é possível inovar, encontrar novas soluções e modalidades de entreajuda, incluindo iniciativas na área da habitação e das intervenções sociais diferenciadas. Sem nunca comprometer a essência do mutualismo.” Neste contexto, para o vice-presidente da APM: “Esta conferência foi importante pela partilha de boas-práticas e de conhecimento sobre novos caminhos e novas soluções para o mutualismo. Não devemos limitar estas discussões ao Dia Nacional da Mutualidade. É fundamental criar oportunidades frequentes para continuar a partilhar conhecimento e discutir o futuro”, concluiu.

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Primeira confraria com ideais mutualistas em Portugal

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Centena de mutualidades

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Milhão de membros de mutualidades
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