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Vai visitar uma casa? Estes são os erros que podem sair caros

Da paixão à primeira vista à documentação que fica por confirmar, há detalhes que facilmente passam despercebidos numa visita a um imóvel. Saber o que observar antes de decidir pode evitar surpresas depois da compra.

08 de outubro de 2026 às 11:13

Há casas que conquistam nos primeiros minutos. A luz que entra na sala, uma varanda maior do que parecia nas fotografias ou simplesmente a sensação de que aquele pode ser o lugar certo para viver. 

Mas uma visita é também o momento em que algumas das decisões mais importantes de uma compra começam a ser tomadas. E quando a componente emocional ganha demasiado peso, há aspetos essenciais que podem passar para segundo plano. 

Comprar casa é, para a maioria das pessoas, uma das decisões financeiras mais importantes da vida. Por isso, visitar um imóvel não deve servir apenas para perceber se gostamos dele. Deve ser também uma oportunidade para avaliar, com alguma distância, se aquela casa corresponde realmente às nossas necessidades e se aquilo que estamos a ver corresponde ao que estamos prestes a comprar. 

1. Decidir demasiado depressa 

Gostar imediatamente de uma casa não é necessariamente um problema. O erro está em transformar essa primeira impressão numa decisão antes de analisar o imóvel com atenção. 

Uma sala luminosa, uma boa decoração ou uma vista particularmente agradável podem influenciar a perceção do espaço e fazer com que outros aspetos recebam menos atenção. Dimensões, arrumação, estado de conservação, exposição solar ou eventuais obras necessárias devem entrar na equação. 

Sempre que possível, uma segunda visita pode ajudar. Voltar ao imóvel noutro horário permite também perceber diferenças de luminosidade, ruído ou movimento na zona que podem não ser evidentes na primeira visita. 

2. Visitar a casa e esquecer tudo o que está à volta 

É possível alterar uma cozinha, renovar uma casa de banho ou mudar a distribuição de alguns espaços. A localização, essa, não muda. 

Ainda assim, é frequente concentrar toda a atenção no interior do imóvel e dedicar pouco tempo à envolvente. Os acessos, os transportes, o estacionamento, o comércio, os serviços ou a distância até à escola e ao local de trabalho podem ter um impacto diário muito maior do que aquele que sentimos durante uma visita de meia hora. 

Conhecer a zona em diferentes momentos do dia pode, por isso, ser tão importante como conhecer a própria casa. 

Prédios em Lisboa ao sol, com uma torre de igreja em destaque
Conhecer a zona em diferentes momentos do dia pode ser tão importante como conhecer a própria casa. FOTO: Zome

3. Olhar para a decoração em vez de olhar para a casa 

Uma casa bem preparada para receber visitas pode tornar-se imediatamente mais apelativa. Mas mobiliário, iluminação e decoração não fazem parte das características estruturais do imóvel. 

Durante a visita, vale a pena tentar imaginar os espaços vazios e olhar para aquilo que permanecerá depois da compra: áreas, distribuição das divisões, luz natural, estado de paredes e pavimentos, janelas, isolamento, sinais de humidade ou necessidades de manutenção. 

O contrário também acontece. Uma decoração antiga ou uma casa desocupada podem prejudicar a primeira impressão de um imóvel que, estruturalmente, corresponde ao que o comprador procura. 

4. Não perceber o custo real da casa 

Para além do preço de compra e da prestação do crédito, é importante considerar impostos, seguros, condomínio, manutenção e eventuais obras. 

O facto de ser possível financiar determinado montante não significa necessariamente que esse valor seja confortável para o orçamento familiar. A pergunta não deve ser apenas “consigo comprar esta casa?”, mas também “consigo viver nesta casa sem comprometer o resto da minha vida financeira?”. 

5. Deixar a documentação para depois 

Encontrar a casa certa não dispensa confirmar que toda a informação sobre o imóvel está correta. 

Antes de avançar para uma decisão definitiva, é importante verificar a documentação relevante, confirmar as características legais do imóvel e esclarecer eventuais dúvidas relacionadas com áreas, licenças, encargos ou alterações realizadas. 

É precisamente nesta fase que o acompanhamento profissional pode ajudar a separar a vontade de avançar da necessidade de confirmar que existem condições para o fazer com segurança. 

A emoção não tem de ser inimiga da decisão

É natural criar uma ligação emocional com uma casa. Afinal, não estamos a escolher apenas metros quadrados: estamos a imaginar uma parte da nossa vida naquele espaço. 

O objetivo não é eliminar essa componente, mas equilibrá-la com informação. 

Para Júlio Quintela, COO da Zome, “um dos erros mais comuns é o comprador entrar numa visita à procura de razões para gostar da casa, em vez de perceber se aquela casa funciona realmente para a sua vida. Quando existe uma ligação emocional imediata, é fácil desvalorizar aspetos que depois terão impacto no dia a dia. A pergunta não deve ser apenas ‘gosto desta casa?’, mas também ‘consigo viver aqui bem todos os dias?’.” 

Uma visita bem aproveitada deve, por isso, deixar o comprador com mais do que uma impressão. Deve permitir-lhe responder a três perguntas simples: gosto desta casa, esta casa funciona para a minha vida e tenho informação suficiente para tomar uma decisão? 

Se a resposta às três for positiva, a emoção que surgiu quando se abriu a porta pode continuar lá. Mas já estará acompanhada de algo igualmente importante numa compra desta dimensão: informação. 




Este conteúdo foi escrito integralmente pela Zome.

 

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