O projeto Viagem pelo Clima, da Get2C, venceu a quarta edição do SME EnterPRIZE pela capacidade para mobilizar cidadãos e municípios para a ação climática. Em entrevista, Jorge Cristino, partner da consultora, explica como nasceu a iniciativa e deixa conselhos às PME
21 de abril de 2026 às 16:45O projeto Viagem pelo Clima, da Get2C, foi o grande vencedor nacional da quarta edição do SME EnterPRIZE. Em entrevista, Jorge Cristino, partner da Get2C, explica a origem da empresa, o conceito do projeto e o papel da sustentabilidade nas PME.
Como nasce a Get2C?
A Get2C é uma consultora na área da sustentabilidade, que nasceu há cerca de 14 anos, num contexto em que já se discutia o objetivo do Acordo de Paris de limitar o aumento da temperatura global a dois graus Celsius. O próprio nome da empresa reflete essa ambição: Get2C. Desta forma, e desde o início, o nosso foco foi a descarbonização e a medição de emissões, ajudando organizações a compreender a sua pegada e a encontrar caminhos para a reduzir. Ao longo do tempo, fomos desenvolvendo ferramentas e soluções que permitem às empresas e outras entidades monitorizar e gerir melhor o seu impacto ambiental.
Como é que surgiu o projeto Viagem pelo Clima?
Viagem pelo Clima é um projeto que foge completamente à lógica tradicional da consultoria. Nasceu de uma vontade interna de fazer mais pela sociedade e de criar impacto direto nas pessoas. Queríamos envolver pessoas, mobilizar comunidades e transformar a sustentabilidade numa experiência prática.
O projeto assenta numa competição entre equipas que percorrem o país de forma sustentável. Desenvolvemos uma metodologia própria baseada em quatro vetores — CO2, tempo, dinheiro e água — que nos permite avaliar o impacto das decisões tomadas ao longo do percurso. A ideia é mostrar que a sustentabilidade não se limita à redução de emissões, mas envolve escolhas concretas no dia a dia.
O projeto Viagem pelo Clima nasceu de uma vontade interna de fazer mais pela sociedade e de criar impacto direto nas pessoas
Partner da Get2C
Como funciona na prática?
O funcionamento combina estrutura e autonomia. Nós definimos os desafios e o enquadramento, mas são as equipas que se inscrevem que têm de organizar o percurso, contactar os municípios aderentes e implementar as suas iniciativas. Isso obriga a um elevado nível de envolvimento e responsabilidade.
O que se torna claro para as equipas é que cada decisão conta para o resultado. As equipas têm de escolher como se deslocam, o que consomem e que ações desenvolvem. Até a alimentação entra na equação, sendo avaliada em termos de impacto. Ao mesmo tempo, as equipas concorrentes promovem iniciativas de sensibilização, visitam negócios sustentáveis e identificam exemplos inspiradores nos territórios por onde passam.
Que impacto tem tido o projeto?
O impacto nos municípios e nas comunidades é relevante, mas o maior impacto tem sido nos próprios participantes. Ao longo das edições, tem-se criado uma comunidade muito forte, com ligações que se mantêm no tempo. Há uma verdadeira mudança de mentalidade.
Além disso, o projeto tem vindo a crescer de forma consistente. Já envolveu mais de 20 municípios e diferentes instituições, e continua a evoluir. O objetivo agora é expandir e explorar novas dimensões, como o turismo sustentável, mantendo sempre esta lógica de mobilização e participação.
Como responsável de uma consultora na área da sustentabilidade, que conselhos deixa às PME que queiram seguir este caminho?
O primeiro passo é assumir que a sustentabilidade tem de fazer parte da gestão diária. Não pode ser tratada como um tema isolado ou acessório. Tem de estar presente em todas as decisões, desde a operação até ao investimento.
O segundo passo, e talvez o mais importante, é medir. Sem medir, não conseguimos criar sustentabilidade. E hoje já existem ferramentas simples e acessíveis que permitem às PME calcular a sua pegada de carbono e perceber onde estão os principais pontos de intervenção.
A partir daí, é uma questão de evolução contínua. Há sempre oportunidades para melhorar, seja na eficiência energética, na redução de resíduos ou na reorganização de processos. O importante é começar e ir consolidando esse caminho.
A sustentabilidade não pode ser tratada como um tema isolado ou acessório. Tem de estar presente em todas as decisões
Partner da Get2C