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A Organização Mundial de Saúde continua a indicar o consumo de carne

Uma dieta equilibrada contempla os vários produtos que fazem parte da nova roda dos alimentos. A carne faz parte de um grupo desta roda. No entanto, deve comer-se sempre nas quantidades que são indicadas
29 de Novembro de 2019 às 14:22
Inês Morais, nutricionista
Andreia Santos, nutricionista
Inês Morais, nutricionista
Andreia Santos, nutricionista
Inês Morais, nutricionista
Andreia Santos, nutricionista

O consumo de carne é importante para a nossa dieta. A carne faz parte da roda dos alimentos. Não se deve, porém, consumir mais do que a quantidade recomendada. Aliás, como se faz com qualquer outro alimento. Mas para se perceber melhor se o consumo de carne faz bem ou mal e se é essencial para o nosso organismo, entrevistámos duas nutricionistas – Inês Morais e Andreia Santos – que nos ajudaram a perceber melhor este tema.

Começamos por perguntar às duas nutricionistas se o consumo de carne vermelha e branca é importante para uma alimentação ou dieta equilibrada. Inês Morais responde: "Claro que sim, apesar das novas tendências alimentares que vão aparecendo hoje em dia, a verdade é que a Organização Mundial de Saúde (OMS) continua a indicar o consumo de carne. Obviamente existem limites para o seu consumo, sendo que o de carnes vermelhas não deve ultrapassar os 300 gramas por semana e que se deve dar preferência às carnes mais magras, retirando ainda a gordura visível."

Quanto ao porquê, Inês Morais explica que, tal como em todos os outros alimentos, quando consumidos nas quantidades corretas trazem muitas vantagens para a nossa saúde pela "especificidade de nutrientes que cada uma das opções de carne apresenta". As diferenças residem sobretudo "no tipo de gorduras presentes nos dois tipos de carnes e nos nutrientes existentes". E dá um exemplo concreto, pegando na vaca, que "é um tipo de carne que apresenta mais ferro, mas que, por outro lado, também tem um teor mais elevado de gordura". Quando se fala da carne de aves, "e tendo sempre o cuidado de retirar a pele, tem menos teor de gordura do que o da carne de vaca, mas quando analisada ao pormenor ainda apresenta algumas carências quando comparada, por exemplo, com o peixe, como o teor em ómega 3 que é uma gordura diferente e mais saudável".

Inês Morais recorda ainda as carnes como a de javali, coelho e borrego que também podem ser incorporadas na alimentação diária, pois possuem menor quantidade de gordura do que a carne vermelha, mas o ideal é que o consumo maior venha de aves, que são as carnes mais magras.

Por sua vez Andreia Santos explica que uma alimentação equilibrada é aquela que contempla, diariamente, os alimentos contidos "nos diferentes grupos da roda dos alimentos". Como existe um grupo na roda dos alimentos designado de "carnes, pescado e ovos" significa que se deve comer alimentos deste grupo diariamente. "Pode ser a carne, o peixe ou os ovos, os quais se caracterizam pela sua riqueza em proteínas de elevado valor biológico, ou seja, são bem aproveitadas pelo organismo. Possuem vitaminas do complexo B e minerais, tais como ferro, fósforo e iodo. No entanto, a quantidade e a qualidade de gordura são variáveis, de acordo com o alimento."

Também Andreia Santos aconselha a um maior consumo de carne branca do que vermelha, dado que a quantidade e a qualidade das gorduras presentes nas carnes variam de acordo com o tipo de carne. "Nas carnes vermelhas – vaca, cabrito, cordeiro e porco – a gordura faz parte da própria constituição e não se encontra visível. Em contrapartida, nas carnes brancas – aves e coelho – a gordura predomina na pele ou noutros locais em que é fácil de remover, sendo também de melhor qualidade visto possuir menos ácidos gordos saturados".

Riscos de se deixar de comer carne

Ao serem questionadas sobre qual é o risco de se deixar de comer carne, Inês Morais explica que tomar esta decisão sem a ajuda de um nutricionista que faça a adaptação adequada da dieta pode provocar falta de ferro, zinco, cálcio e vitaminas do complexo B no organismo. "O que acontece é que a carne é uma proteína de alto valor biológico, ou seja, praticamente 100% da proteína que existe é absorvida pelo organismo, além de apresentar outros nutrientes importantes para o corpo, como ferro, zinco, cálcio e vitaminas do complexo B". E acrescenta que a deficiência de ferro pode causar "anemia e, em níveis mais elevados, cansaço e falta de concentração". "A deficiência do complexo B e zinco pode levar a transtornos neurológicos e falta de equilíbrio."

Já Andreia Santos diz que "não há riscos quando se deixa de consumir carne, desde que se substitua por outra fonte de proteína e que se faça uma correta suplementação, se necessário".

É fundamental a moderação

Sobre os perigos de se comer carne, seja vermelha ou branca, em demasia, Inês Morais relembra que "todos os alimentos, não só as carnes, quando comidos em excesso, podem trazer perigos para a saúde". Contudo, e tendo em conta que hoje estamos a falar de carne, os maiores problemas podem aparecer quando "existe um consumo excessivo de carnes vermelhas e predominantemente quando essa ingestão é com as ‘partes’ mais gordas, que são mais ricas em gordura saturada e colesterol". No entanto, se for respeitada "a quantidade correta e se a ingestão for feita, preferencialmente, com ‘partes’ mais magras como filet mignon, lombo, etc., deixando as carnes mais gordurosas para ocasiões esporádicas e adicionando outros alimentos fundamentais para uma alimentação saudável, não vai haver prejuízos maiores para a saúde".

Quanto a Andreia Santos, recorda que a OMS lançou um alerta e referiu que "o consumo excessivo de carnes vermelhas, salsichas, enchidos e bacon pode aumentar, por exemplo, o risco de cancro do intestino". Existe ainda o risco de "hipercolesterolemia uma vez que são carnes ricas em gordura saturada, a qual é responsável pelo aumento do colesterol". "As autoridades alimentares mundiais também aconselham que estes produtos sejam consumidos com moderação."