A Europa acordou para a urgência em se defender. Durante décadas, o continente beneficiou de uma paz que iludiu a necessidade de investir seriamente nas suas capacidades militares. A guerra na Ucrânia e a crescente imprevisibilidade do contexto geopolítico global desfizeram essa ilusão de forma definitiva.
07 de maio de 2026 às 09:35Na Cimeira da NATO em Haia, em junho de 2025, os aliados comprometeram-se a atingir 5% do PIB em despesa de defesa até 2035, dos quais 3,5% em capacidades militares centrais. Para os Estados-membros da União Europeia, isso representa um esforço coletivo da ordem dos 807 mil milhões de euros por ano nesse horizonte, face aos 343 mil milhões gastos em 2024. É um salto sem precedentes na história recente do continente.
A resposta europeia vai além dos orçamentos nacionais. O próximo Quadro Financeiro Plurianual, para o período 2028-2034, destina 131 mil milhões de euros a defesa, segurança e espaço, cinco vezes mais do que no quadro anterior. Acresce o programa SAFE, com 150 mil milhões em empréstimos para aquisição conjunta de equipamento militar, e o EDIP, que apoia a cooperação e a produção industrial europeia até 2027. A arquitetura financeira está montada. O que se exige agora é que os Estados-membros, a Comissão e o Parlamento Europeu a utilizem com ambição e com verdadeira coerência estratégica. Este investimento em defesa, não é uma questão de opção, é uma fundada e verdadeira obrigação de todos nós.
*Este conteúdo é da inteira responsabilidade da delegação do PSD no Parlamento Europeu.