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Não basta matar a fome

A obesidade infantil ultrapassou pela primeira vez a subnutrição como principal problema nutricional entre crianças e adolescentes em idade escolar, a nível global. Em Portugal, a educação das gerações mais novas para hábitos alimentares saudáveis tem contado com os contributos da Nestlé e da Cruz Vermelha Portuguesa.

16 de julho de 2026 às 12:45

Pela primeira vez na História, há mais crianças e adolescentes em idade escolar a lutar contra a obesidade do que contra a fome, alerta o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O maior risco já não é a falta de alimentos, mas uma dieta pobre e de má qualidade, associada a um sedentarismo crescente resultante de novas formas de vida em sociedade.

Nas últimas décadas, a obesidade infantil cresceu de forma alarmante em todo o mundo. A UNICEF aponta para uma em cada 10 crianças entre os 5 e os 19 anos — cerca de 188 milhões em todo o mundo — a viverem com obesidade, enfrentando riscos acrescidos de doenças potencialmente fatais, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e certos tipos de cancro.

Em Portugal, a Nestlé, através do seu programa Nestlé Por Crianças Mais Saudáveis, e a Cruz Vermelha Portuguesa, através da Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa, integram um esforço notório para promover novos hábitos nos mais novos, quer a educar para uma alimentação mais saudável ou incentivar para uma educação para a saúde pelo voluntariado e participação cívica.

Este é o contexto do episódio “Não Basta Matar a Fome”, o sétimo da série “Humanidade em Ação”, uma iniciativa da Cruz Vermelha Portuguesa que, com empresas parceiras, em divulgação conjunta com a Medialivre, foram ao terreno mostrar o que está a ser feito em diversas causas sociais, com episódios a serem exibidos nos canais CMTV e Now.

Nestlé Por Crianças Mais Saudáveis

A causa fundamental do sobrepeso e da obesidade na infância é o desequilíbrio entre as calorias consumidas e as calorias gastas, porque se come mais e se mexe menos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) atribui a doença a vários fatores combinados: alterações globais na alimentação, com aumento do consumo de alimentos ricos em gordura e açúcares e pobres em micronutrientes úteis; diminuição da atividade física e estilos de vida sedentários — mais tempo diante de ecrãs, menos brincadeiras ao ar livre.

Entre os fatores mais associados à obesidade infantil contam-se o sedentarismo, o consumo regular de refrigerantes e bebidas açucaradas, dietas hipercalóricas pobres em hortícolas, a história familiar (genética e hábitos),  e até a diminuição do tempo de sono.

A conjugação de todos estes fatores transformou a obesidade numa epidemia do século XXI, segundo a OMS. O combate faz-se em vários palcos e, no caso da obesidade infantil, é travado nas escolas e em casa.

Ana Perdigão, Coordenadora do Programa Nestlé Por Crianças Mais Saudáveis.
Ana Perdigão, Coordenadora do Programa Nestlé Por Crianças Mais Saudáveis. FOTO: CStudio

Foi neste contexto que há mais de duas décadas surgiu o programa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis, com o objetivo de criar valor para a sociedade, de promover a alimentação saudável, contribuindo para crianças mais informadas, mais autónomas e com melhor qualidade de vida.

Ao longo dos seus 26 anos de existência, o Programa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis já chegou a mais de 3 milhões de crianças, em Portugal.

“O programa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis surgiu há 26 anos, numa parceria com a Direção-Geral da Educação e o objetivo é exatamente promover a literacia alimentar desde tenra idade, em crianças do pré-escolar e primeiro ciclo, no sentido de adotarem hábitos de vida mais saudáveis”, explica Ana Perdigão, Coordenadora do Programa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis.

A iniciativa está atualmente presente em mais de 1700 escolas de pré-escolar e 1.º ciclo, em todo o território nacional e dirige- se a crianças entre os 3 e os 10 anos, promovendo hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis, aliados a um estilo de vida ativo. Apoia pais e educadores nesse processo.

“O facto de termos esta parceria com o Ministério da Educação permite esta presença nas escolas de uma forma regular e contínua. Esta chancela dá-nos credibilidade e torna-nos um parceiro efetivo na promoção da literacia alimentar destas famílias”, reforça Ana Perdigão.

Comer bem é divertido

O programa global Nestlé por Crianças Mais Saudáveis assenta em quatro objetivos principais: incentivo ao consumo de frutas e hortícolas, porções adequadas, estímulo ao consumo de água e à prática regular de atividade física.

Tanto nas campanhas escolares como nas redes sociais, a marca partilha dicas diárias sobre como envolver as crianças na preparação das refeições, transformando- -as num momento divertido em família.

O programa interage igualmente com cerca de 25000 famílias através de conteúdos práticos que pretendem promover e facilitar a implementação de hábitos alimentares e de vida, mais saudáveis em contexto familiar.

“Queremos "reforçar o papel fundamental da alimentação para um crescimento saudável e esperamos inspirar as crianças a fazerem escolhas alimentares saudáveis, que se prolonguem para a vida adulta”, afirma Ana Perdigão.

Em Portugal, a Nestlé também aposta em conteúdos lúdico-pedagógicos para crianças dos 3 aos 10 anos, fase da vida que os especialistas consideram uma janela de oportunidade única para moldar padrões alimentares futuros.

Todos os anos letivos é escolhido um tema central trabalhado nas escolas através de vídeos, jogos e outros materiais didáticos. Em paralelo, o tema é aprofundado num concurso destinado a consolidar os conteúdos. Um painel de júris seleciona a melhor participação com base em critérios definidos e todos os materiais e informações sobre o concurso são enviados a mais de 1700 escolas do pré-escolar e 1.º ciclo, através de uma newsletter.

A cantina também ensina

Nas escolas, os impactos fazem-se sentir nas ementas das cantinas, nas conversas e na energia nas salas de aula. Na Associação Escola 31 de Janeiro, em Cascais, os menus abundantes em hortícolas e fruta da época seguem de perto as orientações do programa Nestlé por Crianças Mais Saudáveis.

No 1.º Ciclo da Associação Escola 31 de Janeiro, em Cascais, seguem-se as orientações do programa Nestlé Por Crianças Mais Saudáveis
No 1.º Ciclo da Associação Escola 31 de Janeiro, em Cascais, seguem-se as orientações do programa Nestlé Por Crianças Mais Saudáveis FOTO: CStudio

“Estas ações de sensibilização são extremamente importantes, ricas, para os nossos alunos, uma vez que os tornam mais conscientes da importância de nos alimentarmos bem. Permitem que aprendam melhor, tenham energia para brincar e estejam concentrados nas aulas”, realça Sandra Teixeira, professora do 1.º Ciclo da Associação Escola 31 de Janeiro, em Cascais.

As próprias crianças já verbalizam o que vão aprendendo. “Devemos comer coisas saudáveis”, “antioxidantes, proteína, alguns legumes sempre”, “não devemos repetir sempre o mesmo prato de comida, porque ‘tudo o que é demais faz mal’, como a avó de um amigo meu disse”, ensinam três alunos da escola cascalense.

Recomendações práticas: • Água como principal bebida  • Consumo diário de frutas e vegetais • Refeições saudáveis, com frutas, hortícolas e preparações caseiras • Rotinas de refeição em ambiente tranquilo, sem distrações • Crianças envolvidas na preparação e organização das refeições • Evitar dietas restritivas e respeitar o apetite da criança, incentivando a experiência de novos alimentos.

Juventude ativa da Cruz Vermelha

Também na Cruz Vermelha Portuguesa (CVP), a Juventude da CVP, ativa em diversas atividades junto dos mais novos, aposta na mudança dos comportamentos, dos filhos para os pais e vice-versa. “Acreditamos mesmo que as nossas atividades de consciência social, nomeadamente hábitos saudáveis, não ficam nessas crianças e jovens. Seguem para as suas casas e chegam aos pais”, defende Andreia Miranda, coordenadora da Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa.

Andreia Miranda, coordenadora da Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa.jpg
FOTO: CStudio

O departamento juvenil da instituição humanitária, que se dedica a mobilizar jovens para o voluntariado — contando atualmente com cerca de 800 voluntários ativos distribuídos por 75 localidades, através de 250 projetos —, tanto intervém junto de crianças a partir dos cinco anos como de jovens adultos até aos 35, combinando educação para a saúde com voluntariado e participação cívica.

No caso dos mais novos, a comunicação implica uma aprendizagem ativa. “A brincar e a jogar, aprendemos a alimentarmo-nos. É um jogo antigo, com várias dinâmicas — temos perguntas de escolha múltipla e outras mais relacionadas com desafios, como fazer desenhos”, descreve Beatriz Freitas, membro da Comissão Nacional da Juventude da Cruz Vermelha Portuguesa.

A alimentação é um dos pilares do desenvolvimento das crianças e jovens e a instituição desenvolve programas de apoio escolar, que abrangem atividades recreativas e reforço de competências pessoais, sempre com a intenção de lhes proporcionar um futuro mais promissor e seguro. Para isso, a Cruz Vermelha Portuguesa realiza outras atividades educativas que tornam a alimentação saudável divertida, como oficinas de culinária, pintura com alimentos naturais e lanches partilhados com frutas e vegetais. Essas ações ajudam as crianças a valorizar alimentos nutritivos, desenvolver curiosidade e criar hábitos conscientes desde muito cedo.

Obesidade infantil triplicou: Os números do relatório “Alimentando o Lucro – Como os ambientes alimentares estão a falhar com as crianças” mostram uma inversão da tendência dos últimos 25 anos. Se, no ano 2000, quase 13% das crianças em idade escolar estavam abaixo do peso e apenas 3% eram obesas, atualmente a proporção de crianças subnutridas caiu para 9,2%, enquanto a obesidade disparou para 9,4%.

Apoio Familiar e Escolar

A Cruz Vermelha promove programas de apoio alimentar e social, garantindo que famílias em situação de vulnerabilidade tenham acesso a alimentos nutritivos e hábitos saudáveis. Nas escolas, a instituição incentiva a promoção de ementas equilibradas, educação nutricional e participação ativa de pais e educadores, reforçando a importância da alimentação no dia a dia das crianças e jovens.

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