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Auto celebrou o natal e a bênção da longevidade

A Igreja de São Roque, em Lisboa, recebeu segunda-feira o já tradicional Auto de Natal, promovido anualmente pela Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa

26 de dezembro de 2019 às 17:07

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A Igreja de São Roque, em Lisboa, recebeu segunda-feira o já tradicional Auto de Natal, promovido anualmente pela Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa, com o apoio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, tendo ganho ao longo da última década especial relevância nos calendários destas duas instituições.

Cada Auto de Natal envolve  centenas de crianças e adultos de todas as idades, sejam utentes, funcionários ou voluntários   da Irmandade ou da Santa Casa, que a ele se dedicam com empenho e alegria nos meses que antecedem a quadra natalícia. 

Todos os anos, o texto e a música são originais, bem como o guarda-roupa (que é desenhado tendo por base o contexto histórico) e todos os anos se dá ênfase a uma das figuras do Presépio.

Este ano, o Auto de Natal falou do ‘rei’, em todas as suas significâncias: sejam os reis magos; seja Aquele que nasce e renasce a cada ano e ao qual se atribui poder e esperança; seja o reino individual de cada um, onde reside o motor de transformação e mudança. E como tal, também falou da maternidade, palavra rainha na história da natividade e do renascer de esperança.

Pelo palco, nesta recriação dirigida por Ana Lázaro, passaram os cantores e guitarristas do Centro de Promoção Social da Prodac, as crianças do Centro Social Comunitário do Bairro da Flamenga, do Centro de Promoção Social Rainha D. Leonor, o coro infantil do Parque de Santa Catarina, a Orquestra Geração, o coro de adultos da Unidade de Acompanhamento Terapêutico da Santa Casa, entre muitas outras instituições.

As canções puseram meia plateia a bater o pé, as palavras  emocionaram os presentes e as músicas originais aqueceram o coração e a alma da assistência. Para o fim, ficou um momento especial: o aniversário de D. Generosa Mesquita, utente do Centro de Dia de Nossa Senhora dos Anjos, que em vésperas de Natal (dia 21) completou cem anos e que também participou na celebração. 

D. Generosa partilhou um pouco da sua história de vida, comum a tantos outros idosos da cidade de Lisboa. Nasceu na Régua e veio para Lisboa com 19 anos. Nunca casou, nem teve filhos. Por isso, não é de estranhar que hoje viva sozinha. E passe o Natal sozinha.

"Estou sozinha em minha casa, sou independente, mas vou todos os dias para o centro de dia. Tenho lá muitos amigos", conta.

Tem sobrinhas, mas muito raramente as vê. Está em sua casa por opção, pois a Santa Casa já lhe ofereceu outras soluções. Mas D. Generosa prefere continuar aos comandos da sua vontade.

Agora, a saúde já não lhe permite participar em todas as atividades que o centro oferece aos seus utentes, mas no tempo em que as mãos ainda a deixavam fazer brilhantes era especialista em "crochés" e sempre adorou participar em tudo o que envolvesse "espetáculos, representações e cantorias", afirma Isilda Geraldo, a diretora do Centro de Dia de Nossa Senhora dos Anjos que acompanhou Generosa Mesquita a esta festa de Natal especial.

"Muitos preferem a sua autonomia"

Isilda Geraldo é diretora do Centro de Dia de Nossa Senhora dos Anjos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Por ela e pela instituição que dirige passam todos os dias muitas histórias de vida como a da D. Generosa Mesquita. 

Histórias como esta, há cada vez mais?

Sim. Hoje em dia, muitas pessoas preferem ter a sua autonomia em vez de recolherem a um lar. E muitas estão realmente sozinhas. Por isso as respostas sociais são tão importantes.

Quantos utentes tem o Centro dos Anjos?

Perto de cem.

Têm cada vez mais utentes perto de completar os cem anos ou mesmo centenários?

Sim. Cada vez mais há pessoas a chegar perto dos cem. Temos muitos utentes na casa dos 90 anos, por exemplo. E isso é uma coisa muito positiva! E uma grande parte deles vivem sozinhos.

Como foi o dia da D. Generosa?

Foi muito especial, até porque começou logo muito cedo com várias surpresas que lhe preparámos. Levámo-la ao cabeleireiro, à manicure e, além disso, todos os outros utentes do centro tinham uma lembrança para ela. Estava muito emocionada, já mesmo antes desta homenagem.

Santa Casa

Centros de Dia requalificados

No âmbito do Projeto InterAge, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa está a requalificar os seus 21 centros de dia, transformando-os em espaços intergeracionais, com vários tipos de respostas e abertos à comunidade.

A recuperação dos equipamentos deve estar concluída até 2026 e vai beneficiar mais de 1600 utentes. O projeto, que se enquadra no programa ‘Lisboa. Cidade de Todas as Idades’, que pretende diminuir o isolamento social dos idosos que vivem em Lisboa.

O investimento será de 12 milhões de euros, o que o torna o maior e mais ambicioso programa de investimento na rede de cuidados, apoio domiciliário e requalificação do espaço público.

Estes 21 centros da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa correspondem a cerca de um terço da resposta que existe em Lisboa para a população desta faixa etária.

Cem rosas para cem primaveras

Um dos momentos mais emocionantes do Auto de Natal organizado pela Santa Casa na Igreja de São Roque, no Largo da Misericórdia, foi a entrega de um simbólico ramo de flores, composto por 100 rosas de cor branca, a D. Generosa Mesquita.

O ramo foi entregue pelas mãos do administrador da SCML, Sérgio Cintra.

A homenagem aconteceu precisamente no final da festa de Natal, com todos os participantes reunidos em palco. A eles juntou-se então D. Generosa, visivelmente emocionada, bem como as técnicas e a diretora do Centro de Dia de Nossa Senhora dos Anjos, Isilda Geraldo, que a acompanharam.

A uma só voz, foi entoado o tradicional ‘Parabéns a Você’, que encerrou da melhor maneira uma tarde que se desejava de alegre convívio entre gerações, utentes, técnicos e famílias.

D. Generosa saiu debaixo de uma salva de palmas daquela que, confessou logo a seguir ao CM, foi “a festa de anos mais especial e bonita” que alguma vez teve. Valeu a pena chegar aos cem!

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