Albarran: O ‘senhor televisão' que foi repórter de guerra e popularizou "a tragédia, o drama, o horror"

Jornalista e apresentador passou pela RTP, SIC e TVI.

15 de fevereiro de 2022 às 19:53
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Artur Manuel de Oliveira Rodrigues Albarran nasceu em Inglaterra, a 16 de janeiro de 1953, mas foi criado em Moçambique. Só aos 18 anos se instalou em Portugal.

Começou a carreira como jornalista na Rádio Clube Português, ao lado de nomes como Joaquim Furtado ou Júlio Isidro.

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Após a revolução de 25 de Abril de 1974 filia-se ao Partido revolucionário do proletariado, como ativista de extrema-esquerda. Viria a enfrentar um processo das Brigadas Revolucionárias, fugindo para frança. Foi julgado à revelia, mas acabou por ver-se livre de todas as acusações.

De França vai para Inglaterra, colaborando nos principais canais ingleses: a BBC e a ITV. Passa pelos EUA e pelo Brasil antes de, já na década de 80, regressar a Portugal.

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Como jornalista na RTP, funda a equipa do programa Grande Reportagem. Neste âmbito, dá que falar como enviado e repórter de guerra a acompanhar a Guerra do Golfo, em 1991 e depois o conflito na Somália, em 1992, quando os EUA avançaram naquele país com o objetivo de travar a Guerra Civil. As incursões de Albarran como repórter de guerra são bem visíveis em várias reportagens que permanecem no arquivo da RTP

Assume cargos de chefia na RTP1 e RTP2, antes de ingressar O Século Ilustrado como diretor, em 1988.

Muda de canal e entra a TVI em 1993, num novo registo: como apresentador. Neste papel, vai para a SIC a convite, em 1996, onde se populariza perante o público com os êxitos A Cadeira do Poder, Acorrentados e Imagens Reais, este último programa no qual Albarran torna famosa a sua expressão "a tragédia, o drama, o horror".

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Um ano depois, em 1997, aceita convite de políticos e empresários norte-americanos, entre os quais Frank Carlucci, ex-diretor da CIA e antigo embaixador de Portugal, para mediar e encabeçar os negócios. Progressivamente afasta-se da televisão (apresenta o último programa, Acorrentados, em 2001) e torna-se presidente do Conselho de Administração da EuroAmer, holding imobiliária do Grupo Carlyle, que viria a falir e dar origem, em 2005, a uma investigação do Ministério Público. Albarran foi detido por suspeitas de falsificação de documentos e branqueamento de capitais. Nunca chegou a haver acusação. Sete anos depois, o processo acaba arquivado.

Nos últimos anos trocou ocasionalmente Portugal por Angola e África do Sul, países onde viveu algum tempo.

Foi casado com Lisa Hardy, com quem teve duas filhas. O casal viria a separar-se, ficando Albarran com o poder paternal, que Lisa acabou por levar para a Alemanha, após uma visita em 2008. Foi ainda casado com Isabella Gimenez. Dos três casamentos, teve seis filhos.

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Em 2011 é-lhe diagnosticada leucemia. É sujeito a transplante de medula óssea, com sucesso. Reaparece em público em 2012, recuperado, com a mulher, Sandra Nobre.

Albarran voltaria a ser diagnosticado com cancro, contra o qual até à morte o apresentador continuou a lutar.

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