Dilma diz que Brasil caminha para "estado de exceção"

"O país vive uma situação grave", comentou a ex-presidente.

27 de setembro de 2016 às 09:49
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A ex-presidente brasileira Dilma Rousseff afirmou esta segunda-feira, ao comentar declarações do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, sobre a Operação Lava Jato, que o Brasil caminha para "o estado de exceção".

Em vez de comentar a detenção hoje de António Palocci, que foi ministro da Casa Civil no seu Governo e ministro das Finanças no executivo de Lula da Silva, quatro dias após a detenção de outro ex-ministro ligado ao seu Partido dos Trabalhadores (PT), Guido Mantega, a ex-Presidente preferiu criticar as declarações do titular da Justiça.

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Alexandre de Moraes disse, num ato de campanha, no domingo, em Ribeirão Preto, no interior do estado de São Paulo, que "esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos", numa referência à Operação Lava Jato.

"O país vive uma situação grave. O anúncio de nova fase da Lava Jato pelo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, num palanque eleitoral, em plena atividade de campanha em Ribeirão Preto, na véspera da prisão de António Palocci, lança suspeitas de abuso de autoridade e uso político da Polícia Federal", comentou a ex-Presidente.

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Na sua página na rede social Facebook, Dilma Rousseff acrescentou que "se tal situação tivesse ocorrido" no seu governo, seriam "duramente criticados pela imprensa e pela oposição", para depois concluir: "Estamos a caminhar para o estado de exceção".

O ex-ministro brasileiro António Palocci, foi preso sob acusação de ter intermediado créditos de um banco estatal brasileiro para a empreiteira Odebrecht investir em Angola em troca do pagamento de subornos.

Na sexta-feira, o ex-ministro das Finanças Guido Mantega, suspeito de ter pedido pagamentos de subornos para o PT para auxiliar empresas investigadas pela Operação Lava Jato, foi alvo de uma breve detenção.

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Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos de Lula da Silva e de Dilma Rousseff, também foi detido por alguns dias em junho, tendo sido em agosto constituído arguido por organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Entretanto, as declarações do atual ministro da Justiça geraram polémica e levaram o Presidente Michel Temer a chamá-lo para esclarecê-las, segundo a imprensa brasileira.

Hoje, Alexandre de Moraes negou ter conhecimento antecipado de operações da Lava Jato quando se referiu à operação no domingo, falando numa "afirmação genérica".

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"Desde que eu assumi, há quase cinco meses, nós não tivemos uma semana sem grandes operações, porque são necessárias", comentou.

No início do seu mandato Michel Temer, que se tornou Presidente no seguimento da destituição de Dilma Rousseff por irregularidades orçamentais, perdeu três ministros por causa da Lava Jato.

A operação, que trata de um mega-esquema de corrupção na estatal Petrobras, envolvendo várias empresas e dezenas de políticos, tem afetado sobretudo o PT, mas também outros partidos, como o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), de Michel Temer.

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