Europa tem "talvez seis semanas de combustível para aviões"
Se o abastecimento de petróleo continuar bloqueado, voos poderão ser cancelados.
A Europa tem "talvez mais seis semanas de combustível para aviões", afirmou esta quinta-feira o diretor da Agência Internacional de Energia (AIE) numa entrevista, alertando para possíveis cancelamentos de voos em breve se o abastecimento de petróleo continuar bloqueado.
Numa entrevista à Associated Press, o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, traçou um quadro preocupante das repercussões globais do que chamou "a maior crise energética que já se enfrentou", resultante do bloqueio do petróleo, gás e outros suprimentos vitais através do Estreito de Ormuz.
"No passado, havia um grupo chamado 'Dire Straits'. Agora está-se numa situação desesperada, e isso terá implicações graves para a economia global. E quanto mais tempo isto se prolongar, pior será para o crescimento económico e a inflação em todo o mundo", afirmou.
Para o responsável, o impacto será "preços mais elevados da gasolina, preços mais elevados do gás e preços elevados da eletricidade".
As dificuldades económicas serão sentidas de forma desigual e "os países que mais sofrerão não serão aqueles cuja voz é mais ouvida. Serão principalmente os países em desenvolvimento. Os países mais pobres da Ásia, de África e da América Latina", afirmou o economista e especialista em energia que lidera a AIE desde 2015.
Sem um acordo para a guerra no Irão que reabra permanentemente o Estreito de Ormuz, "todos vão sofrer", acrescentou.
"Alguns países podem ser mais ricos do que outros. Alguns países podem ter mais energia do que outros, mas nenhum país está imune a esta crise", afirmou, pois sem a reabertura da via navegável, alguns produtos petrolíferos poderão esgotar-se.
Fatih Birol disse ser possível que na Europa se ouça, em breve, a notícia de que alguns dos voos da cidade A para a cidade B poderão ser cancelados devido à falta de combustível para aviões.
o diretoR da AIE manifestou-se contra o chamado sistema de "portagem" que o Irão tem aplicado a alguns navios, permitindo-lhes atravessar o estreito mediante o pagamento de uma taxa, dizendo que se tal se tornasse mais permanente implicaria o risco de criar um precedente que poderia depois ser aplicado a outras vias navegáveis.
O responsável referiu ainda que mais de 110 petroleiros carregados de petróleo e mais de 15 navios carregados com gás natural liquefeito estão à espera no Golfo Pérsico e poderiam ajudar a aliviar a crise energética se conseguissem navegar pelo Estreito de Ormuz.
Mesmo com um acordo de paz, os ataques a instalações energéticas significam que poderão passar muitos meses até que os níveis de produção pré-guerra sejam restaurados, afirmou.
"Será extremamente otimista acreditar que será muito rápido", disse Birol, referindo que se levará até dois anos para voltar ao ponto em que se estava antes da guerra.
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