Impacto dos antibióticos no microbioma intestinal pode durar até oito anos

Embora os antibióticos protejam contra infeções graves, o seu uso excessivo aumenta o risco de algumas doenças, como a diabetes tipo 2 e as infeções gastrointestinais.

11 de março de 2026 às 17:14
Antibióticos Foto: Getty Images
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A toma de antibióticos pode afetar a composição da comunidade bacteriana intestinal, o microbioma intestinal, durante um período que pode ir até aos oito anos consoante os medicamentos utilizados, indica um estudo divulgado esta quarta-feira.

Liderado por cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, o estudo revelou fortes ligações entre o uso de antibióticos e a composição do microbioma intestinal de cada pessoa, incluindo a diversidade de espécies bacterianas.

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A equipa de investigadores analisou o microbioma intestinal de 14.979 residentes na Suécia e comparou o dos participantes que tinham tomado diferentes tipos de antibióticos nos últimos oito anos com o dos que não tinham tomado.

"Podemos ver que o uso de antibióticos há quatro a oito anos está ligado à composição atual do microbioma intestinal de uma pessoa. Mesmo um único tratamento com certos tipos de antibióticos deixa vestígios", afirma Gabriel Baldanzi, primeiro autor do estudo, publicado na revista Nature Medicine, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.

Os cientistas constataram um maior impacto com a utilização de clindamicina, as fluoroquinolonas e a flucloxacilina, enquanto a penicilina V, o antibiótico para o tratamento de infeções mais prescrito fora dos hospitais na Suécia, foi associada a pequenas alterações e de curta duração no microbioma.

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"A forte ligação entre a flucloxacilina de espetro restrito e o microbioma intestinal foi inesperada e gostaríamos de ver esta descoberta confirmada noutros estudos", afirma a investigadora principal Tove Fall, professora de Epidemiologia Molecular na Universidade de Uppsala.

"No entanto, acreditamos que as conclusões do nosso estudo podem ajudar a fundamentar futuras recomendações sobre o uso de antibióticos, especialmente na escolha entre dois antibióticos igualmente eficazes, sendo que um deles tem um impacto menor no microbioma intestinal", conclui a investigadora.

Segundo a EFE, embora os antibióticos protejam contra infeções graves, o seu uso excessivo aumenta o risco de algumas doenças, como a diabetes tipo 2 e as infeções gastrointestinais, acreditando outros cientistas que "as alterações no microbioma provocadas por estes medicamentos podem estar na origem destas patologias".

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